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O basquete costuma guardar espaço especial para coincidências improváveis, obsessões silenciosas e segundas chances de brilhar. Na noite da última terça-feira (26/5), o Brasília Basquete encontrou exatamente esse roteiro no Pedrocão. Em meio à vitória dramática por 71 a 69 sobre Franca, responsável por empatar a semifinal do Novo Basquete Brasil (NBB) em 2 a 2, Rafael Paulichi transformou um antigo fantasma em combustível para manter vivo o sonho candango de disputar novamente uma final nacional.
O lance decisivo surgiu justamente em cenário carregado de simbolismo. Nos minutos finais do confronto, a bola sobrou para Paulichi praticamente no mesmo ponto da quadra onde, meses antes, o pivô havia desperdiçado um arremesso de três pontos importante contra o próprio Franca durante o Super 8, disputado em 25 de janeiro. Na ocasião, o Brasília perdeu por 90 a 85 e viu escapar a possibilidade de virar a partida justamente em uma tentativa longa do camisa 13.
Desta vez, porém, a história ganhou roteiro diferente. Sem hesitar, Paulichi converteu a bola decisiva e ajudou o extraterrestre a sobreviver na série semifinal contra o tetracampeão nacional. Depois da partida, o pivô admitiu carregar aquele arremesso perdido durante meses na cabeça, inclusive nos próprios sonhos. “Provavelmente, ninguém vai lembrar, mas eu lembro. A gente jogou o Super 8 aqui e eu tive uma bola parecida, quase do mesmo lugar, para passar à frente no jogo, mas acabei errando. Sem brincadeira, eu sonhei com essa bola. Eu vinha treinar aqui e imaginava acertando esse arremesso numa nova oportunidade”, revelou o jogador em tom de desabafo.
A declaração ajuda a traduzir o tamanho emocional da vitória construída pelo Brasília no interior paulista. Pressionada pela necessidade de vencer para evitar a eliminação, a equipe candanga suportou praticamente 40 minutos de tensão contra uma das maiores potências do basquete nacional. O triunfo veio sustentado pela intensidade defensiva, pelo controle emocional e pela capacidade de responder nos momentos mais críticos da partida. “Ela sobrou ali e eu nem pensei para arremessar. Talvez, a gente pudesse ter sofrido um pouco menos para fechar o jogo, mas o importante é que deu certo. Agora é tudo ou nada. Acho que a beleza do esporte é essa”, completou Paulichi.
Além da bola decisiva do pivô, o Brasília encontrou forças na atuação coletiva para prolongar a série. Facundo Corvalán liderou ofensivamente o time com 17 pontos, cinco rebotes e três assistências. Kevin Crescenzi acrescentou 15 pontos e sete rebotes, enquanto o próprio Paulichi terminou a noite com 13 pontos em uma das atuações mais simbólicas da campanha candanga no NBB.
Agora, toda a semifinal será definida em jogo único. Na quinta-feira (28/5), às 20h, Brasília e Franca voltam a se enfrentar no Pedrocão pela vaga na grande decisão da competição nacional. E depois do roteiro construído nos últimos dias, o extraterrestre mostrou ter aprendido exatamente uma das lições mais cruéis e bonitas do esporte: às vezes, é preciso errar 100 vezes antes de acertar justamente a bola capaz de mudar tudo.
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