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Crítica: Charli XCX estreia bem no cinema com o divertido e bagunçado “The Moment”

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Com direito a referência a Taylor Swift, longa da A24 com 365 Studios brinca com um mockumentary da era “Brat”

O que acontece quando o esquisito vira popular? Essa é a reflexão que Charli XCX propõe em “The Moment”, sua estreia nos cinemas com um mockumentary (uma comédia feita a partir de um falso documentário, como em “The Office”). Esquisito e cambaleante, o filme molha os pés na discussão e se perde no caminho, mas ainda diverte bastante, principalmente os fãs da artista britânica, ou até mesmo de qualquer cantora pop.

Em “The Moment”, Charli está sendo pressionada a manter o “Brat Summer” vivo, um fenômeno que tomou conta da internet e das paradas em 2025. Prestes a ir para a estrada com uma agenda de shows, a gravadora planeja também um filme da turnê. Divergências criativas tomam conta e aí se cria o conflito que vai tomar boa parte da história.

Veja as fotos

Charli XCX estreou no cinema com o filme “The Moment”Crédito: Reprodução

Crédito: Reprodução

Charli XCX estreou no cinema com o filme “The Moment”Crédito: Reprodução

Crédito: Reprodução

Charli XCX estreou no cinema com o filme “The Moment”Crédito: Reprodução

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Charli XCX estreou no cinema com o filme “The Moment”Crédito: Reprodução

Crédito: Harley Weir

Charli XCX estreou no cinema com o filme “The Moment”Crédito: Harley Weir


Para quem acompanha a carreira da inglesa de perto há anos, como o meu caso, foi interessante ver o que ela pensa sobre seu próprio trabalho e o conceito da era “Brat”. Como pontuado no começo deste texto, Charli sempre foi uma artista que nadou contra a maré e foi capaz de criar um movimento oposto ao mainstream. Com a viralização, o que é indie e o que é popular? Esse dilema também assola a cantora no filme, e traz discussões interessantes.

O problema? Nunca passa disso! A produção tem breves passagens com alguns conceitos soltos, sem amarrar muito bem, apesar da cena final ser hilária e representar bem a ideia.

Agora vamos falar do que funciona bem em “The Moment”: o humor. Sarcástica e autodepreciativa, Charli acerta o tom ao fazer uma paródia de si mesma. A fotografia do filme sempre pega os piores ângulos da artista, com uma maquiagem horrorosa, rosto acneico e desconfortável. Para um mockumentary, é muito bacana.

Os fãs da inglesa terão momentos ainda mais especiais durante a sessão. Referências à carreira, persona e os “hábitos questionáveis” dela são abordados com um bom desprendimento. Com o clássico humor irônico britânico, Charli me surpreendeu por não se levar tão a sério.

Apesar de passagens engraçadas, algumas cenas ainda geram constrangimento de tão sem graças. E não convencem quando tentam falar em um tom mais ameno. O clímax de “The Moment” é fraco e você não faz ideia do que vai acontecer. As participações especiais de estrelas como Kylie Jenner e Rachel Sennot ajudam a balancear com a egotrip de Charli e dividem bem o protagonismo.

O gran finale é coisa de doido. Atenção ao spoiler! Após viver os conflitos internos como artista “underground” e ser vendida como mainstream, Charli dá o braço a torcer e se entrega para o modelo de popstar. O tal filme do show se torna uma mistura de Coldplay, Taylor Swift e Katy Perry, com os maiores clichês que esses espetáculos podem trazer. Com um tom debochado delicioso, a inglesa imita trejeitos de sua suposta rival, Taylor, e amarra sua ideia. Por mais que o “Brat” tenha sido um estouro, XCX sendo XCX.

Ao tentar matar sua era, Charli, na verdade, a eterniza. Para um primeiro passo na sétima arte, a inglesa fez bonito. Na próxima aposta, os detalhes técnicos podem melhorar e entregar um trabalho mais coeso. Para quem não se apega nisso, vai se divertir muito. Ou pelo menos rir do camp.

Nota: 6,5/10

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