Câmara Legislativa homenageia cargos de sustentação das comunidades de terreiro
Sessão solene celebrou funções essenciais à vida espiritual, ritual, social e cultural dos terreiros e reforçou o enfrentamento à intolerância religiosa.
A Câmara Legislativa homenageou representantes de cargos de sustentação das comunidades de terreiro, com a entrega de moções de louvor, em sessão solene realizada na noite desta terça-feira (24). Os participantes do evento, transmitido ao vivo pela TV Câmara Distrital, destacaram o caráter solidário e de resistência cultural dos terreiros, bem como o enfrentamento da intolerância religiosa. Os cargos de sustentação garantem o funcionamento espiritual, ritual e social dos terreiros.
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O autor da iniciativa, deputado Fábio Felix (Psol), defendeu a “ocupação de espaço na Câmara Legislativa” como forma de combate ao “fundamentalismo religioso” que, segundo ele, “demoniza” as religiões de matriz africana. “Não à toa tantos ataques aos nossos terreiros, às comunidades tradicionais e às pessoas com suas vestimentas, com suas tradições”, ressaltou. Ele também lembrou, como conquista histórica, a aprovação da Lei nº 7.226/2023, de sua autoria, que instituiu diretrizes e ações para o Programa Distrital de Combate ao Racismo Religioso.
Em sua fala, o distrital enfatizou o papel social dos terreiros e, em particular, a contribuição das pessoas que ocupam cargos de sustentação. “Os povos de terreiro têm que ter voz ativa e respeitada na educação, têm que ter voz ativa e respeitada na saúde, na segurança pública, em todas as áreas que são fundamentais para a sociedade”, afirmou.
O presidente da Federação Uirapuru, Anísio de Melo, também salientou a importância dos cargos de sustentação. “Tem muita gente que faz um terreiro funcionar, aquele que limpa, aquele que cozinha, aquele que dá o suporte direto para o sacerdote”. Ele agradeceu o deputado Fábio Felix pelo evento e parabenizou os homenageados: “Hoje eu tenho certeza de que vocês, que são esses pilares, vão sair daqui reconhecidos”.
A presidente do Instituto Batuquemos e curimbeira, Nayara Souza, disse que a Curimba não é apenas música, mas também fundamento, oração e conexão. “Hoje eu recebo com muita gratidão a oportunidade de representar as curimbeiras, mulheres que, por meio do canto, do toque e da dedicação, ajudam a sustentar a fé, a tradição e a ancestralidade dentro dos nossos terreiros”.
Já a coordenadora da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da CLDF e sacerdotisa de Umbanda Keka Bagno, salientou o caráter político dos terreiros. “Enfrentar o machismo, enfrentar a LGBTfobia, enfrentar o racismo, também é uma tarefa nossa. Não me parece que seja coerente com o que a gente acredita, com a nossa fé, reproduzir violências dentro de nossas casas”.
A dimensão cultural dos terreiros foi reforçada pela secretária da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Legislativa Dani Sanchez. “A gente quer que as nossas tradições continuem sendo reconhecidas e valorizadas. Como tradição, como princípio, meio e fim. Porque tudo o que temos hoje no Brasil tem um pouco de candomblé”. Para ela, os terreiros também são espaços políticos, que “acolhem pretos, pobres, LGBTs, corpos gordos, corpos magros, pessoas que muitas vezes são invisibilizadas pela sociedade”.
A deputada federal Erica Kokay (PT-DF), por sua vez, enfatizou o caráter social dos terreiros, como espaços de “cultura, de saúde, de segurança alimentar, de proteção ambiental, de caridade, de solidariedade, de acolhimento e de paz”.
Funções essenciais
Os cargos de sustentação são as funções sacerdotais, ritualísticas e administrativas que garantem a ordem, a hierarquia e o fluxo de energia (axé) dentro de um terreiro. As denominações e atribuições podem variar conforme a tradição e a organização de cada casa. Em geral, essas funções envolvem a liderança espiritual dos pais e mães de santo, os auxiliares diretos, os tocadores e cantores (ogãs) e os cuidadores de médiuns e entidades (cambonos e ekedis).
Agência CLDF de Notícias

















