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Por proposta de Ricardo Quirino, Alego homenageia voluntários no atendimento a menores em ressocialização

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Foto: Helleenn Reis

Sessão solene extraordinária em homenagem ao grupo universal socioeducativo e voluntários e entrega de Certificado do Mérito Legislativo

Uma noite de agradecimento e de retribuição a pessoas que cuidam de outras pessoas. Essa foi a tônica da sessão solene extraordinária realizada na noite dessa quinta-feira, 17, para entrega do Certificado de Mérito Legislativo a voluntários do grupo Universal Socioeducativo e agentes do sistema socioeducativo. A solenidade foi proposta pelo deputado Ricardo Quirino (Republicanos), em reconhecimento ao trabalho espiritual e social que os voluntários do grupo desempenham na recuperação dos jovens que cumprem medidas socioeducativas.A sessão solene contou com a presença do juiz do segundo juizado da Infância e Juventude das Causas Infracionais e Questões Administrativas Afins, Rodrigo de Melo Brustolin, da superintendente do Sistema Socioeducativo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, Kérima Ferreira Sobrinho, do diretor-geral adjunto de administração penitenciária, Firmino José Alves, do responsável pelo trabalho socioeducativo do Grupo Universal, pastor Marinho Souza da Paixão, e do presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Socioeducativo, Roberto Condé.

No início da solenidade foi exibido vídeo institucional que mostra o trabalho do Grupo Universal Socioeducativo nos Centros de Atendimento Socioeducativos (Case).

Em seu discurso, Quirino lembrou que a reinserção, seja para quem for e onde for, é difícil. E reconheceu que o Estado é o ente responsável por fazer cumprir a lei, que é dura. Para ele, a parceria com entidades religiosas se faz essencial para um trabalho que as mãos humanas não podem fazer. “O Estado cuida, dá toda atenção, toda oportunidade para que o jovem que cometeu ato infracional e ali está, possa pensar uma vida diferente daquela que o levou a estar no sistema de internação, mas há algo maior que simplesmente a carne, as atitudes.”

O legislador disse que quando o jovem deixa o sistema, ele enfrenta três grandes desafios, Primeiro, a falta de reconhecimento da sociedade que ele cumpriu uma medida e está voltando com um pensamento diferente. O segundo desafio é convencer a própria família que ele mudou e o terceiro está dentro deles mesmo, se convencerem de que aquilo é passado, que as marcas podem ser apagadas e eles podem viver em paz com a sociedade.

“É aí que entra o trabalho dos religiosos que fazem o trabalho de assistência emocional e espiritual, porque trabalham dentro da alma. Então se faz muito importante esse reconhecimento aos voluntários da igreja e aos servidores do sistema, porque são pessoas que dedicam suas vidas, debaixo de preconceito, de não reconhecimento da sociedade, de não reconhecimento de várias autoridades. Quero parabenizar vocês. Continuem nessa luta!”, encorajou o deputado.

Em seguida, o pastor Marinho Souza da Paixão fez uso da palavra. E disse que o trabalho dos voluntários se resume a uma coisa só: recuperar o jovem, reintegrando-o de volta não só para a sociedade. “Alguns jovens conseguem voltar às suas famílias, para o trabalho, porém quando isso acontece sem Deus, a possibilidade desse jovem voltar ao submundo do crime é muito maior. Nosso suporte é espiritual, é 100% garantido, uma vez ele saindo, ele vai dar continuidade a uma vida íntegra, reta.”

O religioso disse ainda que muitos jovens querem sair da vida errática, mas que não sabem como. E quando ele encontra um voluntário que tem a intenção de ajudá-los a se libertar, espiritualmente, das drogas e do mundo do crime, elee acreditam que tem alguém que pode ajudá-los. “É por isso que um dos nossos slogans é ‘Nós acreditamos no recomeço’, porque nós acreditamos mesmo que eles podem recomeçar sim, com Deus”, afirmou.

O juiz Rodrigo Melo também reconheceu o trabalho dos voluntários que, segundo ele, auxiliam não só o Poder Judiciário, mas também as famílias dos socioeducandos. Melo disse que testemunha, diariamente, a atuação dos servidores e, especialmente, dos que trabalham voluntariamente na causa de ressocializar os menores que cometeram alguma infração.

O magistrado afirmou que, hoje, cada reeducando que deixa o sistema e volta para casa, tem certeza que sai melhor do que entrou. “Isso, graças ao trabalho de todos, servidores e voluntários. De nossa parte, vemos cada adolescente não como um processo, mas como uma pessoa, que merece atenção individualizada. Todos os meses estamos lá no Case, conhecemos a situação de cada um que está lá. E estou certo que a ajuda de todos é fundamental.”

Kérima Ferreira Sobrinho foi na mesma linha, de parabenizar o trabalho desenvolvido pelo grupo. Ela disse acreditar no poder da fé, que é capaz de mudar o destino dos jovens. E afirmou que já viu adolescentes mudarem de vida, através do esporte, da educação e também pela religião, mas acredita que o mais importante é a união de forças em prol dessa transformação.

A gestora disse que os adolescentes do sistema socioeducativo não têm só Rodrigo julgando eles, mas há muitas pessoas julgando, todos os dias, todos os momentos. “E o trabalho que faz mudar a vida deles é em rede, um trabalho de todos nós. Muitas vezes não foi possível em casa, mas quando eles chegam ao sistema, todos os direitos são garantidos. Em seguida, vem o trabalho das iIgrejas, da assistência social, dos municípios. É esse trabalho em conjunto que faz toda a diferença na vida desses adolescentes”, assegurou.

Em seguida, a voluntária Liliane dos Santos Laranjeira recebeu o Certificado do Mérito Legislativo, para, em seguida, fazer uso da palavra em nome dos homenageados. A empresária lembrou que a maioria das pessoas que não conhece o trabalho, não consegue compreender porque elas saem de suas casas, de suas famílias, para visitarem pessoas que a sociedade rejeita, pelos crimes que cometeram.

“Os voluntários são usados por Deus. Nós estamos lá por amor às almas, aquele cuidado com as pessoas que a gente não conhece, mas por quem temos o prazer de orar por elas, de conversar, de entender o porquê de estarem ali. Então, eu me sinto privilegiada por fazer parte dessa obra”, resumiu Liliane.

O trabalho

Todas as semanas um grupo de voluntários do grupo Universal Socioeducativo visita os Centros de Atendimento Socioeducativo, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, que atendem jovens que cometeram atos infracionais e estão cumprindo medidas socioeducativas.

Os voluntários prestam atendimento aos menores e às suas famílias, especialmente nos aspectos emocional e espiritual, mas também em outras áreas, como na assistência alimentar, no encaminhamento para o mercado de trabalho ou para cursos de qualificação.

O grupo ganhou notoriedade no Brasil por suas ações espirituais e sociais com menores de idade que cumprem medidas socioeducativas. Atualmente, as atividades desenvolvidas com os jovens são realizadas por 3 mil voluntários em 360 unidades socioeducativas das 476 existentes em todo o Brasil.

Hoje, em Goiás, cerca de 150 menores estão nas seis unidades da Case, geridas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social.

Agência Assembleia de Notícias

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