Após a Justiça anular a condenação criminal e a multa, o defensor questionou se o Brasil também passaria a processar artistas por viver vilões em novelas
Após o humorista Leo Lins se livrar de uma pena de mais de oito anos de prisão e de uma multa caríssima, o portal LeoDias foi atrás do homem que desenhou a estratégia de defesa nos tribunais. Em entrevista exclusiva, o advogado Lucas Giuberti detalhou o “argumento de ouro” que convenceu a Justiça, explicou por que não teme uma reviravolta em Brasília e fez uma comparação inusitada.
Para reverter uma condenação tão pesada, a defesa precisou provar que o homem no palco não é a mesma pessoa que assina os documentos na vida real. Giuberti explicou que a tese central foi o “ius jocandi” (o ânimo de brincar). “Demonstramos à Câmara que o Leo Lins é um personagem do humorista Leonardo. Trata-se de uma apresentação lúdica, teatral”, pontuou.
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Leo LinsReprodução / Instagram

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Leo LinsFoto: Reprodução/Instagram @leolins
Segundo ele, provar que não havia “dolo” (intenção real de ofender ou cometer crime) e acionar a proteção constitucional contra a censura foram os passos decisivos. Mas e se o Ministério Público Federal (MPF) decidir recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou ao STF? O advogado garante que a equipe dorme tranquila.
Ele revela que os próprios desembargadores embasaram a absolvição em entendimentos recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), citando decisões dos ministros Alexandre de Moraes (no caso do Porta dos Fundos) e André Mendonça. “Com base nesses entendimentos do STF, praticamente trava qualquer possibilidade de recepção de qualquer recurso pelas instâncias superiores”, cravou Giuberti.
Advogado de Leo Lins cita Odete Roitman para fazer comparação
Ao rebater as críticas de que a decisão daria um “passe livre” para o humorista ofender minorias, o defensor usou a teledramaturgia para ilustrar o absurdo da criminalização. “Indago: qual a diferença de um humorista contando piada num palco para um ator que interpreta um vilão no horário nobre? Poderíamos processar a Débora Bloch por interpretar a Odete Roitman?”, questionou.
Por fim, o advogado entregou como foi a reação íntima do cliente assim que o martelo foi batido a seu favor. Diferente da pose inabalável que Lins costuma mostrar nas redes, a tensão existia nos bastidores. “Ele ficou muito feliz, mais leve. Não tem como mentir e dizer que isso não estava lhe incomodando. Foi um grande alívio para ele e para toda a comédia nacional”, finalizou.
















