Search

Nelza Cristina deixa legado de respeito no jornalismo

foto.png

A jornalista Nelza Cristina Mendes da Conceição deixou como principal marca uma característica cada vez mais rara nas redações do mundo afora. Ela respeitava a todos e tornava o convívio leve, a ponto de quem a conheceu se achar privilegiado. Ao longo de quase quatro décadas de carreira em Brasília, construiu uma trajetória reconhecida não apenas pelas reportagens que assinou, mas pela forma como tratava colegas, fontes e profissionais que estavam começando na profissão.

Nascida no Rio de Janeiro, em 29 de março de 1961, Nelza mudou-se para Brasília na década de 1980, acompanhando o pai, militar. Foi na capital federal que se formou em Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e consolidou uma carreira de destaque, passando por veículos como a Rede Bandeirantes e o Jornal de Brasília, onde permaneceu por quase duas décadas como repórter de Cidades, subeditora e chefe de reportagem.

Para o marido, Josemar Gonçalves, o maior legado da jornalista não está apenas na carreira, mas na maneira como conduziu a vida. “O legado é o respeito com todos”, resume.

Esse respeito também era refletido no ambiente de trabalho. Segundo ele, Nelza sempre teve disposição para ensinar quem estava começando na profissão. “Ela respeitava todos os que queriam aprender”, afirma.

Nas redações, ganhou fama por um talento que os colegas lembram até hoje. Era conhecida como a “pauteira de sorte”: muitas das principais ocorrências da cidade acabavam acontecendo justamente durante seus plantões, o que fez dela uma referência na cobertura do cotidiano de Brasília.

A dedicação ao jornalismo acompanhava Nelza também fora do expediente. Em casa, tinha o hábito de assistir a todos os telejornais para se manter informada. A curiosidade, que marcou sua trajetória profissional, era igualmente alimentada pelo gosto por conhecer novos lugares. Viajar era uma de suas maiores paixões.

Aposentadoria praiana

Depois da aposentadoria, em 2016, ela decidiu trocar a rotina intensa das redações pela tranquilidade do litoral paraibano. Ao lado do marido, mudou-se para João Pessoa com o objetivo de aproveitar uma nova fase da vida. Queria descansar, viver perto da praia e explorar o interior da Paraíba, estado pelo qual desenvolveu grande carinho. Entre os lugares que mais gostava estava Cabaceiras, conhecida como a “Hollywood nordestina” por servir de cenário para diversas produções do cinema nacional.

Nelza estava internada havia cerca de 30 dias por complicações cardiovasculares. Na noite de quinta-feira (23/7), sofreu um derrame pleural e morreu aos 64 anos.

whatsapp image 2026 07 24 at 15.18.10

Para além dos cargos que ocupou e das reportagens que produziu, Nelza deixa um legado que continua vivo nas redações por onde passou: o exemplo de uma jornalista que acreditava na informação, valorizava o aprendizado e fazia do respeito a principal ferramenta de trabalho.

Com informações do Jornal de Brasília

LEIA TAMBÉM

Confira Também