Em meio ao luto de uma cidade devastada pelas fortes chuvas na Zona da Mata mineira, dona Maria Aparecida Batista se agarra à fé para consolar os sobreviventes
Em meio ao luto coletivo que tomou conta de Juiz de Fora, em Minas Gerais, após os temporais do início desta semana, o relato de Maria Aparecida Batista choca e comove o país. A idosa tenta encontrar forças para seguir em frente após perder 17 pessoas de sua própria família, entre vítimas fatais e desaparecidos sob a lama.
Moradores dos bairros JK e Parque Jardim Burnier, duas das áreas mais castigadas pelo desastre, os parentes de dona Maria foram surpreendidos pela fúria das águas. Em entrevista à TV Integração, afiliada da Globo, nos intervalos de uma dolorosa rotina de velórios, ela detalhou a dimensão de sua tragédia pessoal: até o momento, três mortes foram confirmadas.
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Dona Maria AparecidaReprodução / TV Integração

Devido a intensidade das chuvas, alagamentos e deslizamentos de terra foram registrados nas vias, impossibilitando a trafegação segura na regiãoFoto: Reprodução/CBMMG

De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, por volta das 21h15 de segunda (23), até as 4h desta terça (24), foram registrados 211 chamadosFoto: Repodução/Prefeitura Juiz de Fora

O transbordamento do Rio Paraibuna resultou em mais de 40 chamados emergenciais em poucas horas, envolvendo inundações, soterramentos, bloqueios de vias, moradores ilhados e risco estrutural em encostas e áreas próximas ao leito do rio.Foto: Prefeitura Juíz de Fora em Alerta/X
Dois sepultamentos já foram realizados, enquanto outras 14 pessoas de sua família seguem soterradas. As buscas do Corpo de Bombeiros entram em uma fase crítica, esbarrando nas condições extremas do terreno. Segundo a idosa, que nunca havia presenciado uma catástrofe com essa magnitude, a terra encharcada e o excesso de barro têm sido os maiores obstáculos para as equipes de resgate.
O trabalho é incessante para localizar dezenas de moradores afetados pelas chuvas da última segunda (23/2) e terça-feira (24/2), que já deixaram mais de 45 mortos na região, incluindo a cidade vizinha,
Ubá. “A cabeça fica triste, mas eu preciso ser forte para dar apoio à minha família. Precisamos nos manter firmes. Só Deus dá força para resistir a tudo isso”, desabafou.
















