CLDF debate inclusão escolar e saúde no segundo dia de seminário
No 3º Seminário Mãe, Deixa Eu Cuidar de Você, Especialistas destacam desafios na formação docente e na integração dos cuidados para pessoas com deficiência, TEA e doenças raras
Na abertura do segundo dia do seminário “Mãe, deixa eu cuidar de você”, realizado no auditório da Casa, a Câmara Legislativa recebeu dois painéis de debates sobre educação inclusiva e linhas de cuidado em saúde. A iniciativa é do deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), que preside frentes parlamentares em defesa de pessoas com autismo, síndrome de Down e doenças raras.
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O primeiro painel, com o tema “Educação inclusiva e caminhos para a participação plena e pertencimento de estudantes atípicos no cenário escolar”, buscou ampliar o entendimento sobre a importância de construir escolas onde todos os estudantes possam aprender, conviver e se sentir pertencentes.
Educação inclusiva
A professora Giordana Garcia, que mediou a mesa, destacou a importância de pensar a inclusão como um processo transversal, que envolva diversos atores sociais. “A inclusão escolar não pode ser tratada apenas como obrigação legal, mas como um compromisso humano com a dignidade, o respeito e a valorização das diferenças”, pontuou.
Professora da rede pública do DF há mais de 20 anos, Dulcinete Castro Nunes Alvim apresentou um panorama da organização do atendimento educacional especializado. Segundo dados exibidos, o DF atende mais de 21 mil estudantes com deficiência, TEA ou altas habilidades/superdotação na Educação Especial (incluindo Centros de Ensino Especial), sendo que mais de 93% estão matriculados em turmas regulares do ensino básico.
Dulcinete destacou ainda a expansão de programas e serviços voltados ao público-alvo da Educação Especial. Os dados apontam mais de 30 mil matrículas, com 4.579 delas em Centros de Ensino Especial (CEE), além de um crescimento de 44,4% nos casos relacionados ao TEA entre 2023 e 2024. “Não temos uma definição clara sobre a causa do aumento de estudantes com autismo nas escolas. O que sabemos é que, com a ampliação desse quantitativo, precisamos expandir os espaços de atendimento”, afirmou.
A neuropsicopedagoga Andreia Alves Araújo ressaltou que o fomento à inclusão vai além das práticas dentro do ambiente escolar e deve envolver família, escola e poder público. Ela também apontou lacunas na formação acadêmica dos professores para lidar com as especificidades da educação inclusiva. “A formação dos professores ainda é limitada em relação aos diversos transtornos apresentados pelos alunos. Isso amplia o desafio”, afirmou, cobrando maior investimento em capacitação continuada.
A doutora em Educação e Ciências Carolina Conceição Prado reforçou a necessidade de formação continuada para professores da rede pública. Segundo ela, os cursos de graduação abordam o tema de forma insuficiente, muitas vezes com disciplinas optativas. Em sintonia com a fala da colega, defendeu um olhar amplo da sociedade sobre o tema.
“A inclusão depende de muita gente: da família, dos órgãos públicos e da legislação. E depende também de cada um de nós, que precisamos compreender que os professores necessitam de mais formação e capacitação”, destacou.
Programação
O segundo painel da manhã abordou as linhas de cuidado em saúde, com o tema “No limite da vida: o desafio de integrar linhas de cuidado e vencer os gargalos da assistência para pessoas raras, com TEA, síndrome de Down, pacientes oncológicos e transplantados”. Os debatedores promoveram uma reflexão qualificada sobre os desafios da integração entre serviços de saúde e os avanços necessários nas políticas públicas.
O painel foi mediado pela neuropediatra Ellen Souza Siqueira e pela psiquiatra Marina Célia Caparelli. Participaram também a fisioterapeuta Caroline Vale, a fonoaudióloga Viviane Veras e o médico oncologista Gustavo Ribas.

A programação do seminário continua à tarde, a partir das 14h, com os painéis Nutrição e odontologia integrada; Famílias e ciclo de vida; e Gestão de vida e renovação materna. À noite, haverá um debate sobre o uso da cannabis medicinal. O canal de YouTube da CLDF transmite ao vivo o evento.
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Agência CLDF de Notícias

















