Taiwan joga xadrez no Cone Sul e o Brasil ainda pensa em damas O café da manhã promovido pelo Escritório Econômico e Cultural de Taipei, em…
Taiwan joga xadrez no Cone Sul e o Brasil ainda pensa em damas
O café da manhã promovido pelo Escritório Econômico e Cultural de Taipei, em Brasília, passou longe de ser um gesto protocolar.
Foi, na prática, um movimento estratégico sofisticado e que expõe, mais uma vez, a dificuldade do Brasil em entender o jogo geopolítico em curso.
Taiwan está fazendo o que o Brasil deveria fazer: pensando à frente.
Ao escolher o Paraguai como plataforma de entrada no Mercosul, Taipei demonstra clareza de propósito. Usa um aliado diplomático fiel, dribla limitações impostas pela política internacional e ainda constrói uma rota econômica eficiente para acessar o maior mercado da América do Sul. Simples, direto e eficaz.
Enquanto isso, o Brasil peça central desse tabuleiro assiste.
A ideia de transformar o Parque Tecnológico Inteligente Paraguai-Taiwan em um polo de produção e inovação é mais do que um projeto industrial.
É uma tentativa concreta de reposicionar cadeias produtivas em um momento em que o mundo inteiro busca alternativas à concentração tecnológica. E aqui entra um ponto crucial: semicondutores.
Taiwan domina esse setor.
O mundo depende disso. E o Brasil, mais uma vez, corre o risco de ficar na periferia de uma transformação global.
O discurso do embaixador Benito Liao foi diplomático, como manda o manual. Falou em parceria, estabilidade e cooperação. Mas o subtexto é outro: Taiwan está abrindo caminhos com ou sem o protagonismo brasileiro.
E talvez esse seja o ponto mais incômodo.
O Brasil tem mercado, tem escala, tem indústria e tem localização estratégica. Mas falta coordenação, velocidade e, principalmente, visão de longo prazo.
O país ainda reage, quando deveria antecipar.
A triangulação com o Paraguai escancara isso. Em vez de liderar a integração regional com inteligência econômica, o Brasil pode acabar sendo apenas o destino final de produtos e tecnologias desenvolvidos fora do seu território ainda que dentro do próprio Mercosul.
Na prática, isso significa perder valor agregado, perder protagonismo e, no limite, perder relevância.
A presença de nomes como Mario Machado e Caio Junqueira no evento reforça que não há improviso. Há planejamento, diagnóstico e intenção clara de execução. Taiwan não está testando possibilidades está implementando estratégia.
E estratégia, no cenário atual, vale mais do que discurso.
O mundo está reorganizando suas cadeias produtivas. Quem não ocupar espaço agora dificilmente encontrará lugar depois.
O Brasil precisa decidir se quer ser parceiro ativo ou apenas espectador privilegiado.
Porque, no ritmo atual, a sensação é desconfortável: enquanto Taiwan joga xadrez geopolítico, o Brasil ainda discute as regras do jogo.
E, nesse tipo de partida, quem demora para mover as peças normalmente já perdeu.
Com informações do jornalista Toni Duarte

















