Os estudantes da rede pública e das escolas particulares retornaram para o segundo semestre do ano letivo de 2026. A volta às aulas do meio do ano tem um sabor diferente, pois é o retorno para as atividades que já estavam sendo aplicadas ao longo do ano, depois de um breve descanso. A equipe de reportagem do JBr conversou com diretores da rede pública e com pais e alunos para saber como está a expectativa para o retorno escolar.
Na rede pública, são cerca de 450.990 estudantes que retornam para as salas de aula, após o recesso escolar do meio do ano. Em Taguatinga, o diretor da Escola Classe 29, Erisevelton Lima, afirmou que a expectativa para o segundo semestre é a melhor possível, principalmente por todos os projetos que a unidade escolar vai desenvolver ao longo desta metade do ano letivo. A EC 29 recebe alunos de 6 a 11 anos, do 1º ao 5º ano. “Nós estamos consolidando um projeto que a gente começou no início do ano com foco no desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos alunos”, contou. A escola sempre cuidou de disciplinas tradicionais como história, geografia, matemática, português, ciência, arte, educação física, mas Erisevelton lembra que a educação das emoções se tornou um conteúdo obrigatório para o mundo atual.
Voz para as crianças e continuação do trabalho
A atual coordenadora regional de ensino de Taguatinga, Daniela Sousa dos Santos Freitas, explicou que o segundo semestre inicia as culminâncias dos projetos que foram realizados no primeiro semestre. “Agora nós temos a plenarinha, temos jogos escolares e muitas atividades que vão entrar nas suas culminâncias nesse segundo semestre.” Ela explicou que essa é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), com uma proposta pedagógica para a Educação Infantil e Anos Iniciais. “A ideia é dar voz e protagonismo para crianças pequenas. O nome vem de “plenária”, porque as crianças se reúnem, dialogam, votam e decidem juntas sobre temas do cotidiano da escola.”
Ela afirmou que a diferença do retorno para o segundo semestre com a volta às aulas do início do ano, é que no primeiro semestre tudo é novidade, já no meio do ano, é a continuação do que os alunos já começaram. “Eles passaram agora uns dias em casa descansando, mas por exemplo, aqui nós temos a Escola Classe 29, uma escola onde a gente percebe que todos são felizes e amam estar e os meninos já vêm ansiosos para retornar, reencontrar os professores e os amigos.” Ela deseja que este novo semestre seja leve e abençoado. “Para que a gente consiga chegar no final do ano só com coisas maravilhosas”, disse.
Transição das férias para a rotina escolar
O autônomo Elismar Alves Santana, 48 anos, é pai de Bento Luca, de sete anos, que estuda no EC 29. Ele considera que o retorno para o segundo semestre foi muito aguardado, principalmente por Bento. “Ele é muito focado, fica na expectativa, no primeiro dia de férias, já queria voltar para as aulas, porque ele é um garoto muito esforçado e dedicado.” Ele considera que a parceria que tem com a escola e com a família, faz com que a Bento se sinta à vontade de estar no ambiente escolar.
O pai de Bento considera que a volta para a rotina é tranquila devido ao amor que o filho tem pela escola. “Não precisamos estar cobrando dele, por ele ser proativo e tem interesse em dar continuidade ao trabalho na escola.” O estudante mesmo disse ao JBr que gostou de voltar para a escola e ver como ela ficou bonita. “Deu uma atualizada e ficou mais legal do que antes”, afirmou. Bento contou as férias foram muito legais e agora está pronto para estudar. “Esse foi o primeiro dia de aula, ainda tem muito mais para se viver na escola”, finalizou o pequeno Bento que sonha em ser cientista na NASA.
Foco no futuro

A atual secretária de Educação do Distrito Federal, Iêdes Braga, destacou em um evento de retorno das aulas, a relevância deste momento de transição e acolhimento para toda a comunidade escolar. Iêdes considera que pausa entre os períodos letivos é fundamental tanto para o descanso das famílias quanto para a recomposição dos educadores. Ela convidou os estudantes a aproveitarem ao máximo a oportunidade nesta nova etapa do ano: “E vocês têm um semestre inteiro para se dedicarem o máximo possível na escola, se empenharem em prestar atenção nos professores, a serem respeitosos com os professores, porque para todos vocês, essa etapa é muito importante, porque vai definir o futuro de cada um de vocês.”
A representante da pasta de educação salientou que a escola pública acolhe a cada um dos estudantes e deseja que este semestre seja um período para aprofundar os conhecimentos, internalizar mais as aprendizagens, e para preparar os alunos para o futuro. “A Secretaria de Educação se preocupa com cada um de vocês, estudantes, e com cada um dos servidores. Bem-vindos ao segundo semestre letivo de 2026.”
Fechamento de ciclos e retorno positivo
No Colégio Sigma, a diretora Thaynara Paiva, afirmou que a expectativa para o segundo semestre é de dar continuidade ao processo de aprendizagem iniciado ao longo do primeiro semestre, desta forma, os conhecimentos construídos pelos estudantes serão consolidados e vai ser possível retomar, de forma intencional, possíveis lacunas que tenham surgido nesse percurso. “Entendemos que este é um semestre de fechamento de ciclo, mas também de muitas oportunidades para fortalecer as aprendizagens e garantir que cada estudante avance de acordo com seu potencial”, comentou.
Ela apontou que este é um período muito rico de projetos no colégio. Um dos grandes destaques é o Sigma Mundi, que a diretora considera ser o maior evento de simulação da escola, ao reunir estudantes do Ensino Médio em debates sobre temas nacionais e internacionais, promovendo pensamento crítico, argumentação, liderança e protagonismo juvenil.
Ela percebe que o retorno dos estudantes à escola no segundo semestre já acontece de uma forma diferente que no primeiro semestre, pois eles já voltam adaptados à dinâmica escolar, com vínculos fortalecidos e felizes por reencontrar os colegas e professores. “É um retorno marcado pela continuidade do trabalho e pela consciência de que estamos entrando na reta final do ano letivo, momento importante para consolidar aprendizagens e concluir esse ciclo com qualidade.”
O primeiro dia do retorno do ano letivo para ela, foi muito positivo e cheio de energia. “Confesso que, quando percebemos, o dia já havia terminado — um sinal de que a escola voltou a pulsar com toda a intensidade que caracteriza o nosso cotidiano.”
Transição leve para evitar a ansiedade
Pensando na saúde mental dos estudantes no retorno do ano letivo, o JBr procurou conversar com especialistas no assunto. A psicóloga Regina Vera explicou como os pais e os alunos devem lidar com a volta às aulas após o intervalo das férias de julho, sem gerar ansiedade ou resistência nos primeiros dias.
Segundo ela, a retomada da rotina precisa ser gradual e realista. “É importante que pais e alunos não esperem voltar, no primeiro dia, ao mesmo ritmo do final do semestre anterior. Uma boa estratégia é começar a reorganizar os horários alguns dias antes do retorno às aulas, ajustando progressivamente o horário de dormir e de acordar, sem mudanças bruscas.” Ela acrescentou que o mais importante é que essa retomada não seja apresentada como uma cobrança ou uma punição pelo tempo de férias, mas como uma transição.
Para Regina, no segundo semestre, é comum observar mais cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações no sono, queda no rendimento, procrastinação ou perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas. Ela aponta que nem todo sinal de desmotivação significa necessariamente um problema emocional, mas mudanças persistentes no comportamento merecem atenção. Também é importante observar a intensidade e a duração desses sinais. “Um estudante pode estar apenas precisando de descanso e reorganização, mas um quadro persistente de sofrimento, ansiedade intensa, isolamento ou queda importante no funcionamento merece uma escuta mais cuidadosa e, quando necessário, o apoio de um profissional de saúde mental”, frisou.
Esse retorno do ano letivo precisa ser construído sem transformar os resultados anteriores em uma identidade, principalmente para os alunos que tiveram dificuldades no primeiro semestre. Para ela, o segundo semestre pode ser visto, não como uma corrida para compensar tudo o que não deu certo, mas como uma oportunidade de recomeço para os alunos. “Mais do que aumentar a pressão, o objetivo deve ser ajudar o estudante a recuperar o senso de capacidade, organização e confiança para seguir avançando”, finalizou.
Com informações do Jornal de Brasília

















