Search

Em calendário enxuto, estaduais iniciam valendo menos que no passado

6mTm1WLo-1200x900-430x323.jpg

Campeonatos estaduais retornam neste final de semana em 15 estados; outros três já voltaram no meio da semana

Após menos de um mês do fim da última temporada, o futebol retorna nesta semana em boa parte do território brasileiro. No Ceará, Paraná e Santa Catarina a bola já voltou a rolar desde a última terça-feira (6/1). Entre sábado e domingo, outros 15 estados dão início às competições mais tradicionais do país — que ainda assim não passam longe das críticas.

Nos últimos anos, muito se falou sobre mudanças no formato dos torneios regionais. Em meio ao inchaço do calendário e novos campeonatos, que fizeram alguns clubes ficarem entre a marca de 70 e até 80 partidas, a saída foi reduzir a competição de menor apelo. Em 2025, o calendário da CBF reservou 16 datas; para esta temporada, são no máximo 11. Além disso, outro problema crescente foi o esvaziamento dos estaduais.

Veja as fotos

Divulgação

FOTO: @rafaelribeirorio / CBF

CBF anuncia novo calendário na sede da entidadeFOTO: @rafaelribeirorio / CBF

Staff Images/CBF

Premiação aconteceu nesta segunda-feira (8/12), no Rio de Janeiro.Staff Images/CBF

Foto: @rafaelribeirorio / CBF

CBF projeta 30 árbitros profissionais já em 2026 e mira padrão europeuFoto: @rafaelribeirorio / CBF


Nas arquibancadas, estádios vazios se tornaram cada vez mais comuns:

  • O Campeonato Carioca 2025 teve média de público de 8.468 pagantes;
  • Com liderança de Atlético e Cruzeiro, a média em Minas Gerais foi de 7.070 pagantes;
  • Em São Paulo, a média ficou em 12.398 pagantes por jogo.

Para efeito de comparação, o Brasileirão 2025 teve um total de 9,7 milhões de ingressos vendidos e uma média de 25.531 pagantes por partida. Com menos torcedores nos estádios, a arrecadação dos clubes com a bilheteria passou a ser insuficiente para lidar com os investimentos milionários (algumas vezes até bilionários) e folhas salariais cada vez maiores.

A arrecadação também foi comprometida com a queda nos valores das premiações. Nas últimas quatro temporadas, o campeão do Cariocão não recebeu nenhuma premiação em dinheiro, por exemplo. Ficou acordado entre os clubes e a FERJ que apenas as cotas de TV seriam pagas à cada equipe, sem qualquer relação com o desempenho técnico dos times.

Para 2026, 70% dos ganhos serão fixos, enquanto o restante será entregue conforme o desempenho na competição. O vencedor vai levar R$ 10 milhões. Na prática, a quantia disponibilizada aos clubes é a mesma, a diferença é a forma para conquistá-la. E a premiação ainda segue distante dos R$ 77 milhões que o Corinthians arrecadou ao vencer a última Copa do Brasil.

Em meio aos problemas financeiros, o caráter esportivo também parece ter perdido valor ao longo do anos. Se outrora vencer o estadual já já foi suficiente para muitos clubes, atualmente a conquista regional não possui grande prestígio. Com o futebol ficando cada vez mais caro, os clubes mais poderosos do futebol brasileiro passaram a mirar prateleiras cada vez mais altas. Houve até o famoso apelido de “Paulistinha” de um dirigente do Palmeiras para desmerecer o título corintiano, em 2018.

O título estadual, conquistado costumeiramente lá para abril, passou a ser esquecido após pouquíssimas semanas. Até por isso não é difícil ver treinadores campeões sendo demitidos na sequência. No ano passado, Cuca venceu o Campeonato Mineiro com o Atlético. Em agosto, o clube demitiu o treinador. Ramón Diaz, campeão paulista com o Corinthians, foi demitido 21 dias depois de levantar o troféu.

Embora a desvalorização seja cada vez mais recorrente, todo torcedor gosta de ver seu clube levantando um troféu — sobretudo na disputa direta contra um rival local. Corinthians de 77, a “moeda de pé” do São Paulo de 1943, fim do jejum palmeirense em 1993, gol de barriga de Renato Gaúcho, falta de Petkovic nos acréscimos: não faltam exemplos de conquistas memoráveis para o torcedor.

Seja pela nostalgia ou ineficiência na adequação do calendário, os estaduais seguem vivos no calendário brasileiro.

Quando começa o Estadual

  • 6 de janeiro – Catarinense, Cearense e Paranaense
  • 10 de janeiro – Alagoano, Amazonense, Baiano, Brasiliense, Gaúcho, Goiano, Maranhense, Mato-Grossense, Mineiro, Paulista, Pernambucano, Piauiense, Potiguar e Sergipano
  • 11 de janeiro – Carioca
  • 12 de janeiro – Acreano
  • 14 de janeiro – Capixaba
  • 17 de janeiro – Paraibano, Rondoniense e Tocantinense
  • 18 de janeiro – Sul-Mato-Grossense
  • 24 de janeiro – Paraense e Roraimense
  • 7 de fevereiro – Amapaense

LEIA TAMBÉM