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Casas Bahia tem prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre e admite nova recuperação judicial

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Casas Bahia tem prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre e admite nova recuperação judicial

Casas Bahia fecha lojas em Brasília e no resto do país –

O grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo balanço divulgado pela companhia no domingo (16), após dois adiamentos na publicação dos resultados. O resultado acende um novo alerta sobre a situação financeira da varejista, que também admitiu avaliar a possibilidade de recorrer novamente a uma recuperação extrajudicial ou judicial.
No acumulado do primeiro semestre, o prejuízo líquido chegou a R$ 11,2 bilhões. Considerando os 12 meses encerrados em junho, o resultado negativo alcançou R$ 13,2 bilhões.
A companhia informou, contudo, que, após a exclusão de impactos considerados não recorrentes, o prejuízo do segundo trimestre foi de R$ 978 milhões. Esses ajustes estão relacionados principalmente à segunda fase do Plano de Transformação da empresa.
Entre os principais efeitos contabilizados estão uma baixa de R$ 5,7 bilhões em Imposto de Renda diferido, R$ 1,8 bilhão referente a passivo de contingência contratual, R$ 1 bilhão em baixa de ágio de investimentos, R$ 500 milhões em despesas de reestruturação e R$ 200 milhões relacionados à alienação de imobilizado intangível.
O Ebitda ajustado, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 518 milhões no trimestre, queda de 9,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Empresa admite nova recuperação
No relatório, a Casas Bahia afirmou que avalia medidas adicionais para reorganizar suas obrigações financeiras. Entre as alternativas consideradas estão uma eventual nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial.
A companhia afirmou que pretende dar continuidade à segunda fase de seu plano de reestruturação, com foco em canais e categorias de maior rentabilidade, redução do capital empregado e diminuição dos custos de financiamento, com o objetivo de fortalecer a geração de caixa.
Como parte desse processo, a empresa confirmou o fechamento de 298 lojas consideradas menos rentáveis.
Vendas on-line avançam
Apesar da deterioração dos resultados, o volume bruto de vendas de mercadorias, conhecido como GMV, apresentou leve alta no trimestre. O indicador cresceu 0,5%, para R$ 10,5 bilhões, na comparação com o segundo trimestre de 2025.
O desempenho, porém, foi marcado por comportamentos distintos entre os canais. As vendas nas lojas físicas recuaram 3,2%, enquanto as vendas on-line avançaram 15,3% na mesma base de comparação.
A companhia atribuiu o desempenho financeiro ao ambiente macroeconômico adverso para o varejo brasileiro de bens duráveis, especialmente em razão do custo elevado do crédito e da pressão sobre a capacidade financeira dos consumidores.
Patrimônio líquido fica negativo
Um dos principais sinais de deterioração financeira aparece no patrimônio líquido da companhia, que terminou junho em R$ 8,3 bilhões negativos. No fim de 2025, o indicador era positivo em R$ 2,8 bilhões.
A Casas Bahia informou ainda possuir R$ 6,3 bilhões em créditos fiscais federais e estaduais, mas reconheceu dificuldades para transformar esses valores em recursos disponíveis para o caixa.
Segundo a empresa, embora seja credora e titular desses créditos, a companhia enfrenta dificuldades para monetizá-los e utilizá-los, justamente em um momento em que necessita de capital para manter suas operações. A liquidez adicional prevista no planejamento financeiro, afirmou, não se concretizou conforme o esperado.
Juros altos e apostas on-line pressionam consumo
No balanço, a Casas Bahia também apontou o ambiente de juros elevados ao longo do primeiro semestre de 2026 como um dos fatores que prejudicaram o desempenho.
A companhia destacou ainda o avanço das apostas on-line e o elevado endividamento das famílias brasileiras como fatores de pressão sobre o consumo.
De acordo com dados do Banco Central citados pela empresa, em março de 2026 o endividamento das famílias correspondia a 49,8% da renda acumulada em 12 meses, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida chegava a 29,3%.
O balanço foi divulgado após dois adiamentos. Inicialmente previsto para 12 de agosto, o resultado foi remarcado para sexta-feira (14) e acabou publicado somente no domingo (16), um dia antes da teleconferência com acionistas prevista para esta segunda-feira (17).
Após ajustes, companhia registra perda de R$ 978 milhões entre abril e junho e anuncia fechamento de 298 lojas. Patrimônio líquido ficou negativo em R$ 8,3 bilhões

Da redação 

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