As próximas visitas que milhares de moradores do Distrito Federal receberão em casa podem ajudar a definir os rumos da saúde pública nos próximos anos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deu início à coleta da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2026, considerada a principal investigação domiciliar do país sobre as condições de saúde da população. Até o dia 30 de novembro, pesquisadores visitarão 3,3 mil domicílios distribuídos em 30 regiões administrativas para levantar informações que servirão de base para o planejamento, a execução e a avaliação de políticas públicas em saúde.
Muito além de um levantamento estatístico, a pesquisa pretende revelar como vivem os brasileiros, quais doenças mais afetam a população, como está o acesso aos serviços de saúde e quais desafios ainda precisam ser enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta edição, o estudo também marca a retomada da coleta de sangue e urina, etapa que não foi realizada em 2019 e volta a integrar a pesquisa pela primeira vez desde 2013.
Para a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), a importância da pesquisa vai além da produção de indicadores. Os dados ajudam a identificar necessidades da população e permitem que as políticas públicas sejam planejadas de forma mais precisa.
“Pesquisas nacionais de base populacional, como a PNS, são fundamentais para subsidiar o planejamento das políticas públicas de saúde. Elas permitem conhecer o perfil epidemiológico da população, a prevalência de doenças crônicas, os fatores de risco, os hábitos de vida, o acesso aos serviços e as desigualdades em saúde”, afirma o coordenador de Atenção Primária à Saúde da Secretaria de Saúde do DF, Afonso Abreu Mendes Júnior.
Segundo ele, os resultados da pesquisa são utilizados diretamente pela pasta para definir prioridades de atuação da rede pública.
“Os resultados da PNS constituem uma importante fonte de evidências para subsidiar o processo de planejamento em saúde, especialmente na elaboração de diagnósticos situacionais, definição de prioridades e monitoramento de indicadores”, destaca. “Na Atenção Primária à Saúde, essas informações contribuem para o desenvolvimento de estratégias voltadas ao enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis, ampliação das ações de promoção da saúde, incentivo à vacinação, fortalecimento do cuidado preventivo e redução das iniquidades em saúde.”
Doenças crônicas concentram atenção da rede pública
Os dados levantados pela Pesquisa Nacional de Saúde ajudam a identificar quais doenças merecem maior atenção do poder público. Atualmente, segundo a Secretaria, as maiores preocupações da Atenção Primária estão relacionadas às doenças crônicas não transmissíveis.
Hipertensão arterial, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares aparecem entre as prioridades por causa da elevada prevalência e do impacto na qualidade de vida da população. Também permanecem em monitoramento permanente as doenças imunopreveníveis, devido à necessidade de manter altas coberturas vacinais, além das arboviroses, que apresentam comportamento sazonal, e das condições relacionadas à saúde mental.
Coleta de sangue e urina volta após mais de dez anos
Uma das principais novidades da edição de 2026 é a retomada dos exames laboratoriais. A coleta de biomarcadores, realizada pela última vez em 2013, retorna para ampliar o conjunto de informações produzidas pela pesquisa e oferecer um diagnóstico ainda mais detalhado sobre a saúde da população brasileira.
No Distrito Federal, moradores com 35 anos ou mais que integrarem uma subamostra da pesquisa poderão ser convidados a participar da etapa laboratorial. Os exames serão realizados por profissionais de saúde habilitados e analisados por um laboratório parceiro.
Entre os procedimentos previstos estão hemograma, creatinina, ácido úrico, hemoglobina glicada, perfil lipídico, dosagem de sódio e potássio, sorologia para chikungunya e exames capazes de identificar a presença de chumbo e mercúrio no organismo. Além disso, todos os participantes terão pressão arterial, peso e altura aferidos durante a visita.
Segundo Afonso Abreu, a inclusão dos exames laboratoriais permitirá que a pesquisa alcance um novo patamar de qualidade. “A inclusão de informações laboratoriais amplia significativamente a capacidade de compreender o estado de saúde da população, permitindo identificar fatores de risco e condições que muitas vezes ainda não foram diagnosticadas.”
Moradora do Gama, a dona de casa Rosângela Pereira, de 49 anos, conta que faz acompanhamento de rotina em uma Unidade Básica de Saúde e considera que ouvir a população é fundamental para que os gestores conheçam as necessidades de cada região. “Espero que a pesquisa ajude a mostrar o que funciona e o que ainda precisa melhorar. Quanto mais informações eles tiverem sobre a saúde das pessoas, mais fácil fica planejar ações que realmente atendam quem precisa”, afirma.
Participação é essencial para retratar a realidade
Para que os resultados reflitam de forma fiel a realidade do Distrito Federal e do país, o IBGE reforça que a participação dos moradores é indispensável. Como a pesquisa é realizada por amostragem, a recusa de um domicílio não pode ser simplesmente substituída por outro, já que cada residência representa milhares de pessoas com perfil semelhante.
Os pesquisadores responsáveis pelas entrevistas estarão identificados com colete azul do IBGE, crachá funcional e Dispositivo Móvel de Coleta (DMC). Antes de responder ao questionário, o morador também pode confirmar a identidade do entrevistador pelo portal “Respondendo ao IBGE” ou por meio do telefone 0800 721 8181.
Com informações do Jornal de Brasília

















