Há histórias de vida que se misturam com a do próprio lugar onde foram construídas. A de Cosete Ramos é uma delas. Aos 17 anos, ela trocou o Rio de Janeiro pelo Planalto Central para acompanhar a família na transferência da capital federal. Da “Garota de Ipanema” à dedicada “Garota do Planalto”, construiu sua trajetória no Distrito Federal e, hoje, aos 85 anos, carrega um sonho otimista: transformar Brasília na capital da felicidade.
Filha de Ruy Ramos, então deputado federal pelo Rio Grande do Sul, a educadora participou do baile de inauguração da cidade no Palácio do Planalto. A lembrança do evento continua viva. A foto com o vestido branco usado naquela noite permanece guardada com carinho em sua residência.

“Esse vestido eu vesti no dia 21 de abril de 1960, no dia da inauguração de Brasília, o presidente JK e a dona Sarah [Kubitschek] fizeram um baile lindo no Palácio do Planalto. Tinha mais de dois mil convidados. Usei este vestido branco que eu nunca esqueci. Essa é a primeira das minhas memórias”, conta emocionada diante do retrato emoldurado.
Cosete esteve entre as primeiras alunas a integrar a turma do Centro de Ensino Fundamental Caseb. Formou-se como normalista e foi a oradora da turma. Durante a cerimônia, o presidente Juscelino Kubitschek se emocionou com suas palavras e deixou uma mensagem gravada em papel, hoje também exposta na parede de sua casa.
“Como eu era muito animada, falei sobre a beleza de Brasília. Quando terminei, JK estava com lágrimas nos olhos e escreveu um recado dizendo que olhava mais tranquilo para o destino da educação no Planalto”, relembra.
O gesto do presidente impulsionou sua vocação para a educação. Cosete graduou-se em Pedagogia pela Universidade de Brasília (UnB), onde mais tarde lecionou. Tornou-se uma das primeiras professoras da Escola Normal de Brasília, atuou por 25 anos em funções técnicas e administrativas no Ministério da Educação (MEC) e publicou mais de 60 livros na área.
Amor pela capital e o sonho da felicidade
Sem deixar de lado o espírito educador, Cosete sentiu a necessidade de expandir sua atuação. Em 2017, fundou a Aliança das Mulheres que Amam Brasília (AMA Brasília), com o objetivo de reunir lideranças femininas em prol da cidade.


“Fui convidada para participar de grandes movimentos femininos, mas depois eu resolvi que estava na hora criar alguma coisa nossa, que a gente quisesse, que não fosse internacional”, explica. Atualmente, o grupo reúne cerca de 100 integrantes.
Em 2022, a educadora idealizou o Movimento Brasília Capital da Felicidade, projeto que define como uma “inspiração divina”. Em busca de referências, viajou a Nova York para estudar os índices de felicidade medidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa foi abraçada pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do DF (Codese-DF), que incorporou cerca de 14 programas sobre o tema.
“Eu vim para Brasília com muita muita gana de fazer a diferença, sabe? Porque a gente queria trazer o Brasil se voltar para o seu interior. Era importante, como está provado, que é importante”, conclui.
Da Redação A Politica Em Foco com Informações do Jornal de Brasília



