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TJDFT destaca grupo reflexivo de homens no Agosto Lilás

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No último episódio da série Histórias reais: Justiça que faz, especial Agosto Lilás, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) apresentou relatos a partir da perspectiva de homens que participaram do Programa Grupo Reflexivo de Homens, iniciativa voltada à responsabilização de autores de violência e à reflexão sobre atitudes e comportamentos.

O programa, desenvolvido pela Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar da Justiça do Distrito Federal (CMVDDF), iniciou suas atividades em abril de 2016 e atende à recomendação da Lei Maria da Penha de criação de espaços de educação e reabilitação destinados a autores de violência contra a mulher.

Segundo a assistente social e facilitadora do grupo, Luana Nascimento, o trabalho busca alcançar o cerne da violência de gênero, relacionado à desigualdade de poder entre homens e mulheres. No início, muitos participantes chegam ao programa com discursos que naturalizam ou justificam a violência, além de atribuir à vítima a responsabilidade pela agressão. Essas falas, afirma Luana, são discutidas criticamente nos encontros.

Os temas abordados passam por acolhimento, masculinidades, sistema de crenças, gênero e violência contra a mulher, habilidades relacionais, Lei Maria da Penha e autorresponsabilização. Também há espaço para temas livres, definidos conforme as questões que surgem durante os diálogos. O psicólogo clínico Víctor Couto, que atua há três anos no programa, afirma que os debates ajudam na reflexão e contribuem para a prevenção de novas ocorrências.

As experiências compartilhadas pelos participantes também ocupam papel central no processo. Ao ouvir os relatos de outros integrantes, os homens passam a perceber que determinados comportamentos não são episódios isolados ou individuais, mas estão associados a construções sociais, crenças e modelos de masculinidade aprendidos ao longo da vida. O trabalho coletivo, segundo Luana, facilita a identificação de padrões, o reconhecimento das desigualdades e a compreensão de como o machismo estrutural afeta mulheres, homens, pessoas que convivem com eles e a sociedade.

Ao longo dos encontros, participantes relatam mudanças de comportamento e de mentalidade. Um deles afirmou ter feito autoanálise e aprendido a se colocar no lugar do outro. Outro disse que, ao conhecer histórias e relatos dos demais integrantes, passou a refletir mais sobre o próprio caso, buscar mais autocuidado e adotar novos hábitos.

A mudança, porém, não ocorre de forma imediata nem se encerra no último encontro. O grupo apresenta novas perspectivas e um paradigma diferente daquele sustentado por relações de poder, controle e desigualdade, cabendo a cada participante levar essas reflexões para a vida cotidiana e construir formas mais respeitosas de comunicação e convivência.

Ao final do ciclo, segundo os relatos divulgados pelo TJDFT, permanece a percepção de que pedir e aceitar ajuda também faz parte do processo de mudança. Para a reportagem, o reconhecimento do erro aparece como um primeiro passo para interromper a repetição da violência doméstica.

Com informações do TJDFT

Com informações do Jornal de Brasília

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