Suspeito também por invadir o TSE , o rapaz de 24 anos foi preso no Bairro Laranjeiras durante a Operação ‘Deepwater’ e levado para depor na PF; foram apreendidos computador e celular. Em novembro de 2020, na Operação ‘Exploit‘, ele era suspeito de invadir sistemas do Tribunal Superior Eleitoral.

Um hacker, de 24 anos, foi preso no Bairro Laranjeiras em Uberlândia na manhã dessa sexta-feira (19) durante a Operação ‘Deepwater’. Conforme a Polícia Federal (PF), ele é suspeito do maior vazamento de dados do Brasil. A ação ainda cumpre mais quatro mandados de busca e apreensão em Petrolina (PE).
Na casa dele, a PF apreendeu um computador e um celular. De acordo com a investigação, Marcos Roberto Correia da Silva, conhecido como Vandathegod, é responsável pela divulgação de informações de 223 milhões de brasileiros. O rapaz foi levado para a delegacia para depor.
Vandathegod também foi alvo de um mandado de busca e apreensão na operação “Exploit”, que prendeu em novembro de 2020 o hacker suspeito de invadir sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele chegou a ser preso na ocasião e estava em prisão domiciliar até esta sexta.
A família de Marcos falou sobre a situação à TV Integração. Confira as declarações abaixo.
Megavazamento de dados: o que se sabe e o que falta esclarecer
PF abre inquérito para investigar megavazamento de dados de cidadãos e autoridades
As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da PF. Em 28 de janeiro, a polícia recebeu pedido da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para abrir a inquérito sobre o caso. A investigação é realizada pela Diretoria de Inteligência Policial da Polícia Federal.
A suspeita é que autoridades públicas estejam entre os alvos dos criminosos. A PF também apura a participação do hacker conhecido como “JustBR” na divulgação e comercialização dos dados sigilosos.
A Família ficou supresa com nova prisão
A irmã do hacker, que não quis se identificar, falou com a equipe da TV Integração sobre a nova prisão de Vandathegod. Segundo ela, o jovem estava em prisão domiciliar e utilizando tornozeleira eletrônica depois de ter sido detido no último ano, por suspeita de invasão ao sistema do TSE.
Conforme a irmã, a família ficou surpresa com a nova ação. “Como uma pessoa que não tem muito estudo, não é graduado, e era um hacker suspeito de envolvimento [em crimes] em vários países.”
O jovem morava em uma casa simples no Bairro Laranjeiras junto com a mãe, três irmãos e dois sobrinhos. A irmã também contou que Marcos não dava dinheiro à família “Aqui em casa não tinha [computador]. Ele ia pra lanhouse mexer. Depois ele apareceu com um notebook. Se tivesse dinheiro, eu estaria numa mansão. Acho que hacker ganha bastante dinheiro”, afirmou.
“Depois que ele foi preso [ano passado], usava tornozeleira e ficava trancado no quarto. Minha mãe sempre aconselhava ele a ir trabalhar. Falava pra ele ir trabalhar, entregar currículo, que não era vida ficar no computador. O que minha mãe pode dar de educação, ela deu”, explicou a irmã.

Investigações da Operação ‘Deepwater’
Os investigadores identificaram que, em 2021, dados sigilosos de pessoas físicas e jurídicas foram disponibilizados em um fórum na internet. A página é especializada em troca de informações sobre atividades cibernéticas.
Nesse site, eram apresentadas informações de pessoas físicas e jurídicas, como CPF e CNPJ, nome completo e endereço.
De acordo com a PF, a divulgação de parte dos dados sigilosos foi feita gratuitamente por um usuário do fórum que, ao mesmo tempo, expôs a venda o restante das informações sigilosas — elas poderiam ser adquiridas com criptomoedas.
Após diligências, a Polícia Federal identificou o hacker suspeito de obter, divulgar e comercializar os dados, assim como outro hacker que estaria vendendo os dados por meio suas redes sociais.

Invasão ao TSE
Marcos Roberto Correia da Silva, o hacker conhecido como Vandathegod, também foi alvo de um mandado de busca e apreensão na operação “Exploit”, que prendeu em novembro de 2020 o hacker suspeito de invadir sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ele é investigado por ter participado da invasão que expôs informações administrativas de ex-servidores e ex-ministros do TSE no primeiro turno das eleições municipais de 2020.
A Justiça Eleitoral também determinou a proibição de contato entre ele e outros hackers investigados na operação Exploit.
Marcos Roberto Correia da Silva também é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais por invasão de dispositivo e estelionato.
Com informações do g1.globo.com
















