O comércio do Distrito Federal espera um Dia das Crianças melhor que o do ano passado, mas os presentes devem pesar menos no bolso. A previsão é de alta de 2% nas vendas, segundo pesquisa do Fecomércio. Enquanto o valor médio que os consumidores pretendem gastar caiu, o comportamento dos consumidores também chama atenção de comerciantes, que percebem uma concentração maior das compras na reta final antes da data.
A pesquisa mostra que 61,9% dos consumidores pretendem presentear neste Dia das Crianças. Os brinquedos aparecem como a principal escolha, com 54,1% das intenções, seguidos por roupas e acessórios (20,7%).
A intenção de manter a tradição de presentear agora vem acompanhada de um bolso mais fechado. O valor médio previsto para as compras passou de R$232, em 2025, para R$186 neste ano, uma queda de cerca de 20%.
No dia a dia, o crescimento esperado pelo comércio não deve vir necessariamente de presentes mais caros. A pesquisa aponta para um consumidor que continua comprando, mas presta mais atenção ao valor da compra. Entre os que não pretendem presentear, 23,7% dizem ter outras prioridades de gastos e 13,6% apontam dificuldades financeiras.
Compra fica para a reta final

Nas lojas de brinquedos, o movimento também mudou de ritmo. Luiz de Oliveira tem 38 anos e trabalha há alguns anos como gerente comercial de uma loja do segmento no DF. Ele conta ao JBr que antes, as compras se espalhavam ao longo do mês, mas agora estão mais concentradas nos dias próximos ao feriado.
“Antigamente era o mês inteiro de buscas e pesquisas, mas agora os clientes estão deixando muito para próximo do Dia das Crianças, acredito que por ainda estarem repensando nesse gasto.”
Mesmo com essa concentração, a loja trabalha com expectativa de crescimento de até 7% nas vendas em relação ao ano passado. O gerente explica que outubro é um dos períodos mais importantes para o segmento, atrás apenas do Natal.
Os valores das compras na loja ficam, em geral, entre R$200 e R$300, segundo Luiz. Ele observa que muitos clientes chegam ao estabelecimento já sabendo o que querem comprar, o que faz com que o preço seja levado em conta, mas não necessariamente impeça a compra.
“Eles sempre têm a ressalva em relação ao preço, acham um pouco caro, mas os produtos de lançamento, que é a procura da criançada, geralmente vêm com valor um pouco mais alto.”
Comércio aposta nas promoções

Para disputar esse consumidor mais atento ao preço, 60,8% dos lojistas ouvidos pelo Fecomércio pretendem adotar estratégias para estimular as vendas. As promoções são a principal aposta, citadas por 22,54% dos empresários. Também aparecem a variedade de produtos (20,23%), descontos para pagamentos à vista (12,72%) e kits de produtos (11,56%).
A preocupação com o preço também aparece entre os consumidores. Mais da metade, 52,08%, afirma que descontos e promoções influenciam a escolha da loja. Já 47,91% dizem que podem deixar de comprar em um estabelecimento caso considerem o preço alto.
Anna Luiza por exemplo estava em busca de um presente de aniversário para o sobrinho quando decidiu aproveitar a compra para também celebrar o Dia das Crianças. Para economizar, ela optou por dar apenas um presente, que vai valer para as duas datas.
“Ah, é bom juntar o útil ao agradável, né? Já estava procurando o presente de aniversário e aproveitei para resolver o do Dia das Crianças também. Assim a gente pesquisa tudo de uma vez e consegue economizar um pouquinho no bolso.”
Ainda assim, a expectativa do comércio é de estabilidade com leve crescimento. Para 50,8% dos empresários, as vendas terão desempenho semelhante ao de 2025. Outros 45% esperam vender mais, enquanto apenas 4,2% projetam queda.
Onde e quando o brasiliense vai comprar

As lojas físicas continuam concentrando boa parte das intenções de compra. Estabelecimentos de rua, de bairro e de shopping somam 58,4% das preferências, enquanto os sites de comércio eletrônico aparecem com 26%.
O calendário também deve pesar no movimento. A manhã é o horário preferido por 39,6% dos consumidores, seguida pela tarde, com 37,5%. O sábado reúne a maior intenção de compras entre os dias da semana, com 28,6%.
Para quem ainda vai às compras, o Procon-DF recomenda pesquisar preços e conferir as condições das promoções. O órgão também recomenda guardar anúncios, prints das ofertas, nota fiscal e comprovantes. Até o momento, o Procon-DF não identificou aumento nas reclamações relacionadas a brinquedos, preços ou promoções no período. Em agosto e setembro, foram quatro registros em 2024, seis em 2025 e quatro em 2026.
Da Redação A Politica Em Foco com Informações do Jornal de Brasília



