Curiosidade, raciocínio lógico e velocidade de aprendizado. Foi com essa combinação que Gian Kojikovski transformou a carreira: em pouco mais de uma década, saiu da cobertura de balanços e histórias do mercado financeiro como repórter para assumir, em 2024, a presidência executiva da Suno, um dos grupos de investimentos que mais cresce no Brasil.
Kojikovski comanda a Suno, que começou como uma casa independente de análises de investimentos e, ao longo dos anos, ampliou sua atuação para consultoria e gestão de recursos. Com o tempo, a empresa tornou-se uma das referências do mercado financeiro brasileiro. “A função do CEO é colocar as pessoas certas nos lugares certos e garantir que a execução aconteça trimestre após trimestre”, afirma.
Mas a trajetória profissional de Kojikovski começou dez anos antes, quando, após participar do Curso Abril de Jornalismo, ingressou na redação da EXAME. Ali, passou quatro anos: iniciou cobrindo tecnologia, migrou para negócios e mergulhou em balanços, governança e estratégias de pequenas, médias e grandes empresas.
“Foi uma escola enorme”, diz ele. “Entrei como jornalista generalista e saí entendendo como o mundo dos negócios funciona — e essa vivência do outro lado do balcão me deu base para atuar depois como gestor e executivo”.
O salto para a Suno
O convívio diário com executivos e fundadores, durante a cobertura jornalística, despertou em Gian a vontade de empreender. “Uma coisa que sempre me impressionou foi a paixão no olhar dos empreendedores. Eu pensava: deve ser muito legal construir algo do zero, ver um negócio crescer em pessoas, em faturamento, em impacto.”
Em 2018, o convite de Tiago Reis, fundador da Suno, abriu essa porta. A empresa tinha apenas cinco funcionários e se dedicava à produção de relatórios de análise de investimentos. Gian aceitou o desafio de estruturar a área de conteúdo e marketing – mesmo sem experiência prévia.
“Não entendia nada de SEO ou de redes sociais. Precisei aprender rápido para montar uma estrutura do zero”
Gian Kojikovski, CEO da Suno
O aprendizado acelerado abriu caminho para novas funções. Com a expansão da Suno, ganhou responsabilidades estratégicas até ser escolhido para ocupar a posição de CEO em 2024.
Hoje, a companhia que ele lidera reúne diferentes frentes: uma casa de análise com mais de 100 mil assinantes, uma área de aconselhamento de investimentos com mais de R$ 5,5 bilhões sob orientação e uma asset com outros R$ 2,5 bilhões sob gestão.
O grupo ainda tem um braço de mídia e controla negócios como a plataforma Status Invest e a casa de análises B2B Eleven Financial. No total, são mais de R$ 8 bilhões em ativos sob supervisão — resultado que consolidou a empresa como uma referência no mercado financeiro brasileiro nos últimos anos.
Habilidades que abriram caminho
De acordo com Kojikovski, duas competências herdadas do jornalismo foram decisivas na transição para o mercado financeiro: a comunicação clara e a visão ampla de cenários.
“Comunicar bem é garantir que as pessoas entendam não apenas o que está sendo dito, mas também o que se espera delas. E o repertório de experiências por ter conversado com tantos executivos diferentes me ajudou a tomar decisões melhores”, comenta.
Ele destaca também a importância de aprender com velocidade. “Independentemente da área, a capacidade de aprender rápido é comum a todos os grandes líderes”, revela. “Foi o que me impulsionou a sair da redação, entrar no marketing e depois evoluir dentro de um negócio financeiro.”
Busca pela formação executiva
Para complementar a prática com teoria, Gian buscou capacitação formal. Em 2024, ingressou no programa executivo em Finanças Estratégicas para C-Level e Conselheiros (conhecido como FECC) da EXAME e Saint Paul.
“A principal demanda era formalizar o que eu já sabia na prática”, afirma. “Quando você aprende só no dia a dia, pode pegar caminhos errados. A teoria traz clareza sobre o porquê das coisas.”
Entre os temas mais valiosos, cita governança corporativa, gestão de riscos, análise de empresas e criação de valor — conhecimentos que hoje aplica diretamente na gestão da Suno. O networking também foi um ganho. “Estar em uma sala com executivos de setores diferentes enriquece a discussão. Essa troca amplia a visão de mercado sob perspectivas diversas.”
Nova etapa
O comando da Suno chegou a Kojikovski, em 2024, em um momento de expansão acelerada. Ele reconhece, no entanto, que o desafio vai além de crescer os números.
“O mercado financeiro brasileiro ainda é pequeno diante do seu potencial. A Suno avançou muito em anos difíceis, quando muitos concorrentes estagnaram ou recuaram em seu crescimento. Agora, nosso desafio é transformar essa agilidade em escala sustentável”, afirma.
Se antes acompanhava de perto os passos de grandes empresários para escrever reportagens, hoje é ele quem toma as decisões que costumava noticiar. Para Gian Kojikovski, o movimento da carreira não foi apenas mudar de função, mas de papel no enredo. “Passei de narrador a personagem da história — e agora sou responsável por escrever os próximos capítulos de uma empresa promissora, como a Suno”, diz.
Essa será, ao que tudo indica, a narrativa que ele tentará escrever à frente da Suno para seguir tentando tornar a empresa cada vez mais importante dentro do mercado financeiro brasileiro.
Por Por Brasília
Fonte Exame
Foto: Divulgação/Suno