Prefeitos de municípios goianos como Novo Gama, Luziânia, Cidade Ocidental e Valparaíso devem se reunir, na próxima semana, para decidir sobre ações mais rígidas de combate ao novo coronavírus. Eles esperam participação do governador Ibaneis Rocha (MDB)

Chefes do Executivo de quatro cidades goianas do Entorno pretendem se reunir com representantes do Ministério Público e com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), na próxima semana, para decidir quais medidas restritivas adotar devido ao avanço da pandemia da covid-19. Os prefeitos de Luziânia, Novo Gama, Cidade Ocidental e Valparaíso de Goiás discutiram o tema juntos, ontem. No entanto, a decisão foi por esperar o retorno das comissões de crise das respectivas cidades para definir as ações junto ao Palácio do Buriti. A discussão coloca em jogo a possibilidade de decreto de lockdown nos municípios.
Luziânia e Valparaíso são algumas das cidades em que circula a variante britânica do novo coronavírus. Vale lembrar que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou que a cepa está em circulação no Distrito Federal desde dezembro. A reportagem tentou contato com a assessoria do governador Ibaneis e com o chefe do Executivo para saber se ele participará da reunião na próxima semana, mas não teve resposta até a última atualização desta matéria.
Fronteiras
Para José David Urbaez, diretor científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) do Distrito Federal, o Entorno está estritamente ligado ao DF, principalmente porque grande parte da população das cidades próximas trabalha na capital do país. “Brasília convive com essa demanda, de prestar atendimento para moradores do Entorno de forma rotineira. E isso está certo. Mas a presença de uma situação mais séria nessas regiões, e a circulação das variantes com certeza causará uma demanda maior no DF. Por isso, é essencial que o governo trabalhe muito bem em uma estratégia de vacinação em massa”, pontua.
O médico Roberto José Bittencourt considera que a segurança sanitária do Entorno também é de responsabilidade do Distrito Federal. “Temos uma fronteira geográfica que delimita essas áreas, mas a fronteira sanitária não é essa. Até porque as pessoas que precisarem de um atendimento de emergência não podem ser levadas até Goiânia, pois essa distância pode significar a vida ou a morte do paciente”, alerta.
Para o especialista, deve haver uma parceria entre Goiás e o DF: “O atendimento deve ocorrer, até porque somos um Sistema Único de Saúde. Entretanto, o governo distrital deve tomar a iniciativa de dialogar com o governador do Goiás e com o Ministério da Saúde para fazer as compensações de investimento. Devemos fazer o atendimento, mas ter o retorno para lidar com esses gastos”, completa Roberto José.
Em nota, o Sindicato do Comércio Varejista do Estado de Goiás (Sindilojas-GO), informou que a orientação é de que os lojistas continuem a seguir os protocolos e ajudem a conscientizar o público sobre a importância desses cuidados, assim como do engajamento de cada indivíduo para combate à pandemia. “O Sindilojas-GO relembra que pesquisas científicas mostraram que o comércio e as empresas em geral podem ser considerados ambientes seguros, com menor risco de contaminação, justamente porque seguem à risca os protocolos sanitários recomendados na prevenção à doença”, defendeu a entidade.
Para saber mais
Variante até 70% mais transmissível
A mutação do novo coronavírus identificada no Reino Unido apareceu pela primeira vez em setembro. Segundo dados do pesquisador Erik Volz, do Imperial College de Londres, a cepa pode ser até 70% mais transmissível. Além disso, especialistas identificaram uma mutação adicional, chamada E484K, que havia sido encontrada na África do Sul, bem como na Bahia e no Rio de Janeiro. Essa alteração — detectada em, ao menos, 82 países — pode dar ao vírus mais resistência à vacina.
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