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| “O choque faz um barulho muito curioso de bolas de gude correndo dentro de uma caixa. E aí vem o choque. E aí você dá um grito. Faziam as perguntas e ficavam te perguntando e perguntavam outra vez e perguntavam outra vez e aí de novo o choque” Alexandre Ribondi, 60 anos, diretor de teatro |
Um deles é Alexandre Ribondi, 60 anos, diretor de teatro. Naquela época, a tensão era constante. “Eu saía de casa e tinha um policial na porta que me dizia: ‘E aí, vagabundo, vai ser preso hoje?’”, conta. Além da vigilância incessante, o então estudante foi detido. Completou os 20 anos preso. Passou por interrogatórios e tortura. Teve a casa em que vivia em Sobradinho invadida e revirada. Todas essas lembranças, no entanto, ficaram camufladas. Ribondi jamais voltou a tocar no assunto até este ano.
“A repressão existia de maneira organizada, persistente, permanente. Estava dentro de sala de aula, na rua, no bar”, lembra o diretor de teatro e produtor cultural Alexandre Ribondi, 60 anos. Para ele, na capital, a ditadura cumpriu o objetivo de estar presente em todos os âmbitos da vida dos cidadãos. “A violência existia 24 horas. O que eles queriam é que a repressão ficasse na sua alma e, assim, a figura do repressor não fosse mais necessária. Para manter a sua liberdade era preciso se esforçar o tempo todo e deixar que o censor te censurasse, e não você mesmo. Era extremamente cansativo”, lembra.
Ele fazia faculdade de jornalismo, mas sempre esteve envolvido com as artes cênicas. Em 1973, ele trabalhava em um jornal e foi pautado para ir ao câmpus da Universidade de Brasília produzir uma matéria. Ao sair da biblioteca e ir em direção ao Instituto Central de Ciências (ICC), o Minhocão, um homem o abordou. “Ele estava com a mão dentro da camisa. Achei que ia tirar um cigarro e me pedir um isqueiro, mas tirou uma arma e cobrou meus documentos. Fui levado até um carro chapa-branca no meio do mato, onde hoje é a reitoria. De lá, rodaram comigo e me encapuzaram. Não sabia onde estava”, disse.
Segundo ele, manter a liberdade exigia um esforço para não cair na cilada da autocensura
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| “O choque faz um barulho muito curioso de bolas de gude correndo dentro de uma caixa. E aí vem o choque. E aí você dá um grito. Faziam as perguntas e ficavam te perguntando e perguntavam outra vez e perguntavam outra vez e aí de novo o choque” Alexandre Ribondi, 60 anos, diretor de teatro |
Um deles é Alexandre Ribondi, 60 anos, diretor de teatro. Naquela época, a tensão era constante. “Eu saía de casa e tinha um policial na porta que me dizia: ‘E aí, vagabundo, vai ser preso hoje?’”, conta. Além da vigilância incessante, o então estudante foi detido. Completou os 20 anos preso. Passou por interrogatórios e tortura. Teve a casa em que vivia em Sobradinho invadida e revirada. Todas essas lembranças, no entanto, ficaram camufladas. Ribondi jamais voltou a tocar no assunto até este ano.
“A repressão existia de maneira organizada, persistente, permanente. Estava dentro de sala de aula, na rua, no bar”, lembra o diretor de teatro e produtor cultural Alexandre Ribondi, 60 anos. Para ele, na capital, a ditadura cumpriu o objetivo de estar presente em todos os âmbitos da vida dos cidadãos. “A violência existia 24 horas. O que eles queriam é que a repressão ficasse na sua alma e, assim, a figura do repressor não fosse mais necessária. Para manter a sua liberdade era preciso se esforçar o tempo todo e deixar que o censor te censurasse, e não você mesmo. Era extremamente cansativo”, lembra.
Ele fazia faculdade de jornalismo, mas sempre esteve envolvido com as artes cênicas. Em 1973, ele trabalhava em um jornal e foi pautado para ir ao câmpus da Universidade de Brasília produzir uma matéria. Ao sair da biblioteca e ir em direção ao Instituto Central de Ciências (ICC), o Minhocão, um homem o abordou. “Ele estava com a mão dentro da camisa. Achei que ia tirar um cigarro e me pedir um isqueiro, mas tirou uma arma e cobrou meus documentos. Fui levado até um carro chapa-branca no meio do mato, onde hoje é a reitoria. De lá, rodaram comigo e me encapuzaram. Não sabia onde estava”, disse.


















