Empreender é, diariamente equilibrar planejamento, inovação e capacidade de adaptação. No Distrito Federal, milhares de empresários movimentam a economia, geram empregos e acompanham de perto as mudanças no comportamento do consumidor para manter os negócios competitivos. Neste Dia do Comerciante, celebrado em 16 de julho, o setor tem motivos para comemorar, os indicadores apontam um cenário de crescimento, sustentado pelo aumento da renda das famílias, pela redução do desemprego e pela recuperação do poder de compra dos brasilienses.
Levantamentos da Fecomércio-DF mostram que o comércio local atravessa um momento de fortalecimento, impulsionado também pelo desempenho do setor de serviços, que mantém forte integração com o varejo. Dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) revelam que, no acumulado dos últimos 12 meses, o segmento registrou crescimento de 8,6% no Distrito Federal, quase o triplo da média nacional, de 2,9%. No varejo, o avanço das vendas acompanha a maior confiança dos consumidores e o crescimento da massa salarial, fatores que têm mantido o mercado aquecido ao longo de 2026.
Os números refletem diretamente no desempenho de diversos segmentos. Áreas ligadas à tecnologia lideram a expansão, com alta de 43% nas vendas de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação. Também se destacam os artigos de uso pessoal e doméstico, com crescimento de 31,3%, além dos setores farmacêutico, médico e ortopédico, que avançaram 13,2%. No varejo ampliado, o comércio de veículos e motocicletas cresceu 12,1%, enquanto, nos serviços, atividades como alimentação fora do lar, eventos e turismo seguem impulsionando a retomada do consumo presencial. Em entrevista ao Jornal de Brasília, o presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido da Costa Freire, avalia o atual momento vivido pelo comércio brasiliense. Segundo ele, o comércio do Distrito Federal vive um momento de forte dinamismo e consolidação. “A melhora das condições de renda locais, a redução do desemprego e o fortalecimento do poder de compra das famílias brasilienses têm sido fundamentais para manter o ritmo de consumo aquecido na capital federal. O comércio local tem demonstrado uma enorme resiliência, superando os desafios macroeconômicos e se adaptando rapidamente às novas demandas de consumo”, pontua José Aparecido.
Apesar do cenário positivo para o comércio do Distrito Federal, empreender continua exigindo planejamento, criatividade e capacidade de adaptação. No setor de alimentação e bebidas, um dos segmentos que acompanham a retomada do consumo presencial, empresários ainda lidam com desafios como a formação de equipes qualificadas, a manutenção do padrão de atendimento e a necessidade constante de acompanhar as mudanças no comportamento do público.
Para Arthur Junior, sócio do Boteco Boa Praça, o movimento em 2026 tem correspondido às expectativas e ganhou impulso em períodos específicos, como durante a Copa do Mundo. Segundo o empresário, o consumidor manteve o ritmo de gastos, mas a busca por experiências diferenciadas tem sido cada vez mais importante para atrair e fidelizar clientes.
Entre os principais desafios para manter o negócio competitivo, ele destaca a dificuldade de formar e reter bons profissionais. “Ter bons funcionários e formar um bom time é, sem dúvida, o maior desafio. Além do alto nível de exigência do mercado, é necessário investir continuamente em treinamento, desenvolvimento e acompanhamento da equipe para garantir um padrão de qualidade, engajamento e excelência no atendimento”, afirma.
Para conquistar o público em meio à concorrência, o estabelecimento tem apostado em uma combinação de experiências presenciais e estratégias digitais. A programação musical semanal, os eventos temáticos e ações como o happy hour de terça a quinta-feira e as feijoadas aos finais de semana fazem parte da estratégia para movimentar a casa. “Temos diversos diferenciais, entre eles nossa programação musical, que muda mensalmente e mantém o padrão de qualidade, além das ações especiais que divulgamos por meio do marketing”, explica.
Com a proximidade das principais datas comemorativas do segundo semestre, a expectativa do empresário é de crescimento nas vendas. Para Arthur, o período de festas de fim de ano deve ser um dos mais importantes para o segmento, especialmente pela realização de confraternizações e eventos corporativos. O estabelecimento, que funciona há quase três anos em Brasília e integra o grupo Life Nino, holding de gastronomia que também administra o Restaurante Nino na capital, projeta uma reta final de ano positiva.
Ao olhar para a trajetória no comércio, o empresário destaca que a principal lição aprendida é a necessidade de inovação constante. “O comércio é bastante variável. Se você não se inovar, não escutar o cliente e não se adaptar, você fica para trás”, pontua Arthur.
Outro setor que tem ganhado força no Distrito Federal é o de bem-estar, impulsionado por uma mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a buscar não apenas serviços pontuais, mas experiências relacionadas à saúde, qualidade de vida e equilíbrio entre corpo e mente. Segundo o Global Wellness Economy Monitor 2025, a economia global do bem-estar movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024 e deve manter um crescimento anual de 7,6% até 2029, ritmo superior ao avanço projetado para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
Em Brasília, negócios voltados ao esporte, saúde e qualidade de vida acompanham essa transformação. Para Luis Otávio Calvino, diretor do Clube Coat, o público está cada vez mais interessado em um modelo integrado de cuidados, que vai além da prática esportiva tradicional. “Percebemos um movimento claro de Brasília em direção a um estilo de vida mais integrado. As pessoas não querem mais só treinar, querem um ecossistema de bem-estar”, afirma. Segundo ele, áreas como recuperação física e programas voltados para a terceira idade cresceram justamente porque os consumidores passaram a enxergar a saúde de forma mais ampla, não apenas pelo aspecto estético.
Manter um complexo com diferentes frentes de atuação, no entanto, exige uma gestão cada vez mais estratégica. O Clube Coat reúne atividades como academia, lutas, serviços infantis, eventos, coworking, restaurante, recovery, loja de roupas e suplementos, além de fisioterapia. De acordo com Calvino, o principal desafio está em equilibrar a complexidade operacional de cada unidade de negócio sem comprometer a qualidade dos serviços oferecidos. “Cada área tem sua própria dinâmica de custo, equipe e demanda. Equilibrar isso com uma gestão financeira saudável, especialmente em um cenário econômico desafiador, é o mais difícil”, explica.
Outro ponto destacado pelo empresário é a busca por profissionais qualificados, especialmente em áreas técnicas, como educação física e recuperação especializada. A dificuldade em encontrar pessoas alinhadas ao padrão de atendimento esperado fez com que a empresa revisasse processos internos de contratação e capacitação. “O que realmente sustenta a retenção é a experiência dentro do clube: um ambiente familiar, serviços que se conversam entre si e um atendimento próximo, que faz o cliente se sentir parte de uma comunidade, não apenas um número de matrícula”, destaca.
No segmento de moda, a trajetória da empreendedora Suely Martins, proprietária da Clássico Closet, representa a capacidade de adaptação que marca a rotina de muitos comerciantes do Distrito Federal. Há mais de uma década à frente do negócio, iniciado em 2009, ela acompanhou as transformações do mercado e ajustou a operação conforme as novas demandas dos consumidores. A loja, especializada em roupas clássicas, sapatos e acessórios, já passou por diferentes formatos, incluindo espaço em shopping, vendas pelo comércio eletrônico e o modelo de “malinhas”, levando as peças até as clientes.
Para Suely, um dos principais desafios de empreender no setor de vestuário está no equilíbrio financeiro diante dos custos fixos e da necessidade constante de investimento em estoque. Segundo ela, o segmento exige planejamento, já que a compra de produtos representa uma parcela significativa da operação. Após um primeiro semestre de vendas mais retraído, influenciado também pela mudança de ponto comercial, a expectativa é de recuperação nos próximos meses. “O segundo semestre costuma ser melhor para o comércio, principalmente por causa de datas como Black Friday e Natal, quando o consumidor se prepara para aproveitar oportunidades e as empresas entram com campanhas especiais”, explica.
A experiência da empresária também reflete uma das principais mudanças vividas pelo comércio nos últimos anos: a integração entre o físico e o digital. Para a Fecomércio-DF, o comércio eletrônico deixou de ser apenas um canal complementar e passou a ocupar um papel estratégico para as empresas, exigindo investimentos em tecnologia, logística, marketing digital e novas formas de relacionamento com o cliente. A transformação, segundo a entidade, também abriu oportunidades para pequenos e médios negócios ampliarem seu alcance e conquistarem consumidores além das fronteiras locais.
Apesar dos desafios, o empresariado do Distrito Federal mantém uma perspectiva positiva para o segundo semestre. Dados do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), indicam que os comerciantes seguem confiantes quanto à evolução dos negócios e mantêm planos de investimento, ampliação de estoques e contratação.
Para o presidente da Fecomércio-DF, fortalecer o ambiente de negócios é fundamental para que os empreendedores continuem contribuindo para o desenvolvimento econômico da capital. “Neste Dia do Comerciante, reafirmamos o compromisso do Sistema Fecomércio-DF, do Sesc e do Senac em apoiar e defender quem empreende. Seguiremos firmes na interlocução com o poder público para garantir um ambiente de negócios favorável, menos burocrático e com segurança jurídica, permitindo que nossos comerciantes continuem gerando emprego e renda para o desenvolvimento do Distrito Federal”, afirma.
Com informações do Jornal de Brasília

















