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Ipês roxos abrem a temporada de floração no DF

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É típico do brasiliense tirar fotos dos ipês nesse período do ano. Com vários tons, essa árvore é uma das marcas da chegada da seca. Por agora, podem ser vistos pelo Distrito Federal, ipês na coloração roxa. Para facilitar o mapeamento da floração e para quem quer saber mais informações sobre as cores, um aplicativo brasiliense “Ipês” já está em circulação há cerca de seis anos. A idealizadora dessa iniciativa que permite o cadastro de fotos com a localização, a professora e bióloga Paula Sicsú, está procurando colaboração para manter e aprimorar o aplicativo.

Paula desenvolveu o aplicativo entre 2020 e 2021. “Foi quando eu estava grávida da minha filha, ela nasceu em 2021 e então, a gente lançou”, contou. Ela descreve que tirar fotos dos ipês é algo que todo mundo faz, principalmente quem mora em Brasília, e foi uma coisa que na época da pandemia, a salvou. “Porque me ocupava, a gente não podia interagir, então eu ia pedalando, tentava ver, tentava tirar foto bonita dos ipês. E eu percebi o quanto que faltam informações mais organizadas”.

A bióloga sentia falta de saber coisas como a localização, se era de fácil acesso para tirar foto, chegando de bicicleta ou carro. Ou até mesmo se o local onde a árvore está localizada dá para quem quiser tirar foto parar e aproveitar o espaço ao ar livre, fazendo um piquenique. “Já vi umas fotos maravilhosas de uns ipês, por exemplo, na L4 do lado da Asa Sul, só que lá é muito difícil de você chegar, por exemplo, de bicicleta”, exemplificou. Ao mesmo tempo, ela pontuou ainda que tem árvores do tipo no Parque da Cidade, em que o acesso é mais fácil e dá para ter um tempo de lazer em família, enquanto registra a foto daquela espécie. “Eu achei que ia ser uma informação interessante de se compartilhar pela comunidade e são muitos ipês”, disse.

A ideia, segundo Paula, era trazer a comunidade para construir isso em conjunto. “A gente já faz isso, só que de uma forma ainda muito espalhada. Cada um tem seu Instagram, posta uma foto ali e aqui. Mas acho que faltava algo para organizar e centralizar essas informações”, pontuou.

A partir do ócio produtivo da pandemia, Paula, junto do amigo Rafael Costa — o primeiro programador do aplicativo — com a ajuda da família e amigos próximos, foram montando o aplicativo. “É muito satisfatório construir algo que desde o seu início foi comunitário. Eu que idealizei, mas é um projeto, que desde a sua origem, foi de muitas mãos”, destacou. A adesão foi absurda da sociedade, algo que ela não imaginava que aconteceria. À medida que o tempo passou, o aplicativo foi sendo aprimorado e veio a contratação de outro programador. “Ele continua com a mesma ideia original, com as mesmas funcionalidades, a gente só foi deixando ele cada vez mais palatável para os usuários.”

O aplicativo é totalmente gratuito e a pessoa pode explorar várias funcionalidades. Como Paula explicou, uma delas é abrir o mapa e ver se tem ipês nas proximidades. “Tem os ipês cadastrados e dá para filtrar para ver se tem bem florido, muito florido. Então, por exemplo, a pessoa quer passear num domingo, ela pode abrir o mapa e ver qual ipê tem cadastrado perto dela.” Dá para saber se o ipê está muito florido ou não, inclusive. A pessoa também pode suprir informações sobre a floração, cadastrar uma árvore nova ou notificar o aplicativo sobre a localização de algum ipê. “O mais importante, nesse momento, é identificar no aplicativo se ele está florindo ou não. Porque isso ajuda os outros usuários a ir lá ver também, visitar, tirar outras fotos e contribuir.”

Atualmente, os ipês que podem ser vistos pelo DF são os roxos. “Embora tenha essa cor rosinha, digamos assim, eles são considerados roxos. Se for comparar com o rosa, é uma cor um pouco mais forte, o rosa é mais leitoso e vem depois. A gente começa com os roxos. Depois vem os amarelos, os queridinhos”, frisou. Depois desses, florescem os brancos e os rosas. Paula reforçou ainda que ao todo, sao mais de 100 especieis de ipes, por isso é mais facil simplificar por nomes populares e cores. 

Geralmente a floração segue essa ordem até a chegada do período das chuvas, mas especialmente neste ano, o ciclo sofreu um leve atraso devido às instabilidades climáticas. Paula explica que a umidade e as baixas temperaturas funcionam como gatilhos para que as árvores entendam o momento certo de florescer. “Como esse ano choveu muito fora de época, além de ter ficado mais úmido, não veio aquele frio típico que a gente tem, que dá o gatilho inicial para eles. Então, eles acabaram florindo um pouquinho mais tarde do que o usual”, pontuou. A bióloga alertou ainda que as mudanças climáticas tendem a deixar esses ciclos mais imprevisíveis. Entretanto, mesmo com o atraso, os registros da floração dos roxos já começaram a movimentar o mapa do aplicativo, que centraliza registros históricos e atuais de mais de mil árvores catalogadas no DF e até em outras regiões. 

Com o objetivo de garantir que a iniciativa continue ativa e recebendo atualizações, a idealizadora busca novos apoios. Manter a plataforma de forma independente tem sido um desafio, e o projeto está aberto a conversas para parcerias. “Eu estou procurando colaboração para o aplicativo, porque realmente para mim está difícil manter ele sozinha. A gente estava pensando ou em doação ou em patrocínio. Quem tiver interesse em fazer parceria, em colaborar, em contribuir, pode ficar super à vontade”, concluiu Paula.

Serviço

Para colaborar com o projeto, enviar sugestões de patrocínio ou obter mais informações sobre o aplicativo, entre em contato pelos canais oficiais:

ipesapp@gmail.com

Com informações do Jornal de Brasília

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