Governadora e candidata à reeleição falou sobre saúde, transporte, educação e gestão pública durante entrevista ao Jornal de Brasília e reforçou que não permitirá redução de recursos destinados ao DF
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão, cumpriu uma manhã de compromissos nesta terça-feira (1º), com destaque para a participação na série de sabatinas do Jornal de Brasília. Durante a entrevista, Celina apresentou um balanço da gestão e respondeu a questionamentos sobre alguns dos principais desafios do Distrito Federal.
Na saúde, Celina destacou as medidas adotadas pelo governo para ampliar o atendimento à população e reduzir o tempo de espera por procedimentos. Entre as ações, está um pacote estimado em R$ 100 milhões para a realização de cerca de 200 mil procedimentos, incluindo cirurgias, consultas e exames. A governadora também ressaltou os investimentos realizados na recuperação da estrutura da rede pública de saúde.
Na mobilidade, a governadora voltou a defender a ampliação da gratuidade no transporte público. Segundo Celina, estudos técnicos estão em andamento para avaliar a expansão da tarifa zero, hoje adotada aos domingos e feriados. Ela também informou que está sendo realizada uma auditoria nos contratos do sistema de transporte coletivo.
Outro anúncio feito durante a sabatina foi relacionado ao Centro Administrativo do Distrito Federal, o antigo Centrad. Celina afirmou que o governo começará a ocupar 30% do complexo a partir de 4 de setembro.
Defesa do Fundo Constitucional
Ainda nesta terça-feira, Celina usou as redes sociais para reforçar uma bandeira que tem marcado sua atuação: a defesa do Fundo Constitucional do Distrito Federal. A governadora anunciou que acionou o Supremo Tribunal Federal contra dispositivo da Lei Complementar nº 235/2026 que, segundo o GDF, pode impor restrições ao Fundo e comprometer recursos destinados a áreas essenciais da capital.
O Governo do Distrito Federal protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. A preocupação é com os efeitos da nova legislação sobre o orçamento da capital. Segundo estimativa do Instituto Fiscal Independente do Senado citada pela imprensa, o impacto poderá chegar a R$ 1,8 bilhão em 2027.
“Essa ação é importantíssima para manutenção dos serviços de educação, segurança e saúde, além de garantir a contratação de novos servidores. É a terceira vez que o governo federal tenta mexer no Fundo Constitucional, e eu agi para impedir”, afirmou Celina.
A governadora vem defendendo que o Fundo Constitucional é essencial para garantir a continuidade e a qualidade dos serviços prestados à população, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde e educação. Na semana passada, durante outra sabatina, Celina já havia antecipado que recorreria ao Supremo caso a mudança fosse sancionada.
Com a medida apresentada ao STF, Celina reforça uma posição que vem adotando ao longo dos últimos anos: preservar os recursos do Fundo Constitucional e impedir alterações que possam representar perdas financeiras para Brasília.
Por Priscila Praxedes / Assessoria de imprensa
Da Redação A Politica Em Foco com informações da Assessoria Celina Leão
Governadora e candidata à reeleição visitou o HMIB, se reuniu com empresários de bares e restaurantes e participou de sabatinas para apresentar propostas para o futuro do Distrito Federal
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão, cumpriu nesta quinta-feira (3) uma agenda voltada à saúde pública, ao desenvolvimento econômico e ao diálogo com diferentes setores da sociedade. Ao longo do dia, Celina visitou o Hospital Materno-Infantil de Brasília (HMIB), participou de almoço com representantes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Distrito Federal (Abrasel-DF), foi sabatinada pela Jovem Pan e participou de encontro com entidades do setor produtivo.
No HMIB, referência no atendimento materno-infantil do Distrito Federal, Celina percorreu diferentes áreas da unidade para acompanhar de perto os serviços oferecidos à população. A governadora visitou a cozinha hospitalar, a ala comunitária, conheceu o novo tomógrafo e passou pelo Centro Obstétrico.
A passagem pela unidade também permitiu acompanhar investimentos e melhorias na estrutura hospitalar. Na cozinha, Celina conheceu o funcionamento do espaço responsável pela produção e distribuição das refeições destinadas a pacientes, acompanhantes e profissionais. A estrutura está entre as áreas que passam por planejamento para modernização e adequações, com foco na segurança alimentar, melhoria dos fluxos de trabalho e das condições oferecidas aos trabalhadores.
Celina também visitou a ala comunitária e conversou com profissionais da unidade. O HMIB concentra serviços especializados voltados principalmente à assistência de mulheres e crianças, incluindo atendimento de gestações de alto risco, medicina fetal, emergência obstétrica e pediátrica, internações e assistência ao parto.
Outro ponto da visita foi o novo tomógrafo, equipamento que amplia a capacidade de diagnóstico por imagem e contribui para dar mais agilidade à investigação e ao tratamento dos pacientes atendidos na unidade.
No Centro Obstétrico, a governadora acompanhou a estrutura destinada ao atendimento das gestantes. O espaço está entre as áreas contempladas no planejamento de modernização do hospital. A reforma prevista para o HMIB envolve investimento estimado em R$ 8,68 milhões e contempla recuperação estrutural e adequações das instalações, com foco na segurança e no conforto das pacientes e das equipes.
Diálogo com bares, restaurantes e turismo
Na sequência, Celina participou de almoço com representantes da Abrasel-DF. O encontro abriu espaço para discutir demandas de um setor que tem participação importante na geração de empregos, no turismo e na movimentação da economia do Distrito Federal.
Durante o almoço, a governadora ouviu reivindicações de empresários e falou sobre temas relacionados ao funcionamento dos estabelecimentos e ao desenvolvimento da cidade.
Um dos assuntos que ganhou repercussão na imprensa foi o futuro de pontos turísticos atualmente administrados pelo BRB. Celina afirmou que não descarta parcerias com a iniciativa privada para a gestão de espaços como a Torre de TV e o Autódromo de Brasília, mas ressaltou que qualquer decisão deve preservar a vocação turística desses locais e os interesses da população.
A governadora destacou que a discussão ainda está em avaliação e defendeu que o aspecto financeiro não se sobreponha à função que esses espaços exercem para Brasília.
O encontro também colocou em pauta reivindicações dos proprietários de bares e restaurantes e reforçou o diálogo entre o governo e um segmento diretamente ligado ao turismo, aos serviços, ao empreendedorismo e à geração de oportunidades no DF.
Na Jovem Pan, Celina fala sobre BRB, saúde e segurança
Às 14h30, Celina participou da sabatina da Jovem Pan, dentro da série especial de entrevistas promovida pela emissora com os candidatos nas Eleições 2026. No Distrito Federal, a programação começou em 31 de agosto e segue ouvindo os candidatos ao Governo do DF.
Durante a entrevista, Celina respondeu a questionamentos sobre alguns dos principais temas da campanha, entre eles BRB, saúde, segurança pública, privatizações e o cenário político.
Ao tratar do Banco de Brasília, a candidata afirmou que sempre foi contrária à compra do Banco Master pelo BRB. Celina também disse que não identifica, neste momento, disposição do governo federal para auxiliar a instituição financeira brasiliense.
Na saúde, a governadora falou sobre o desafio enfrentado para reduzir a demanda reprimida por procedimentos. Segundo Celina, havia aproximadamente 33 mil pessoas na fila por cirurgias quando assumiu o comando do Executivo local.
Na segurança pública, Celina destacou o investimento em tecnologia como uma das estratégias para combater a criminalidade. Ela citou o DF 360, sistema que utiliza câmeras e outras ferramentas tecnológicas para ampliar a capacidade de monitoramento das forças de segurança, e afirmou que os crimes tiveram redução superior a 40% desde que assumiu o governo.
Questionada sobre privatizações, Celina defendeu que cada situação seja analisada individualmente e afirmou que o Estado deve concentrar esforços principalmente nas áreas essenciais, como saúde, educação e segurança.
A governadora também falou sobre sua relação com Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Celina destacou a amizade entre as duas e afirmou que esteve entre as pessoas que incentivaram Michelle a disputar uma vaga no Senado.
Setor produtivo encerra agenda da tarde
Depois da Jovem Pan, Celina seguiu para mais uma sabatina, desta vez promovida por entidades do setor produtivo do Distrito Federal, no Senac.
O encontro abriu espaço para que a candidata apresentasse suas propostas e discutisse temas diretamente relacionados ao desenvolvimento econômico da capital, à geração de emprego e renda, ao empreendedorismo, à atração de investimentos e à melhoria do ambiente de negócios.
A participação encerrou uma sequência de compromissos em que Celina dividiu a agenda entre o acompanhamento dos serviços públicos e o diálogo com diferentes segmentos da sociedade.
Da saúde ao setor produtivo, passando pelo turismo, serviços, segurança e geração de empregos, a governadora e candidata apresentou ações realizadas pelo governo e discutiu propostas para os próximos quatro anos do Distrito Federal.
Por Priscila Praxedes / assessoria de imprensa
Da Redação A Politica Em Foco com informações da Assessoria Celina Leão
Governadora Celina Leão acompanha início da ocupação do complexo nesta sexta-feira (4); medida prevê redução de gastos com aluguéis, descentralização administrativa e fortalecimento da economia da região
Um espaço construído para concentrar parte da administração pública do Distrito Federal e que permaneceu mais de uma década sem utilização efetiva começa, finalmente, a cumprir sua função. A governadora e candidata à reeleição Celina Leão acompanhou, nesta sexta-feira (4), o início da ocupação do Centro Administrativo do Distrito Federal (CAD-DF), antigo Centrad, em Taguatinga.
A movimentação marca uma nova etapa para o complexo, concluído em 2014, mas que nunca havia sido efetivamente ocupado. A decisão de utilizar a estrutura foi anunciada por Celina em junho e prevê a transferência gradual de órgãos do Governo do Distrito Federal para o local.
Nesta primeira etapa, cerca de 30% do complexo deverá ser ocupado. Entre as estruturas previstas para a transferência estão áreas da Secretaria de Obras e Infraestrutura, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, além da Casa Civil e da Casa Militar. A concentração de órgãos no mesmo endereço também busca melhorar a integração entre as áreas do governo e facilitar o atendimento à população.
A ocupação tem ainda impacto direto sobre as despesas públicas. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a estratégia do GDF pode representar uma economia de até R$ 168 milhões por ano com aluguéis de imóveis atualmente utilizados por órgãos do governo. Em cinco anos, a projeção de economia se aproxima de R$ 1 bilhão.
O complexo possui aproximadamente 182 mil metros quadrados e 16 prédios, dimensão equivalente a cerca de 25 campos de futebol. Mesmo com toda essa estrutura, o espaço permaneceu sem ocupação por anos, em meio a entraves jurídicos e contratuais.
Para Celina Leão, colocar o patrimônio público em funcionamento representa uma mudança de lógica na administração dos recursos do Distrito Federal. Ao anunciar o projeto, em junho, a governadora defendeu que não fazia sentido manter uma estrutura dessa dimensão sem utilização enquanto o governo continuava destinando recursos ao pagamento de imóveis alugados.
Além da redução de despesas, a transferência também é vista pelo governo como uma política de descentralização administrativa. O CAD-DF está localizado em uma região estratégica, próxima a Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Águas Claras, e conta com acesso ao transporte público, incluindo metrô e terminal rodoviário nas proximidades.
A expectativa é que a circulação de servidores e cidadãos também tenha reflexos na economia da região. Em sabatina realizada nesta semana, Celina ressaltou que a chegada do governo ao CAD pode contribuir para movimentar novamente o comércio do eixo entre Taguatinga e Ceilândia.
“Tenho certeza que as cidades de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia vão agradecer porque as pessoas estavam reclamando sobre como o comércio estava enfraquecido”, afirmou a governadora durante sabatina, ao destacar também a integração do complexo com o metrô.
Outro ponto destacado pelo governo é o aproveitamento do que já existe.
A transferência foi planejada sem a compra de novos móveis e equipamentos, com o reaproveitamento das estruturas atualmente utilizadas pelas secretarias.
Antes da ocupação, o governo também realizou intervenções para preparar o espaço. Foram previstas adequações estruturais e de acessibilidade, serviços nas instalações elétricas, hidráulicas e de climatização e outras medidas necessárias ao funcionamento administrativo.
A ocupação também conta com Habite-se e Relatório de Impacto de Trânsito para esta primeira etapa.
A mudança encerra um capítulo que atravessou diferentes governos. Depois de 12 anos de impasses e de um patrimônio público de grandes proporções permanecer praticamente vazio, o início da ocupação transforma o antigo Centrad em um espaço efetivamente integrado à estrutura administrativa do Distrito Federal.
Para o governo Celina Leão, o movimento reúne três objetivos: reduzir despesas, aproximar a administração pública das regiões mais populosas do DF e devolver função a um patrimônio que passou anos sem utilização.
Priscila Praxedes / Assessoria de imprensa
Da Redação A Politica Em Foco com informações da Assessoria Celina Leão
Governadora e candidata à reeleição percorreu Vicente Pires, Núcleo Bandeirante e a Feira da Torre neste domingo
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão, cumpriu, neste domingo (6), uma série de compromissos em tradicionais feiras da capital. Durante as visitas, conversou com comerciantes, trabalhadores e moradores, além de destacar medidas voltadas à valorização do serviço público e ao fortalecimento das políticas sociais.
A primeira parada ocorreu na Feira do Produtor de Vicente Pires. Celina percorreu os corredores do espaço, ouviu as demandas dos feirantes e falou sobre os concursos públicos promovidos pelo Governo do Distrito Federal.
A governadora destacou o concurso da Secretaria de Desenvolvimento Social, cujas provas foram realizadas neste domingo. Segundo ela, estão garantidas 1.200 vagas, além de quase 3.800 oportunidades para formação de cadastro reserva.
“São 1.200 vagas garantidas e quase 3.800 no cadastro reserva, para a gente fazer a maior política de assistência social que o Distrito Federal já viu”, afirmou Celina.
A candidata ressaltou que a ampliação do quadro permitirá reforçar o atendimento oferecido à população em situação de vulnerabilidade.
“Quero pessoas habilitadas para cuidar de quem mais precisa”, declarou.
Celina também lembrou a recente nomeação de 2.681 professores para a rede pública de ensino e anunciou que outras áreas serão contempladas. “Após o fim da vedação eleitoral, nós vamos fazer uma grande nomeação para a área da Saúde”, afirmou.
Na sequência, a governadora visitou a Feira Permanente do Núcleo Bandeirante. No local, caminhou entre as bancas e conversou com comerciantes e frequentadores sobre as necessidades da região. A passagem reforçou a estratégia de campanha de manter contato direto com a população e ouvir quem vive diariamente a realidade das cidades.
A agenda da manhã foi encerrada na Feira da Torre, um dos principais pontos turísticos, culturais e comerciais de Brasília. Além de conversar com feirantes, artesãos e visitantes, Celina entrou na roda e jogou capoeira, em um momento de descontração e proximidade com o público.
A governadora voltou a destacar a importância dos feirantes, artesãos e pequenos empreendedores para a geração de emprego, renda e preservação da identidade cultural do Distrito Federal.
As visitas deste domingo integram a programação de campanha da governadora, marcada por caminhadas nas regiões administrativas, diálogo com os trabalhadores e apresentação das ações realizadas pelo governo.
Por Priscila Praxedes / Assessoria de imprensa
Da Redação A Politica Em Foco com informações da Assessoria Celina Leão
Uma árvore de médio porte caiu sobre a entrada de uma unidade residencial na 712 Sul, na Asa Sul, durante as chuvas que atingiram a região no início da tarde deste domingo (6). O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) foi acionado para a ocorrência às 14h09.
A queda aconteceu nas proximidades do Clube dos Previdenciários. Ao chegarem ao endereço, os militares encontraram a árvore atravessada sobre o acesso à residência e iniciaram uma avaliação para identificar possíveis riscos antes da retirada.
Duas viaturas foram mobilizadas para o atendimento. Após a análise da área, os bombeiros começaram a organizar o corte da árvore e a remoção dos galhos e do tronco para liberar o local com segurança.
Segundo o CBMDF, a ocorrência foi registrada após as chuvas do início da tarde na região. Não houve registro de vítimas.
José Roberto Arruda (PSD) concedeu sua primeira entrevista coletiva após o indeferimento de sua candidatura ao Governo do Distrito Federal nesta sexta (4). O ex-governador reuniu veículos de comunicação, apoiadores e aliados na sede do partido. A mensagem transmitida pelo candidato – cuja impugnação foi aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) ontem (3) – é de otimismo e confiança na Justiça. “Eu não desobedeço decisão judicial, mas eu respeitosamente creio que ela está errada”, comentou.
Ao Jornal de Brasília, o ex-governador negou que tenha se exasperado com a impugnação. “Eu fui para trio elétrico, eu mantive meu equilíbrio”, garantiu. “Em nenhum momento eu exasperei. Eventualmente eu posso ter me abatido, sou ser humano”, comentou, mas indicou que já nesta sexta manteve uma rotina normal. “Eu tenho couro grosso”, brincou. Novamente instado pelo JBr. se esse foi o pior golpe ao longo dos 16 anos afastado da política eleitoral, ele contemporizou.
“Esse foi o pior golpe contra o Estado Democrático de Direito. Esqueçam o Arruda: ao prevalecer essa decisão, acabou o Estado de Direito. Uma lei votada pelo Congresso, sancionada pelo presidente, aprovada nesse item até pelo Ministério Público, não vale?”, questionou, referindo-se à Lei 219/2025, que, segundo sua candidatura, embasava a elegibilidade de Arruda. “Está tudo de cabeça para baixo. É muito ruim o que está acontecendo no Brasil”, disparou.
O julgamento
Em julgamento realizado nesta quinta, o colegiado acatou a argumentação do Ministério Público Eleitoral (MPE) de que o marco temporal para a inelegibilidade do pessedista não é a condenação de 2014, mas a de 2018, o que define o afastamento da vida eleitoral até 2030. A decisão pode e vai ser contestada pela defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a instância máxima de questões relacionadas ao processo de eleição. Até lá, Arruda tem permissão para continuar em campanha, inclusive com direito ao horário eleitoral gratuito. O prazo para julgamento no TSE é 14 de setembro.
Ao longo de uma hora e meia, o desembargador relator, Guilherme Pupe Nóbrega, elogiou as argumentações tanto das partes autoras quanto da defesa de José Arruda, liderada por Francisco Emerenciano, mas derrubou teses apresentadas por ambas as partes. Pelo lado da acusação, ele rejeitou que a Lei 219/2025 – que altera trechos da Lei da Ficha Limpa – não pudesse retroagir para beneficiar o ex-governador; quanto ao sustentado pela defesa, Nóbrega questionou especialmente o argumento de que há conexão entre as sete condenações sofridas por Arruda ao longo dos últimos 12 anos. O relator foi integralmente acompanhado por outros quatro desembargadores.
O candidato a deputado distrital Cristiano Araújo deu início oficialmente à campanha por uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) neste sábado (5). O evento reuniu apoiadores e contou com a participação de nomes de destaque da disputa eleitoral no DF, entre eles a governadora Celina Leão, além de Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Rafael Prudente.
A presença das lideranças marcou a largada da candidatura de Cristiano e mostrou as alianças construídas pelo candidato para a corrida eleitoral. Eleitores de diferentes regiões administrativas também participaram do encontro, que serviu como primeiro grande ato da campanha antes da intensificação das agendas pelas cidades do Distrito Federal.
FOTO: ÁLAME FABIANO
Ao lado da família, Cristiano afirmou que pretende utilizar na campanha a experiência adquirida durante sua trajetória política e administrativa. “Começamos hoje uma caminhada construída com diálogo, trabalho e compromisso com o Distrito Federal. Tenho muito orgulho da nossa história e, principalmente, das pessoas que caminham ao nosso lado. Vamos seguir ouvindo a população e apresentando propostas para uma Brasília cada vez melhor”, declarou.
Com o lançamento, a campanha entra agora em uma nova etapa. A previsão é que Cristiano Araújo percorra diferentes regiões do DF nas próximas semanas, em agendas voltadas à apresentação de propostas e ao contato direto com os eleitores na disputa por uma das 24 cadeiras da CLDF.
Uma nova licitação pública de imóveis vai ofertar 106 lotes residenciais, comerciais, industriais e mistos distribuídos em dez regiões do Distrito Federal. As propostas serão recebidas entre 9h e 10h no dia 11 de setembro, e a caução, equivalente a 5% do valor do lote, deve ser recolhida até 10 de setembro.
Entre os destaques estão os 15 lotes do Residencial das Sucupiras, no Jardim Botânico, que integram o Complexo Urbanístico Aldeias do Cerrado. As unidades têm entre 420 m² e 440,55 m², com valores a partir de R$ 317 mil, entrada de R$ 15,85 mil e financiamento em até 240 meses. Quem adquirir um dos lotes pode optar, sem custo adicional, por um projeto de casa padrão de 153 m² já aprovado pelos órgãos públicos.
O residencial oferece infraestrutura completa, com portaria única com controle de acesso, cercamento com muro em alvenaria, sistema viário planejado e área de lazer nas áreas comuns, incluindo campo de futebol, quadra de tênis, quadra poliesportiva, espaço gourmet, salão de festas, espaço fitness, quiosques com churrasqueira e estacionamento para visitantes.
No Riacho Fundo II, são 17 lotes com destinação mista, que permite simultaneamente comércio, prestação de serviços, atividade institucional e industrial. As áreas variam de 1.155 m² a 5.472 m², com valores entre R$ 1,35 milhão e R$ 5,45 milhões, e financiamento em até 180 meses.
Samambaia concentra 46 lotes disponíveis, quase metade do total do edital. Há terrenos comerciais e mistos a partir de 100 m², com valores a partir de R$ 80,6 mil, até lotes de mais de 1.500 m², que ultrapassam R$ 1,5 milhão.
No Setor Noroeste, há três lotes na CRNW, com áreas entre 1.733 m² e 3.466 m² e valores entre R$ 8,09 milhões e R$ 14,3 milhões. O edital inclui ainda 15 imóveis em Ceilândia, seis lotes no Recanto das Emas e terrenos avulsos no Guará, Santa Maria e Sobradinho.
Em Taguatinga, um lote industrial de 30.000 m², avaliado em R$ 26,2 milhões, é o maior do edital.
A brasiliense Márcia Gimenez de Jesus, de 44 anos, explica que, após o aumento do valor do plano de saúde, de R$ 440 para R$ 1,1 mil em menos de dois anos, passou a utilizar com maior frequência hospitais da rede pública, onde se sente melhor atendida.
“Estou impactada porque o tempo de demora das vezes que eu precisei está sendo menor do que na rede privada”, relatou Márcia, no Hospital de Base.
Planos de saúde
A paciente também afirmou estar em tratamento pela rede privada há dois anos e disse ter encontrado dificuldades relacionadas à demora, à autorização de procedimentos e à relação com profissionais de saúde.
Segundo ela, houve situações em que exames demoraram semanas para serem autorizados pelo plano. A entrevistada também criticou o que considera uma falta de escuta por parte de alguns profissionais.
“Poucos foram os médicos e enfermeiros que me trataram com empatia e realmente cuidaram do meu caso”, afirmou.
Ao comparar as duas redes, Márcia afirmou considerar que, em sua experiência pessoal, a qualidade do atendimento público chegou a ser superior à que encontrou na rede privada.
Espera
A percepção é diferente para Luísa Mar, de 48 anos, dona de casa. Ela acompanhava a sobrinha, que havia procurado atendimento após adoecer, e afirmou que aguardava pela triagem no momento da entrevista.
“Eu acho que está muito precária, muito precária mesmo. Precisa os governantes tomar providência, porque senão a gente vai perder muita gente”, declarou.
Luísa afirmou que a espera para atendimentos de emergência pode ultrapassar cinco horas, segundo suas experiências. Ela também citou dificuldades que envolvem atendimento médico, equipamentos para exames e estrutura de laboratório.
A entrevistada também afirmou ainda já ter presenciado situações que considera graves envolvendo pacientes que aguardavam atendimento. Entre os casos mencionados, citou mulheres grávidas que, segundo seu relato, chegaram a entrar em trabalho de parto enquanto esperavam.
Alessandro Alves da Silva, de 40 anos, acompanhava a mãe, Maria Célia Alves, de 63 anos, durante uma internação. Segundo ele, a discussão sobre saúde deve estar acompanhada de outras políticas públicas, como educação, segurança e inclusão social.
Ele também destacou a necessidade de atenção à população em situação de vulnerabilidade.
Não é ordem de chegada
A assessoria da Secretaria de Saúde do Distrito Federal explicou que as demandas se concentram principalmente nos atendimentos de urgência e emergência, além do acesso a consultas especializadas, exames e cirurgias.
“É importante destacar que, nas emergências, o atendimento não ocorre exclusivamente por ordem de chegada. Os pacientes são classificados de acordo com a gravidade clínica, e os casos de maior risco têm prioridade.”
Segundo a SES-DF, essa classificação pode fazer com que pacientes considerados menos graves aguardem por mais tempo, principalmente em períodos de maior procura.
A secretaria afirma que acompanha essas demandas e busca ampliar a capacidade de atendimento e melhorar os fluxos assistenciais.
“A Secretaria acompanha essas demandas permanentemente e trabalha para ampliar a capacidade de atendimento, melhorar os fluxos assistenciais e reduzir o tempo de espera da população”, disse a assessoria.
A comunicação do governo também destacou medidas adotadas para enfrentar as sobrecargas da rede, como a recomposição das equipes, ampliação da oferta de consultas, exames e cirurgias, aumento da disponibilidade de leitos, aquisição de equipamentos e reformas nas unidades.
“São medidas diferentes, mas que possuem o mesmo objetivo, como ampliar a capacidade de atendimento e fazer com que o usuário tenha uma resposta mais rápida e resolutiva dentro da rede”, relatou a assessoria do SES-DF
No documento, a Secretaria de Saúde também informou que tem adotado medidas em diferentes frentes para melhorar a qualidade do atendimento oferecido à população.
Mais profissionais
Segundo a Assesoria, as ações incluem a recomposição da força de trabalho, com nomeações de profissionais aprovados em concursos e contratação de profissionais de saúde para áreas com maior necessidade.
A Secretaria também citou a ampliação da oferta de consultas, exames e cirurgias, o aumento da disponibilidade de leitos, melhorias nos processos de regulação, aquisição de equipamentos, reformas e adequações das unidades e expansão da Atenção Primária.
Também foi afirmado que projetos desenvolvidos nas emergências buscam reorganizar os fluxos de atendimento, integrar as equipes e reduzir o tempo de permanência dos pacientes.
O objetivo é utilizar a estrutura existente de forma mais eficiente e garantir maior agilidade na passagem dos pacientes pela rede pública de saúde.
Por Simone Salles Especial para o Jornal de Brasília
Brasília começa setembro com um novo argumento para se destacar entre as grandes cidades brasileiras. A capital federal assumiu o primeiro lugar entre os municípios com mais de 500 mil habitantes no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) 2026, divulgado nesta quinta-feira (3) pelo Instituto Cidades Sustentáveis.
Brasília alcançou 61,71 pontos, à frente de Curitiba, com 58,15, e São Paulo, com 58,01. O resultado representa uma evolução expressiva em relação à edição anterior, quando a capital tinha 57,67 pontos. Com a nova pontuação, Brasília foi a única cidade desse grupo a entrar na faixa considerada de alto desenvolvimento sustentável, entre 60 e 79,99 pontos.
O levantamento não é uma pesquisa de opinião. O IDSC-BR cruza dados públicos de diferentes áreas e avalia os 5.570 municípios brasileiros a partir de 100 indicadores, relacionados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas.
Entre os temas estão saúde, educação, renda, pobreza, saneamento, moradia, mobilidade, igualdade, meio ambiente, segurança e emissões de carbono. A nota varia de zero a 100, e quanto maior a pontuação, maior o avanço em direção às metas dos ODS.
Avanços e desafios
O resultado ganha relevância porque reúne dimensões diferentes da vida urbana. Brasília tem hoje uma população estimada em 2,99 milhões de habitantes, segundo o IBGE, e continua entre os maiores centros urbanos do país.
Na renda, a capital também aparece em posição privilegiada. O rendimento domiciliar per capita do Distrito Federal chegou a R$ 4.538 em 2025, o maior valor entre as unidades da Federação, segundo o IBGE. A média brasileira foi de R$ 2.316.
No saneamento, dados de 2025 da Caesb apontam 99% de atendimento de água e 95,95% de atendimento de esgoto no Distrito Federal. Os índices ajudam a explicar o desempenho da capital em indicadores relacionados à infraestrutura urbana.
Mas a liderança não significa que Brasília tenha desempenho máximo em todas as áreas. Na educação, por exemplo, os resultados divulgados pelo Inep em agosto mostram que o Ideb do ensino médio do Distrito Federal caiu de 4,2 em 2023 para 4,1 em 2025. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o índice ficou em 6,4, enquanto nos anos finais passou de 5 para 5,1.
Capital abre vantagem sobre outras grandes cidades
A diferença para as concorrentes é significativa. Curitiba, segunda colocada, marcou 58,15 pontos, enquanto São Paulo ficou com 58,01. Na sequência aparecem Ribeirão Preto, Londrina e São José dos Campos.
O ranking das dez cidades com mais de 500 mil habitantes ficou assim:
Brasília (DF) – 61,71 Curitiba (PR) – 58,15 São Paulo (SP) – 58,01 Ribeirão Preto (SP) – 57,68 Londrina (PR) – 57,59 São José dos Campos (SP) – 56,27 Contagem (MG) – 56,11 Florianópolis (SC) – 55,89 Uberlândia (MG) – 55,22 Sorocaba (SP) – 55,07. São Paulo é o estado com maior presença entre as dez primeiras, com quatro municípios. Paraná e Minas Gerais aparecem com dois cada.
Um resultado que chama atenção no país inteiro
O desempenho de Brasília faz parte de uma melhora mais ampla observada no levantamento de 2026. Pela primeira vez desde o início do monitoramento, em 2015, a média dos 5.570 municípios brasileiros ultrapassou 50 pontos e chegou a 51,22.
Segundo os dados divulgados com o índice, sete em cada dez municípios melhoraram sua pontuação em relação à edição anterior. Mesmo assim, apenas 271 cidades, onde vivem aproximadamente 7,8 milhões de pessoas, atingiram a faixa de alto desenvolvimento sustentável.
O primeiro lugar coloca a capital federal diante de uma situação curiosa: ao mesmo tempo em que os números mostram avanços importantes em renda, infraestrutura e desenvolvimento sustentável, o índice também evidencia que ainda há espaço para melhorar.
O resultado de 2026, portanto, não representa apenas um título. Ele funciona como um retrato dos avanços e das dificuldades de Brasília e permite acompanhar, ano a ano, se a capital está realmente se aproximando das metas estabelecidas para 2030.
Para uma cidade que reúne quase três milhões de habitantes, grandes diferenças socioeconômicas entre suas regiões e a responsabilidade de sediar o centro político do país, estar no topo entre as grandes cidades brasileiras é um resultado expressivo, mas também aumenta a cobrança para que os bons indicadores cheguem de forma mais equilibrada a toda a população.
O que o ranking mede
O IDSC-BR foi criado para acompanhar o avanço dos municípios brasileiros em direção à Agenda 2030 da ONU. Por isso, não se trata de um ranking baseado apenas em riqueza ou percepção dos moradores. Os 100 indicadores utilizados na edição de 2026 abrangem os 17 ODS, que vão desde erradicação da pobreza, saúde e educação até igualdade, energia, trabalho, cidades sustentáveis, consumo responsável, ação climática e instituições eficazes. Os dados são reunidos de fontes públicas e oficiais, como IBGE, DataSUS e Inep, entre outras. A iniciativa é do Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com a Sustainable Development Solutions Network (SDSN), com consultoria do Cebrap.
Índice: Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) Edição: 2026 Divulgação: 3 de setembro de 2026 Abrangência: 5.570 municípios brasileiros Indicadores: 100 Objetivos avaliados: 17 ODS da ONU Escala: 0 a 100 pontos Brasília: 61,71 pontos Classificação: alto desenvolvimento sustentável Edição anterior de Brasília: 57,67 pontos Média nacional em 2026: 51,22 pontos Municípios na faixa de alto desenvolvimento: 27
Entre 2015 e o primeiro semestre de 2026, 248 mulheres foram vítimas de feminicídio no Distrito Federal e mais de 80% delas eram mães, como mostram dados do painel de monitoramento de feminicídios da Secretaria de Segurança Pública do DF.
No total, 492 crianças, jovens e adultos se tornaram órfãos do feminicídio.
“Não tem como você ter uma rotina. Minha rotina é chorar de manhã, tentar parar de chorar à tarde e chorar de noite. Essa tem sido minha rotina há cerca de 4 anos”, lamenta Robertha Ribeiro.
Robertha tinha 20 anos no ano em que a mãe, Rozane Ribeiro, foi assassinada pelo parceiro. Agora, aos 25 anos, a jovem confessa que as lembranças da mãe trazem um sofrimento diário. “A gente tenta voltar à vida normal, mas a vida normal nunca volta para a gente, sabe?”
Tudo aconteceu no dia 12 de dezembro de 2022. Faltavam exatos três dias para Robertha completar seus 21 anos. Ela, que estuda medicina na Argentina, naquele ano havia retornado ao Brasil para surpreender a mãe no feriado.
Ao chegar em casa, a jovem lembra do susto e da felicidade de Rozane ao vê-la. “Foi talvez a memória mais legal que eu tive na vida.”
O namorado de Rozane também estava lá quando Robertha chegou em casa, e como ela recorda, a presença dele lhe causou desconforto.
“Ele estava lá e eu não me senti muito confortável naquele momento, então resolvi dormir na casa da minha tia nesse dia.”
Por volta da 1h10 da manhã, Robertha recebeu uma ligação desesperada do irmão mais novo, Gabriel, que tinha 12 anos. Rozane havia sido esfaqueada pelo parceiro.
“Quando eu cheguei, a minha mãe já estava deitada no chão. O Samu ainda não tinha chegado. Ele demorou bastante para chegar. E a polícia estava lá também”, relembra.
“Sinto falta de ser amada pela minha mãe.” / Foto: Arquivo Pessoal
O processo de reanimação de Rozane durou por volta de 40 minutos após a chegada dos socorristas, porém ela não resistiu.
“O assassino fugiu do local do crime, roubou os pertences dela, roubou dinheiro meu, dinheiro que estava na casa, e foi para o Rio de Janeiro ônibus. Lá, ele foi preso”, detalha a filha.
Distrito Federal
O caso de Rozane não é isolado. No Brasil, dados do Fórum de Segurança Pública de 2026 mostraram que entre 2021 e 2025 cerca de 7.327 mulheres foram vítimas de feminicídio no país.
Quanto ao Distrito Federal, o painel de Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios (CTMHF) da Secretaria de Segurança Pública indicou que entre os meses de janeiro e julho de 2026 houveram 13 feminicídios consumados, já o mais recente relatório de junho revelou que houve 44 feminicídios tentados. Números alarmantes para as mulheres, que compõem mais da metade da população brasiliense.
“Ápice da violência”
O detegado Marcelo Zago, coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios (CTMHF) da Secretaria de Segurança Pública, explica que um dos principais desafios dos profissionais que estudam este fenômeno tem sido entender o padrão que leva ao cometimento deste crime.
“Geralmente, o feminicídio é o ápice de uma história de violência. E o padrão do feminicídio é completamente diferente do padrão do homicídio. Então, entender a complexidade desse fenômeno e como a violência doméstica gera esse final trágico, é difícil.”
Em relação ao namorado da mãe, Robertha diz ele nunca ter demonstrado comportamentos que acendessem um alerta de perigo. O mesmo já não pôde ser dito para Vanessa Lopes, mãe de Arthur Leandro, de 20 anos, que também foi vitimada pelo namorado.
“Eles tinham algumas brigas, e em uma delas ele inclusive quebrou o celular da minha mãe. Aquelas bandeiras vermelhas já estavam indicando a agressão verbal e material. Então ele já vinha apresentando esses comportamentos”, relata.
Vanessa vivia na Ceilândia junto do filho e do namorado, com quem havia começado a se relacionar há pouco tempo.
Arthur estava sozinho em casa quando os policiais bateram em sua porta na manhã do dia 3 de outubro de 2022. Sua mãe, lembra, havia saído na noite anterior para comprar comida, mas ele, na época com seus 16 anos, nem havia tido tempo de perceber que ela não havia retornado.
A princípio, pediram a identificação do jovem, depois começaram a realizar uma vistoria na casa. Não encontraram nada lá.
Conforme relata, estava confuso com a situação inesperada. Ele os seguiu até a viatura onde os oficiais o dirigiram próximo de um bar. Até então não sabia, mas lá fora o último local onde Vanessa havia sido vista com vida.
Ainda dentro da viatura foi quando ele ouviu os agentes de polícia murmurarem sobre um assasinato. Finalmente, a ficha caiu. “O policial me contou no carro, na frente do bar. Eu gritei no quando ele me falou. Nem conseguia chorar porque eu estava em choque. Não sabia o que fazer”.
“Foi o pior momento da minha vida.”
“Hoje em dia, só sou o homem que eu sou por conta dela.” / Foto: Arquivo Pessoal
Luto diário
O luto pelas mulheres que se foram se faz diário na vida dos familiares das vítimas, uma fratura permanente que nem a passagem do tempo, ou a condenação criminal, é capaz de curar. “Nem 1 milhão de anos de cadeia é capaz de recuperar a minha mãe”, constata Robertha.
“Ele pegou 28 anos [de cadeia], que para mim ainda é pouco. Porque ele tirou a vida da minha mãe. A mulher mais importante para mim. E não são 28 anos [de cadeia] que pagam isso”, diz Arthur.
A perda da mãe abalou as principais estruturas familiares na vida do jovem. A avó materna de Arthur, com a morte da filha, passou a sofrer de depressão e até hoje, quase 4 anos após o ocorrido, a tristeza persiste. “Foi um estrago enorme na nossa família.”
Os tios e a avó de Robertha também ficaram devastados com a notícia da tragédia. “Eram quatro irmãos e eles eram a vida um do outro. E a minha avó tinha acabado de se tornar viúva e perdeu a filha. Foi a coisa mais difícil que passamos na vida.”
Vítimas Indiretas
Psicóloga da Secretaria de Justiça, Sarah Mello, que atua no núcleo de atendimento do programa Direitos Delas, explica que o luto do feminicídio é bastante complexo, ainda mais quando se trata de crianças.
“Muitas vezes a criança está em uma fase em que ela não entende que a morte é irreversível, e explicar isso, seja nós, os psicólogos, ou os parentes é complexo.”
A especialista também afirma que a morte da mãe, quando causada pelo pai, traz ainda mais angústia emocional para o indivíduo.
“Além de perderem suas figuras de proteção, eles também perdem uma base de identidade.”
“Mãe é colo. Quando dá tudo errado na sua vida, você consegue voltar para o colo da sua mãe. Quando tiram esse colo de você, você se sente sozinho no mundo”, diz Robertha.
Ilustração: Júlia Gottgtroy
Impactos psicológicos
Além dos filhos das vítimas, os parentes e pessoas próximas também vivenciam os impactos psicológicos do feminicídio. “Há quem desenvolva casos depressivos, de ansiedade ou outros”.
Mariele Silva, de 59 anos, lida desde 2021 com o luto duplo pela morte da nora, Leidenaura Moreira, e pela prisão do filho, responsável pelo crime e admite ser muito difícil conversar sobre o ocorrido.
Atualmente, Mariele possui a guarda da neta, Inara Gabrielly de 10 anos, e informa que as sessões de assistência psicossocial foram extremamente importantes tanto para ela quanto para a menina, que participa de competições de ginástica acrobática.
Na avaliação de Sarah, juntamente com o acompanhamento assistencial, garantir os direitos das pessoas, como ir à escola, são atividades que trazem um resultado positivo para os jovens que passam pelo luto materno.
Sarah reforça que o trabalho dela e dos outros profissionais da área de assistência social da Secretaria de Justiça tem como objetivos trabalhar com “a prevenção da violência”.
Machismo estrutural
Assim, com as crianças e jovens que chegam para as sessões, os profissionais abordam tópicos que destrincham o machismo, os sentimentos de possessividade em relacionamentos e os tabus sociais – como o de que “homens não podem ser sentimentais”.
Para Arthur Leandro, conversar com outra pessoa sobre o que ele havia passado era um grande desafio, porém a terapia, pouco a pouco, o ajudou a se destravar do trauma.
“Foi meio difícil eu me abrir para as primeiras idas, mas depois eu consegui me abrir e conversar. O acompanhamento foi excelente. A moça que me assistiu era super educada e ela tentava realmente entender a situação. Ela tinha uma empatia enorme com a gente.”
Robertha também recebeu o auxílio de terapia do governo durante um ano até haver a troca do sistema.
No programa vigente, o beneficiário tem direito a seis sessões semanais que então são alongadas para encontros trimestrais até, por fim, se fixarem em terapias anuais. “Eu não acho que isso seja o suficiente”, diz ela.
Em relação a isso, Sarah detalha que o atendimento oferecido pela Secretaria de Justiça, infelizmente, não tem o papel de ação contínua mas momentânea. Dentre as razões que justificam isso estão a alta demanda de atendimentos e capacidade limitada de profissionais.
Ainda sim, a psicóloga concorda que, idealmente, deveriam de ser consultas psicológicas regulares.
Políticas Públicas
Além do sofrimento psíquico, a lacuna financeira deixada pela falta da mãe, que em certos casos é a principal provedora, também trouxe receios para ambos, Arthur Leandro e Robertha.
Vanessa sustentava a casa com o trabalho de diarista e sem ela, Arthur, então menor de idade, se encontrava em uma situação de vulnerabilidade econômica. Foi através da tia que ele então descobriu sobre o programa Acolher Eles e Elas. “Descobrimos pela TV sobre esse programa e corremos atrás dele.”
O DF foi a unidade federativa pioneira na elaboração de um programa exclusivo de amparo financeiro e psicossocial à órfãos do feminicídio no país: o Acolher Eles e Elas.
Desde a criação em dezembro de 2023, a política pública já recebeu mais de 3 milhões de reais em investimentos e acolheu 219 crianças, adolescentes e jovens. Atualmente, possui 196 cadastros ativos e beneficiados pelo auxílio financeiro.
A política pública, juntamente com o apoio de familiares, garantiu a Arthur a estabilidade necessária para construir a própria casa no terreno herdado da mãe. “Graças a essa esse benefício, eu consigo conseguir suprir essa necessidade que eu tinha, não só financeira, mas também pelo acompanhamento psicológico, porque esse foi um trauma gigantesco.”
Robertha, por outro lado, não teve o mesmo auxílio. Como é previsto na regulamentação do próprio Acolher Eles e Elas, a idade máxima para que um órfão possa ser beneficiado pelo programa é de 21 anos e 11 meses.
Na época, Robertha, mesmo tendo completado 21 anos apenas 3 dias após o assasssinato da mãe, não pode se qualificar para assistência.
“Não recebi nenhum auxílio, porque eu fiz 21 anos, três dias depois que minha mãe foi assassinada brutalmente. Então eu, aos olhos do governo, não tinha direito de receber uma pensão, já que sou maior de idade.”
Memórias
O que resta para aqueles que ficam são as lembranças dos instantes que compartilharam com a mulher amada e os últimos momentos de carinho.
“Não tem um momento que eu não lembre do sorriso e do jeito dela. Ela era uma mulher extremamente viva, o brilho dela iluminava o ambiente. Ela tinha um coração gigante. Mas, acima de tudo, ela sempre foi uma ótima mãe“, diz Arthur.
Ele se recorda da última conversa com a mãe. Foi na noite anterior à chegada dos policiais.
Arthur estava se preparando para tomar banho quando Vanessa bateu na porta do banheiro com a típica insistência, lhe pediu um abraço e disse que ele iria acompanhá-la para comprar algo de comer. “Eu só ia tomar banho, mas sabe aquela coisa de mãe, né? Você fala que vai, mas quando sai do banheiro ela já foi embora.”
O abraço foi breve, entre a porta do banheiro, algo que hoje ele carrega com um pesar.
“Um dos meus maiores arrependimentos foi não ter abraçado ela direito.”
Para Robertha as lembranças com mãe são algo que machucam muito, um passado sensível que por vezes se recusa deixar ser esquecido. “Eu tento lutar contra as lembranças da minha mãe há uns 4 anos porque pensar nisso machuca muito”, diz emocionada.
Ainda sim, ela conta sobre como sente falta dos momentos de descontração e brincadeiras entre as duas.”Gostava de fazer cosquinha na minha mãe. Ela odiava cada segundo e falava que ia me colocar de castigo e tentava disfarçar o riso dela fechando a boca e colocando a mão no rosto para ficar séria comigo.”
“É muito bom ter uma mãe que te ama. E a minha me amava muito. Agora ela deixou a gente e é muito difícil de viver sem ela.”
A cada ano que passa, mais histórias como a de Robertha e Arthur Leandro surgem no Distrito Federal. A cada dia, mais mulheres são vitimadas pela violência. E cada vez mais, menos se fala das vítimas indiretas do feminicídio.
Um homem foi preso após policiais encontrarem porções de maconha, skank, materiais utilizados para embalagem de drogas e uma munição de calibre .357 Magnum em uma residência. A ocorrência começou durante um patrulhamento, depois que a equipe foi chamada para verificar uma possível situação envolvendo usuários de entorpecentes.
Três pessoas foram abordadas no local. Durante a revista, os policiais localizaram uma balança de precisão dentro da jaqueta de um dos homens. Segundo o relato policial, ele afirmou que pretendia utilizar o equipamento para pesar drogas que seriam comercializadas e revelou que mantinha entorpecentes em sua casa, situada em frente ao ponto onde ocorreu a abordagem.
Com autorização do suspeito e da mãe dele, registrada em vídeo, os policiais entraram no imóvel e fizeram buscas no quarto indicado. Dentro de uma gaveta, foram encontradas dez porções de substância semelhante à maconha, embaladas individualmente em sacos do tipo ziplock, além de uma porção de material semelhante a skank. A equipe também apreendeu várias embalagens novas e uma munição intacta de calibre .357 Magnum.
Diante do material localizado, o homem foi preso e encaminhado, junto com os itens apreendidos, à 30ª Delegacia de Polícia, onde a ocorrência foi registrada e ficou a cargo da Polícia Civil.
Estudantes que se preparam para vestibulares, concursos públicos ou exames têm à disposição diferentes opções de atendimento na Rede de Bibliotecas Públicas do Distrito Federal. Espalhadas por várias regiões administrativas, as unidades oferecem estrutura para leitura e pesquisa, com horários que variam conforme o local.
Na região central de Brasília, duas unidades têm funcionamento ampliado. A Biblioteca Nacional de Brasília (BNB) abre de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h, e aos sábados e domingos, das 8h às 14h. Já a Biblioteca Pública de Brasília, na Asa Sul, atende de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h, e aos sábados, das 7h30 às 13h30.
Em outras regiões administrativas, há unidades com atendimento até as 22h durante a semana, como Cruzeiro, Guará, Núcleo Bandeirante, Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. No Guará, os empréstimos de livros são feitos somente até as 18h. No Gama, o atendimento vai até as 21h45, enquanto a Biblioteca Machado de Assis, em Taguatinga, funciona até as 21h.
A rede também oferece alternativas aos sábados. A Biblioteca Pública da Candangolândia atende das 9h às 18h. Em Taguatinga, o funcionamento é das 8h às 13h. As unidades do Gama, Núcleo Bandeirante, Sobradinho II, Samambaia e Ceilândia funcionam, em geral, das 8h às 12h.
Há ainda a Biblioteca de Artes de Brasília, que abre aos sábados, das 12h às 20h, com acervo voltado a materiais da área artística. Já as bibliotecas de Águas Claras, Paranoá, Santa Maria, São Sebastião, Itapoã, Recanto das Emas e Vicente Pires funcionam em dias úteis, em horários diurnos. A Biblioteca Pública do Riacho Fundo permanece fechada.
A orientação é confirmar o funcionamento da unidade antes do deslocamento, especialmente em feriados ou dias com alteração de expediente.
O Tribunal do Júri de Ceilândia condenou, na quarta-feira (2/9), Ana Flávia Santos de Castro a 20 anos, 3 meses e 22 dias de reclusão pelo homicídio qualificado de Paulo Inácio da Rocha, com o emprego de meio cruel. A ré deverá iniciar o cumprimento da pena em regime fechado.
Segundo a denúncia, o crime ocorreu em via pública de Ceilândia, no Distrito Federal, na noite de 19 de fevereiro de 2025. Ana Flávia teria espancado a vítima com brutalidade fora do comum, na presença de pedestres, e fugido do local.
Ainda de acordo com o texto, a vítima, mesmo gravemente ferida, contou com a ajuda de um conhecido e seguiu para casa. Na manhã seguinte, foi encontrada morta por familiares.
Ana Flávia respondeu ao processo presa e não poderá recorrer em liberdade.