Em audiência de mediação no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (13) para tratar do empréstimo ao Banco de Brasília (BRB) pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que não há viabilidade para a entrega dos balanços financeiros atrasados devido à situação em que a instituição se encontra.
De acordo com a chefe do Executivo local, as demonstrações financeiras estão retidas e só devem ser divulgadas após a capitalização. “Nós queremos publicar o balanço após a capitalização do banco. Não podemos, na situação em que nós estamos, em recuperação deste banco, subirmos o balanço”, argumentou. Celina ainda enfatizou que o empréstimo é uma ferramenta para terminar de capitalizar o banco e “subir” o balanço.
Por fim, a governadora pediu novamente o aval do Governo Federal para que os recursos fossem destravados. O acordo costurado não prevê repasses diretos da União, mas estabelece que o empréstimo de R$ 6,6 bilhões poderia ser viabilizado pelo FGC, com a fiança de um sindicato de bancos e contragarantias do GDF por meio dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM). No entanto, ainda não houve formalização de bancos interessados em fazer parte da proposta.
Em documento encaminhado ao STF, o FGC afirmou que a análise do empréstimo depende da entrega dos balanços financeiros. O ofício, direcionado à governadora Celina Leão (PP), aponta que não recebeu a “totalidade das informações necessárias à análise do pleito apresentado ao FGC pelo BRB”. As demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025 e ao primeiro semestre de 2026 já foram solicitadas pelo fundo, tanto ao GDF quanto à instituição, mas não foram encaminhadas.
Histórico e consequências
Atualmente, o BRB enfrenta uma crise financeira e de confiabilidade após a revelação das fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As investigações apontam irregularidades envolvendo operações com o Banco Master, que resultaram em um prejuízo estimado em cerca de R$ 12 bilhões para a instituição financeira distrital. Em meio a essa situação, o BRB não divulgou os balanços financeiros de 2025 até então. Os documentos são essenciais para avaliar o rombo deixado na instituição.
O prazo para a divulgação do balanço anual venceu em 31 de março, e o próprio BRB informou que o fechamento das demonstrações dependia da conclusão de auditorias e de tratativas com os reguladores. Em uma tentativa de recuperar o banco financeiramente, Celina havia fechado um acordo no Supremo Tribunal Federal (STF) que previa uma operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 6,6 bilhões. O acordo, no entanto, ainda não teve resultados efetivos e a nova reunião foi marcada pelo ministro do STF Luiz Fux para resolver a questão. Ainda não há previsão de quando os recursos devem entrar no caixa da instituição. Essa situação empurra o BRB cada vez mais para uma possível liquidação.
Essa situação empurra o BRB cada vez mais para uma possível liquidação. Na avaliação do mestre em Ciências Políticas Prof. Dr. Gustavo Javier Castro, caso o acordo não seja concretizado antes das eleições, Celina será pressionada a explicar por que uma solução anunciada e homologada ainda não produziu resultados. Isso pode enfraquecer um dos principais argumentos de sua candidatura, que é o da continuidade administrativa e da capacidade de gestão.
Em relação a uma possível liquidação, as consequências seriam muito mais graves. “O BRB não é percebido apenas como uma instituição financeira, mas como um patrimônio econômico e simbólico do Distrito Federal. Uma crise extrema poderia produzir insegurança entre clientes, servidores, empresários e contribuintes, além de levantar questionamentos sobre a eventual utilização de recursos públicos para cobrir prejuízos”, explica Castro.
Com informações do Jornal de Brasília

















