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DF é a terceira unidade da federação menos violenta, mas feminicídios ainda preocupam

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Mesmo com um aumento de 5,8% nas Mortes Violentas Intencionais (MVI), o Distrito Federal é a terceira unidade da federação com menos mortes violentas no ano passado, com uma taxa de 9,6 por 100 mil habitantes. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento destaca também o número de feminicídios, que cresceu tanto no país como um todo, quanto no DF.

Completam o ranking das menores taxas de mortes violentas São Paulo (7,8) e Santa Catarina (7,6). Em números absolutos, na comparação entre 2024 e 2025, foram 17 mortes violentas intencionais a mais no DF, de 270 para 287. Apesar do aumento, a capital federal possui uma taxa menor do que a nacional (19,1 por 100 mil habitantes). 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), esse resultado demonstra a consistência da política de segurança pública desenvolvida no DF, baseada na integração entre as forças de segurança, inteligência, planejamento e monitoramento permanente dos indicadores. Segundo a pasta, o aumento pontual registrado pelo Anuário não altera essa realidade. “Cada morte é motivo de preocupação e análise, por isso trabalhamos continuamente para identificar fatores específicos e aperfeiçoar as estratégias de prevenção e repressão qualificada”, indica a SSP-DF.

A secretaria reforça que o DF, em 2025, teve a segunda menor taxa de letalidade da série histórica, medida desde 1977, atrás apenas do ano de 2024 quanto ao número de vítimas. “Esta pequena variação ocorreu em virtude de ocorrências como o incêndio criminoso em uma clínica clandestina de reabilitação e das mortes provocadas em determinado hospital particular no ano de 2025. Neste sentido, em que pese a metodologia aplicada pelo Fórum divergir em números absolutos, o aumento realmente ocorreu conforme relatado”, complementa a pasta.

Os casos citados pela SSP-DF remetem ao incêndio que vitimou cinco pessoas na clínica Liberte-se, localizada no Paranoá, e às mortes de três pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga, as quais três técnicos de enfermagem são réus acusados de cometê-las propositalmente. A pasta ainda afirma que já no primeiro semestre de 2026, conforme dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Públic (SINESP) do Ministério da Justiça, DF retomou os melhores números de toda a série histórica, com diminuição significativa dos crimes letais e intencionais, posicionando Brasília como a capital mais segura do país.

Número alarmante de feminicídios

Em 2025 foi contabilizado um total de 1.571 vítimas de feminicídios no Brasil, com uma taxa de 1,4 casos por 100 mil mulheres. “Mesmo diante da queda dos homicídios em geral, os feminicídios continuam crescendo. O estudo sustenta que os limites das medidas exclusivamente repressivas tornam necessária uma agenda baseada em prevenção, intervenção precoce e monitoramento dos fatores de risco, especialmente diante da persistência da violência doméstica e do aumento do descumprimento das medidas protetiva”, destaca o Anuário.

Seguindo a tendência nacional, no DF também houve aumento no número de feminicídios ao comparar 2024 e 2025. No ano retrasado, foram registrados 22 casos, e no ano passado, 29. É um aumento de 31,1% de acordo com o Anuário. “O DF, inclusive, é um estado que, de 2024 para 2025, teve um aumento de todas as taxas dos nove crimes contra a mulher aqui analisados”, diz o documento. A SSP-DF afirma que o enfrentamento à violência contra a mulher permanece como uma das prioridades da segurança pública na capital. 

“O feminicídio é um crime complexo, frequentemente precedido por um histórico de violência doméstica, e sua prevenção depende da atuação articulada entre segurança pública, sistema de justiça e rede de proteção. O DF tem fortalecido programas de monitoramento de agressores, do Programa Viva Flor, do Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP), da ampliação das medidas de proteção e do acompanhamento permanente dos casos de maior risco. Nosso compromisso é seguir aprimorando essas políticas para proteger vidas e reduzir cada vez mais esses crimes”, destaca a pasta.

DF sofre com crimes de estelionato

O Anuário também aponta que há um quadro “extremamente preocupante” de crescimento dos estelionatos, tanto os tradicionais quanto os praticados em ambiente digital, os conhecidos golpes. A magnitude desse aumento ajuda a explicar por que os golpes se tornaram o crime que mais desperta medo entre os brasileiros: 83,2% da população no Brasil afirma temer ser vítima de uma fraude pela internet ou pelo celular.

O DF surge no levantamento como a segunda unidade da federação com mais registros de crimes de estelionato em 2025. A capital federal aparece com uma taxa de 1.717,0 registros de estelionato por 100 mil habitantes, atrás apenas de São Paulo (1.808,3). Foram 51.457 ocorrências desse crime no DF no ano passado. Segundo a SSP-DF, o crescimento do estelionato é um fenômeno nacional impulsionado, principalmente, pela expansão dos crimes praticados em ambiente digital.

“O Distrito Federal acompanha essa tendência e tem investido na modernização das investigações, na capacitação das equipes especializadas, na atuação integrada com instituições financeiras e plataformas digitais e, principalmente, em campanhas de orientação para a população. O combate a esse tipo de crime exige uma atuação cada vez mais tecnológica e integrada, acompanhando a rápida evolução das modalidades criminosas”, pontua a pasta.

Dados nacionais

O Brasil teve 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma redução de 8,2% em relação a 2024 e a menor taxa desde 2012, com 19,1. As unidades da federação com as maiores taxas de MVI por 100 mil habitantes foram Amapá (42,5), Bahia (36,8) e Ceará (34,7). A cidade mais violenta do Brasil em 2025 foi Maranguape (100,3), no estado do Ceará.

Em contrapartida, o número de feminicídios aumentou no país. Foram 1.571 vítimas em 2025, aumento de 4,0% em relação a 2024. 96,4% dos feminicídios com autoria identificada foram cometidos por homens, sendo que 60,9% eram parceiros íntimos, 18,9% ex-parceiros e 12,1% familiares. 62,5% das mulheres vítimas de feminicídios em 2025 foram mortas na residência. Os lares também ficaram mais violentos para as mulheres, foram 286.270 registros de agressões decorrentes de violência doméstica, um aumento de 2,6%. Outros indicadores de violência contra mulheres também cresceram, como stalking (30,1%); ameaças (0,5%); tentativa de feminicídio (5,9%); descumprimento de medida protetiva de urgência (16,7%); e violência psicológica (16,7%).

Os estelionatos se consolidaram como o principal crime patrimonial. Foram 258 golpes por hora no ano passado, atingindo um número de 2.261.055 registros em 2025. O número representa um aumento de 2,7% em relação a 2024. Foram 63.771 processos penais relacionados ao crime e 4.819 presos por estelionato. Houve uma redução de todos os indicadores de roubo no Brasil: veículo (-20,6%); transeunte (-23,4%); estabelecimento comercial (-18,3%); instituição financeira (-35,5%); residência (-19,9%); e carga (-19,8%).

Com informações do Jornal de Brasília

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