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EXCLUSIVO: Preso por roubo de combustível disse ser do Comando Vermelho, segundo delegado

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O roubo de combustíveis deflagrado no Distrito Federal no sábado (6) não era coisa de amador. Responsável pela operação, o delegado Fernando Fernandes afirmou ao Jornal de Brasília que um dos homens afirmou ser membro do Comando Vermelho (CV) ao chegar à 19ª Delegacia de Polícia (P Norte). “Depois, o advogado o orientou a ficar calado”, explica o investigador. Fernandes também reforçou o profissionalismo do bando, que chegou a “encamisar” a bomba d’água usada no furto para evitar corrosões no equipamento, que não era o ideal para a função na qual foi utilizado. 

Quanto aos receptadores – ou seja, a quem os homens presos vendiam o combustível -, o investigador afirmou apenas que “algumas denúncias” chegaram à corporação, mas que nada foi comprovado até o momento. Assim como os moradores, Fernandes lembra que, em 2024, outro roubo do tipo foi verificado a pouco mais de dois quilômetros do local onde a operação clandestina foi desbaratada. Moradores também relataram o episódio ao JBr., mas explicaram que a repercussão não foi a mesma. 

O oleoduto Osbra, gerido pela Petrobras através da Transpetro, traz combustível de São Paulo para abastecer a capital da República, passando pelo interior paulista, pelo triângulo mineiro e por Senador Canedo, já em Goiás. No Bela Vista, há diversos postes com a antiga logo da BR Distribuidora – privatizada em 2021, no governo Bolsonaro (PL), mas cuja identidade visual foi mantida pela vencedora da concessão. o símbolo, associado à Petrobras, indica que ali passam dutos da Transpetro, outra subsidiária da petroleira estatal. Estimativas do Sindicombustíveis-DF apontam que 90% do combustível consumido na capital vem do interior paulista por meio do Osbra. 

Postes apontam tubulação subterrânea para distribuição de combustível. Foto: Olavo David

A reportagem tentou contato com os donos do imóvel usado pelo grupo, mas eles não quiseram ser identificados. Vizinhos indicam medo por parte dos proprietários, que já são idosos. “Eles tinham ficado muito felizes com o aluguel”, revela Hélcio Silveira, 45 anos, vizinho do lote onde estava a loja alugada.  “Ela [a dona] tá com medo até agora, não quer falar com ninguém”, informa. Funcionários da Transpetro estiveram no local já no domingo (7), quando evacuaram as casas vizinhas e soldaram novamente a tubulação, processo que levou de 13h às 17h. 

“Nem posto tem aqui perto”

O tempo passa mais devagar no condomínio Vista Bela. Situado a meio caminho de Águas Lindas, no Entorno, mas ainda taxado como Ceilândia, o local é predominantemente uma área rural cruzada pela DF-080. Exatamente por isso tanta gente se assustou quando uma dezena de viaturas da Polícia Civil armaram uma emboscada às margens da rodovia, à noite. “Tava dentro de casa, escutei o barulho e vim ver. Um monte de carro da Polícia Civil estava aqui e os caras deitados no chão”, diz Hélcio. 

Placas da transpetro indicam local onde é proibido escavar, justamente pela presença de dutos. Foto: Olavo David
Placas da transpetro indicam local onde é proibido escavar, justamente pela presença de dutos. Foto: Olavo David

Ao ser abordado pela reportagem, um morador indicou que soube da Operação Estige pela imprensa, mas sequer tinha conhecimento que havia um oleoduto ali por perto. “Nem posto de combustível aqui perto a gente tem”, brincou. O grupo preso no sábado (6) alugou o imóvel “para abrir uma borracharia”. Ninguém estranhou, já que o fluxo de carros é grande na estrada. O tráfego também mascarou outro indício: o cheiro de combustível não se fazia sentir pelos vizinhos. “A gente está acostumado com cheiro e barulho da pista, cheiro de diesel”, pontua. “Eu não senti cheiro algum e eu sou vizinho”, conclui. 

Local onde a Transpetro precisou intervir para consertar os dutos do oleoduto danificado para roubo de combustível. Foto: Olavo David
Local onde a Transpetro precisou intervir para consertar os dutos do oleoduto danificado para roubo de combustível. Foto: Olavo David

De fato, os olfatos se acostumaram: no momento da entrevista, o buraco aberto para os consertos na tubulação era forte nas imediações, e mesmo assim Hélcio alegava não estranhar o odor. Responsável pela operação, o delegado Fernando Fernandes, chefe da 19ª Delegacia de Polícia (P Norte), reforça que a ação foi de gente entendida no assunto. “A bomba [dágua, usada para retirar o combustível do oleoduto] estava encamisada, era adaptada para combustíveis”, pontua. Cabe lembrar que derivados de petróleo causam corrosão em equipamentos não propícios para a atividade. 

Em nota, o Sindicombustíveis-DF reforçou que “combustível furtado não desaparece”. “Historicamente, esse produto pode ser direcionado para venda clandestina a transportadores, consumidores finais ou operadores informais que atuam completamente à margem dos controles fiscais, ambientais e de qualidade exigidos pela legislação brasileira”, diz o comunicado. Presidente da entidade, Paulo Tavares disse à reportagem que um dos principais pontos a serem atacados é a revenda de bombas usadas. “Isso se compra em todo lugar. Tem bomba velha para comprar no mercado paralelo”, pontua. 

Com informações do Jornal de Brasília

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