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Dia dos Pais no DF terá consumidor mais cauteloso e foco em pagamentos à vista

Por Débora Oliveira O Dia dos Pais, uma das datas mais importantes para o comércio brasileiro, deve movimentar o varejo do Distrito Federal em 2026, mas com uma característica nova, a busca por presentes mais baratos e por formas de pagamento que ajudem a preservar

Por Débora Oliveira

O Dia dos Pais, uma das datas mais importantes para o comércio brasileiro, deve movimentar o varejo do Distrito Federal em 2026, mas com uma característica nova, a busca por presentes mais baratos e por formas de pagamento que ajudem a preservar o orçamento familiar. Em meio aos juros elevados e ao aumento das despesas das famílias, o consumidor brasiliense demonstra maior cautela, enquanto lojistas ampliam promoções e condições especiais para pagamentos à vista.

A psicóloga Lana Vogel Caetano, de 47 anos, já sabia o que queria comprar e não teve dificuldades para escolher o presente. “Escolhi um relógio para o meu pai. É um acessório que ele adora e eu queria dar um novo modelo para ele. Foi fácil escolher, eu já tinha uma ideia do modelo que ele gosta”, afirmou. A compra foi realizada por meio do Pix.

Já a supervisora educacional Rosana Eulâmpio de Morais, de 51 anos, já resolveu a missão de comprar o presente que o filho dará ao pai. Ela escolheu roupas e conseguiu encontrar rapidamente o que procurava, mas decidiu parcelar a compra. “Vou dividir em duas vezes no crédito”, conta. A facilidade do parcelamento ainda pesa na decisão de muitos consumidores, mesmo diante das vantagens oferecidas para quem paga à vista.

A pesquisa do Instituto Fecomércio-DF mostra que 82,7% dos consumidores pretendem comprar presentes para a data. Entre os empresários, 54,4% esperam vendas superiores às do ano passado, com projeção média de crescimento de 10,5%, enquanto 41,8% acreditam repetir o desempenho de 2025. Apenas 3,8% preveem queda nas vendas.

Apesar do otimismo, o gasto médio será menor. O ticket médio estimado caiu de R$ 240, em 2025, para R$ 172 neste ano, uma redução de 28,3%, indicando que o volume de compras deve crescer, mas com presentes de menor valor e maior comparação de preços.

Foto: Débora Oliveira/Jornal de Brasília

Para o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, o comportamento do consumidor reflete um cenário de atividade econômica aquecida, mas também de maior disciplina financeira.

“O crescimento acumulado de 7% no comércio e de 10% nos serviços do Distrito Federal, entre janeiro e maio, mostra que a atividade econômica permanece aquecida. A elevada intenção de presentear e a expectativa positiva dos empresários reforçam esse cenário. Ao mesmo tempo, a redução do ticket médio revela um consumidor mais atento ao orçamento, diante dos juros elevados e dos compromissos financeiros das famílias. A expectativa é de uma data movimentada, impulsionada pelo volume de compras, pelas promoções e pela diversidade de produtos e preços”, afirma.

A preferência por modalidades de pagamento com desembolso imediato também aparece nas estratégias dos comerciantes. Segundo a pesquisa, 59,5% dos estabelecimentos pretendem adotar ações específicas para o período, com destaque para promoções, divulgação, kits de produtos e, principalmente, condições especiais para pagamentos à vista. A intenção é atrair consumidores que desejam evitar o acúmulo de parcelas e aproveitar descontos imediatos.

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Na prática, embora o cartão de crédito ainda seja a principal forma de pagamento, com 38,8% das preferências, o Pix (23,3%), o cartão de débito (20,1%) e o dinheiro (17,8%) somam mais de 60% das intenções de compra, o que reforça a relevância dos pagamentos à vista no comportamento do consumidor brasiliense.

As roupas e acessórios lideram a lista de presentes mais procurados, com 24,2% das intenções de compra, seguidos por cosméticos e perfumes (15,6%) e calçados e acessórios (13%). As compras devem se concentrar principalmente nos shopping centers (32,6%) e no comércio de rua ou de bairro (26,4%), enquanto a internet responderá por 18,6% das aquisições.

O avanço das compras virtuais, entretanto, traz um alerta. O presidente da Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de Operações Financeiras e Bancárias (ABRADEB), Raimundo Nonato, afirma que datas comemorativas costumam ser acompanhadas por um aumento expressivo de golpes aplicados por meio de sites falsos, anúncios enganosos e links fraudulentos.

“Datas comemorativas costumam atrair a ação de golpistas porque há um aumento significativo nas compras pela internet. Promoções muito vantajosas e promessas de entrega rápida devem ser analisadas com cautela, principalmente quando o consumidor não conhece a empresa”, alerta.

A recomendação é verificar a reputação da loja, acessar apenas o site oficial da empresa, confirmar se o endereço eletrônico é verdadeiro e evitar pagamentos solicitados fora dos canais habituais. Caso ocorra uma fraude, a orientação é comunicar imediatamente a instituição financeira, registrar boletim de ocorrência e reunir todos os comprovantes da compra.

Além dos golpes, a advogada especialista em direito do consumidor Sarah Trindade lembra que o aumento da demanda costuma elevar também as reclamações por atraso na entrega, produtos com defeito, dificuldades para troca e descumprimento de ofertas.

Ela ressalta que, nas compras realizadas pela internet, o consumidor tem direito de arrependimento no prazo de sete dias após o recebimento do produto, sem necessidade de justificar a desistência, e que o custo da devolução deve ser arcado pelo fornecedor. Também recomenda guardar nota fiscal, anúncios, comprovantes e registros de atendimento para facilitar eventual reclamação junto ao Procon ou ao Judiciário.

Com informações do Jornal de Brasília

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