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DF reforça limpeza de drenagem, mas pontos históricos ainda preocupam antes das chuvas

Ainda sob o céu seco de setembro, o Distrito Federal corre contra o tempo para preparar a rede de drenagem antes da chegada das chuvas. Em 2026, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) afirma ter desobstruído aproximadamente 80 mil metros de tubulações

DF reforça limpeza de drenagem, mas pontos históricos ainda preocupam antes das chuvas

Ainda sob o céu seco de setembro, o Distrito Federal corre contra o tempo para preparar a rede de drenagem antes da chegada das chuvas. Em 2026, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) afirma ter desobstruído aproximadamente 80 mil metros de tubulações e realizado intervenções em mais de 4,2 mil bocas de lobo. Os trabalhos, no entanto, convivem com um problema antigo: mesmo áreas centrais e planejadas continuam acumulando água quando as precipitações ganham força.

Um desses pontos fica na tesourinha da 210 Sul, no Plano Piloto. Em dias de chuva intensa, a passagem inferior se transforma em uma barreira para motoristas, pedestres e comerciantes. A água toma a pista, veículos ficam parados e o movimento nos estabelecimentos próximos diminui. Para quem trabalha há décadas na região, a cena já faz parte da rotina do período chuvoso.

A Novacap informou que os serviços de prevenção são realizados durante todo o ano. As ações incluem limpeza e manutenção de bacias de detenção de águas pluviais, desobstrução e reconstrução de redes, vídeo-inspeção das tubulações, construção de novos ramais e recuperação de bocas de lobo e poços de visita. Também são substituídas grelhas e outras estruturas danificadas.

Segundo a companhia, não existe uma região administrativa que receba prioridade permanente. As equipes são direcionadas conforme os problemas identificados pelo Departamento de Drenagem e as solicitações enviadas pelas administrações regionais. Os atendimentos podem ocorrer de forma preventiva ou após uma demanda, com prioridade para os casos considerados mais urgentes.

Apesar do volume de intervenções informado, a companhia não apresentou o investimento total previsto para a preparação do próximo período chuvoso. Disse apenas que existem diferentes obras para o sistema de drenagem, algumas já licitadas e outras condicionadas ao avanço da regularização urbana. Em localidades que ainda não contam com projeto urbanístico definido, não é possível elaborar os projetos de drenagem nem dar início ao licenciamento necessário.

Chuva paralisa comércio na 210 Sul

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A resposta técnica dos órgãos públicos encontra, na 210 Sul, a experiência de quem acompanha o problema de perto. O tapeceiro Antônio Barbosa, de 71 anos, trabalha na região há 39 e afirma que os alagamentos se repetem quando a chuva é mais forte. Segundo ele, a água impede a passagem e, em alguns casos, obriga motoristas a abandonar os veículos no meio da via.

“Não passa. Eles saem de dentro e deixam os carros na água. Fica todo mundo preso”, relata. Nessas ocasiões, comerciantes e trabalhadores interrompem o serviço para tentar retirar os automóveis do ponto alagado. “Se a gente puder ajudar, empurra o carro para tirar de dentro da água. O movimento dá uma parada”, acrescenta.

Antônio também observa que resíduos e restos de vegetação carregados pela chuva dificultam o escoamento. Quando o mato é cortado nas proximidades e não é retirado por completo, segundo ele, o material pode ser levado para as entradas da rede. “Quando vem a chuva grossa, encosta tudo e entope. Aí não tem para onde a água correr e fica tudo parado”, conta.

O relato mostra que o impacto vai além do trânsito interrompido. Enquanto os veículos não conseguem atravessar a tesourinha, clientes deixam de chegar ao comércio e trabalhadores permanecem mobilizados para ajudar quem ficou preso. O prejuízo imediato pode durar apenas algumas horas, mas o cenário se repete ao longo dos anos.

Histórico vai além das áreas irregulares

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Um estudo publicado em fevereiro de 2025 na revista Caminhos de Geografia ajuda a dimensionar o problema. A pesquisa analisou 851 notificações de alagamentos registradas entre 1999 e 2020, com base em informações reunidas em notícias e dados cidadãos. Por não se tratar de um levantamento oficial, os próprios autores alertam para as limitações da base, mas defendem que ela pode orientar investigações e decisões no planejamento urbano.

Os registros se concentram principalmente no Plano Piloto, em Vicente Pires e na divisa entre Ceilândia e Sol Nascente/Pôr do Sol. Juntos, Plano Piloto e Vicente Pires somaram 56,99% das notificações do período: foram 382 na região central de Brasília e 103 em Vicente Pires.

Na Asa Norte, onde foram contabilizados 263 registros, 80% das ocorrências estiveram associadas a chuvas consideradas frequentes, e não a eventos extremos. Para os pesquisadores, o resultado sugere que fatores como impermeabilização do solo, crescimento urbano e redes antigas, obstruídas ou subdimensionadas também influenciam a formação dos alagamentos.

A pesquisa identificou ainda que cerca de 75% das notificações ocorreram no sistema viário, sobretudo em locais de grande circulação, como a W3, no Plano Piloto, as vias de Vicente Pires e a Via Alagados, em Santa Maria. Em 45% dos casos mapeados, havia uma boca de lobo a menos de 50 metros do ponto atingido. A proximidade indica que a presença da estrutura, por si só, não garante o escoamento e pode revelar falhas de manutenção, dimensionamento ou funcionamento da rede.

Sete regiões administrativas apareceram com densidade muito alta de notificações: Águas Claras, Candangolândia, Fercal, Plano Piloto, SCIA, Varjão e Vicente Pires. Brazlândia, Ceilândia, Cruzeiro, Guará, Taguatinga e Núcleo Bandeirante foram classificadas com densidade alta.

Monitoramento em tempo real

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A Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil informou que acompanha continuamente as áreas vulneráveis. O número de pontos monitorados é variável e pode mudar de acordo com as condições climáticas, obras urbanas e o funcionamento do sistema de drenagem. A atenção se concentra em locais com histórico de enxurradas, retenção de água e relevo favorável ao acúmulo.

De acordo com o órgão, o adensamento populacional e a impermeabilização do solo aumentam a pressão sobre as redes de escoamento. Somam-se a isso os eventos climáticos extremos, considerados cada vez mais intensos e capazes de sobrecarregar temporariamente a infraestrutura disponível.

O acompanhamento é feito em tempo real por meio das câmeras da plataforma DF 360 – Segurança Integral e do monitoramento meteorológico. Nas regiões administrativas, os Núcleos de Defesa Civil reforçam o trabalho de campo. Em situações críticas, podem ser determinadas a interdição de vias e até a retirada preventiva de moradores de áreas ameaçadas.

Para a população, a principal orientação é não tentar atravessar trechos alagados, seja a pé ou de carro. Motoristas devem retornar ao encontrar uma lâmina d’água, respeitar bloqueios e seguir as instruções dos agentes de segurança. Em caso de emergência, a recomendação é acionar imediatamente os órgãos responsáveis.

Da Redação A Politica Em Foco com Informações do Jornal de Brasília

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