Ex-meia e lateral relembrou início difícil na Europa, falou sobre superação após deixar o clube espanhol e comentou episódios marcantes da carreira na Seleção Brasileira
A passagem de Zé Roberto pelo Real Madrid poderia ter sido o grande salto de sua carreira na Europa, mas acabou marcada por imaturidade e hábitos que afetaram seu desempenho. Em entrevista recente ao ge, o ex-jogador contou que, ainda jovem e recém-casado, deixou a rotina profissional em segundo plano por causa de um vício em videogame.
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“Foi muito difícil assimilar tudo isso. O videogame me atrapalhou muito porque eu era molecão: 21 anos. Minha esposa também era muito jovem, de 18 para 19. Um dos meus sonhos, além de me tornar jogador e comprar um carro, era ter um PlayStation. E a gente comprou. Recém-casado, eu parecia um galo. Namorava o dia todo e, à noite, ia jogar videogame. Eu perdi toda a minha performance, chegava ao clube para treinar com olheira”, disse.
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Zé Roberto no Real MadridReprodução

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Segundo ele, a rotina de noites mal dormidas e a obsessão por concluir o jogo Crash Bandicoot comprometeram o condicionamento físico. O atleta revelou que chegou a ganhar peso durante o período.
“Eu queria zerar e não conseguia. Aí me dava fome de madrugada. Eu ia comer biscoito. Eu comia muito biscoito. Eu falava: ‘Me traz um biscoito.’ Eu ia comer um, terminava com a caixinha. Aí vinha lanche, refrigerante… Eu fui ficando acima do peso sem perceber. E estressado por causa do jogo”, contou.
No clube espanhol, o brasileiro disputou apenas 21 partidas antes de deixar a equipe. Apesar da curta passagem, ele afirma que a experiência foi determinante para mudar sua postura profissional. Após retornar ao Brasil para uma breve passagem pelo Flamengo, iniciou uma longa trajetória no futebol europeu, com destaque em clubes alemães como Bayern de Munique e Bayer Leverkusen.
Outra lembrança marcante da carreira envolve a ausência na convocação da Seleção para a Copa do Mundo FIFA de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão. O jogador afirma que a frustração foi tão grande que decidiu não acompanhar o torneio.
“No meu auge, não fui convocado para a Copa de 2002. Fiquei chateado? Claro, eu nem vi a Copa. Eu vivi o meu luto ali, só que precisava voltar, porque ia ter quatro anos para buscar meu espaço de novo”, revelou.
Quatro anos depois, ele integrou o elenco brasileiro na Copa do Mundo FIFA de 2006, na Alemanha, em uma equipe considerada uma das mais talentosas da história recente do país. Ainda assim, o grupo acabou eliminado nas quartas de final pela Seleção Francesa de Futebol, liderada por Zinedine Zidane.
“Aquele time ali no papel, se você for apontar dentre as outras seleções, qual seria a seleção que teria grande chance para ganhar a Copa de 2006? O Brasil. Mas o futebol já não era só nome ou talento. Passou a ser físico”, lembrou.
O ex-jogador também comentou sobre episódios de discriminação racial no futebol e defendeu punições mais duras para casos do tipo: “Para mim, o racismo é um câncer que ainda não descobriram a cura. Enquanto não acontecer nada, as pessoas continuam atacando.”
Zé Roberto encerrou a carreira profissional aos 43 anos, após passagem marcante pelo Palmeiras, e atualmente atua com palestras, mentoria para atletas e projetos voltados à formação de jovens jogadores. Segundo ele, a disciplina construída ao longo da carreira continua fazendo parte da rotina. “A única vontade que tenho hoje é de continuar me cuidando, ter meu estilo de vida e ser referência para a nova geração”, pontuou.
















