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Desistência, documentos e versão oficial: FPF explica como o Parazão escapou de paralisação

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Retirada formal do Independente da Justiça comum e petição conjunta com a FPF encerraram o risco imediato ao Campeonato Paraense; federação nega acordo e sustenta solução construída por mediação institucional

A desistência do Independente de Tucuruí da ação judicial que ameaçava o início do Campeonato Paraense de 2026 foi confirmada por documentos obtidos com exclusividade pelo LeoDias Esportes, mas a Federação Paraense de Futebol nega que o desfecho tenha envolvido qualquer acordo entre as partes. Em declaração à reportagem, o presidente da FPF, Ricardo Gluck Paul, afirmou que o encerramento do impasse ocorreu por meio de diálogo institucional e avaliação jurídica, e sustentou que a competição nunca esteve sob risco real de paralisação, apesar da decisão da Justiça comum que havia anulado um julgamento do STJD.

A desistência ocorreu após dias de instabilidade fora de campo, provocados pela anulação, na Justiça comum, de um julgamento do Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que havia confirmado o rebaixamento do Independente no Campeonato Paraense de 2025. A decisão judicial recolocou o caso em aberto às vésperas do início do estadual, reacendendo disputas esportivas já consideradas encerradas no âmbito da Justiça Desportiva.

Veja as fotos

Ricardo Gluck Paul, presidente da FPF e vice-presidente da CBFRicardo Gluck Paul, presidente da FPF e vice-presidente da CBF/Reprodução/CBF

Reprodução

Claudio Vagner, presidente do Bragantino do ParáReprodução


Com a retirada da ação, o Parazão foi iniciado normalmente no último fim de semana, encerrando o principal foco de insegurança jurídica da competição.

O que mostram os documentos do processo

As peças às quais a reportagem teve acesso confirmam que o Independente protocolou a desistência da ação judicial e do pedido de suspensão do campeonato, ato realizado de forma conjunta com a FPF. No mesmo movimento, houve a revogação da procuração do advogado que conduzia o processo e a entrada de um novo patrono, responsável por formalizar a retirada da demanda.

A documentação analisada indica que a desistência foi suficiente para encerrar os efeitos práticos da decisão da Justiça comum que havia anulado o julgamento do STJD, retirando do cenário imediato qualquer risco de paralisação do Campeonato Paraense.

Federação nega acordo e fala em mediação

Procurado pelo LeoDias Esportes, o presidente da Federação Paraense de Futebol, Ricardo Gluck Paul, negou que tenha havido acordo entre a entidade e o Independente para a retirada da ação. Segundo ele, o desfecho foi resultado de diálogo institucional e de avaliações jurídicas apresentadas ao clube.

“Não houve acordo, não há acordo. Não foi feito um acordo com o Independente. O que existiu foi diálogo, mediação e convencimento sobre caminhos que entendíamos, em conjunto, que precisavam ser tomados”, afirmou.

Gluck também afirmou que, internamente, a federação nunca considerou concreta a possibilidade de paralisação do Parazão, mesmo após a decisão da Justiça comum que anulou o julgamento do STJD.

“Em nenhum momento a federação trabalhou com a possibilidade de paralisação da competição. Pela nossa análise jurídica, aquela decisão tinha falhas insanáveis. Um exemplo é que a CBF não foi citada no processo, sendo que o STJD é um órgão da CBF. Isso, por si só, já anularia a decisão”, explicou.

Segundo o presidente, a própria magistrada responsável pela sentença teria reconhecido a existência de prazos recursais e a possibilidade de reversão da decisão.

Crítica à ida precoce à Justiça comum

Nos áudios enviados à reportagem, Ricardo Gluck também fez críticas à estratégia jurídica adotada pelo Independente ao acionar a Justiça comum antes do esgotamento das instâncias da Justiça Desportiva.

“A escolha da Justiça comum é muito dura. Os estatutos da CBF e da Fifa proíbem esse caminho sem o esgotamento da esfera esportiva. O advogado do Independente pulou etapas, e isso poderia trazer consequências gravíssimas ao clube”, disse.

De acordo com Gluck, ainda cabiam recursos dentro do próprio STJD e, posteriormente, no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), o que, na avaliação da federação, tornava prematura a judicialização fora do sistema esportivo.

Exclusivas, bastidores e desfecho

A desistência do Independente encerra um dos episódios mais sensíveis do futebol paraense nos últimos anos, que envolveu clubes, tribunais esportivos, a Justiça comum e colocou em xeque o calendário estadual às vésperas do início da competição.

Como mostrou o LeoDias Esportes em reportagens exclusivas anteriores, a anulação de um julgamento do Pleno do STJD por decisão da Justiça comum é considerada rara no futebol brasileiro e gerou apreensão nos bastidores, com temor de efeitos em cadeia sobre competições nacionais em 2026 e 2027.

Com a retirada formal da ação, o Campeonato Paraense teve sua largada preservada. O mérito esportivo do caso, no entanto, segue restrito às instâncias próprias da Justiça Desportiva.

O LeoDias Esportes mantém espaço aberto para manifestações do Independente de Tucuruí, do STJD e de quaisquer outras partes citadas.

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