Um dos principais nomes do hip-hop de Brasília morreu neste domingo (5). Rivas Álibi, de 56 anos, não resistiu a um câncer de pulmão, diagnosticado no fim de junho. Considerado um dos pioneiros do movimento no Distrito Federal, ele dedicou mais de quatro décadas à cultura hip-hop, transformando a música e o grafite em uma ferramenta de inclusão social e inspirando gerações de artistas e jovens, especialmente em Ceilândia, onde construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a cultura e a comunidade.
Familiares, amigos, artistas, representantes da cultura e admiradores se reuniram nesta terça-feira (7) para prestar as últimas homenagens ao grafiteiro. O velório foi marcado por emoção, lembranças e pelo reconhecimento ao legado de um artista que ajudou a consolidar o hip-hop no Distrito Federal.
Para o rapper Will, a influência de Rivas ultrapassou os limites de Brasília e alcançou o cenário nacional. “Eu não vejo o Rivas como uma referência só para Ceilândia. Para mim, o Rivas é um nome nacional, porque ele não viveu só o rap, ele viveu a cultura hip-hop por completo. Se hoje eu vivo através da cultura hip-hop, é por causa do legado dessas pessoas”, afirmou.
Além da contribuição para a música, amigos destacam o papel de Rivas na formação de novos artistas e no fortalecimento da cultura urbana. Ao longo da carreira, ele participou de projetos em escolas, incentivou jovens a ingressarem no hip-hop e ajudou a consolidar espaços dedicados ao movimento na capital. “Ele me inspirou, me ajudou e me ensinou coisas que eu nunca vou esquecer. O mais importante agora é continuar esse legado”, acrescentou Will.
Quem também lamentou a perda foi Antônio Marcos de Araújo, conhecido como Marquinhos, integrante do grupo Tropa de Elite. Amigo de longa data, ele relembrou a parceria construída em apresentações e projetos sociais realizados nas escolas do Distrito Federal. “A gente fez muitos trabalhos juntos. Fizemos em mais de 100 escolas aqui no Distrito Federal. O Rivas deixou um legado na nossa cidade. A nossa geração está indo embora”, disse.
Marquinhos ressalta que a atuação de Rivas foi muito além da música e deixou marcas em diferentes áreas da cultura hip-hop. “Ele contribuiu do princípio ao fim. Não só na música e na rima, mas também no grafite. Ele ficou eternizado nos muros das quebradas”, destacou.
Para o rapper, preservar iniciativas como a Casa do Hip Hop de Ceilândia é uma forma de manter viva a história construída por Rivas. “A gente não pode deixar a Casa do Hip Hop ser esquecida. Esse foi um legado que ele deixou e que precisa ser mantido”, afirmou.
Reconhecido por defender o hip-hop como ferramenta de transformação social, Rivas Álibi deixa um legado forte não só em Brasília, mas no Brasil todo. A trajetória construída ao longo de mais de 40 anos permanece como inspiração para artistas, educadores e jovens que encontraram na cultura urbana uma oportunidade de expressão, pertencimento e mudança de vida.
Com informações do Jornal de Brasília

















