Grupo liderado por Emmanuel Petit e Mikael Silvestre cobra mudanças na governança da Fifa e maior participação de jogadores e torcedores; nenhum brasileiro aparece entre os signatários
A gestão de Gianni Infantino na FIFA foi alvo de novas críticas nesta segunda-feira (24/8). Um grupo de ex-jogadores de diferentes países divulgou um manifesto cobrando mudanças na estrutura da entidade e defendendo maior participação de atletas e torcedores nas decisões que envolvem o futebol mundial.
A iniciativa é liderada pelos franceses Emmanuel Petit e Mikael Silvestre e reúne nomes conhecidos do futebol internacional, entre eles Bixente Lizarazu, Robert Pirès, Didier Drogba, Emmanuel Adebayor, Juan Sebastián Verón, Claudio Pizarro, Lucy Bronze e Briana Scurry.
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Gianni Infantino, presidente da FIFA

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Um ponto que chama atenção na composição do grupo é a ausência de brasileiros. Nenhum ex-jogador, lenda ou atleta brasileiro em atividade aparece entre os nomes relacionados ao manifesto.
Ex-jogadores cobram mudanças na Fifa
No documento, os signatários afirmam que jogadores e torcedores perderam espaço nas decisões da entidade e questionam os rumos adotados pela atual administração.
“Como jogadores, o futebol nos deu tudo, e nós dedicamos nossas vidas a ele. Atuamos nos maiores palcos e vestimos nossas camisas nacionais com orgulho. Mas sabemos que nenhuma de nossas conquistas teria sido possível sem os torcedores, cuja paixão e dedicação são a base deste esporte”, diz o manifesto.
Os ex-atletas também afirmam que compartilham as preocupações apresentadas por torcedores em diferentes partes do mundo: “Compartilhamos exatamente as mesmas preocupações de milhões de torcedores ao redor do mundo. Assim como eles, vimos o esporte que amamos se distanciar de seus valores fundamentais sob a atual gestão da FIFA.”
Outra crítica apresentada no documento diz respeito à participação dos jogadores na formulação de decisões estratégicas: “Por muito tempo, vimos decisões importantes serem tomadas sem que os jogadores fossem consultados ou levados em consideração, e sem qualquer respeito pelos torcedores que sustentam o esporte.”
Manifesto endurece tom contra Infantino
A manifestação ocorre em meio ao desgaste político de Infantino. O presidente da Fifa enfrentou resistência após apresentar uma proposta para criar uma empresa responsável por ativos comerciais da entidade e permitir a entrada de investidores privados. O projeto acabou sendo abandonado.
A situação também foi agravada por críticas de Kevin Lamour, ex-diretor de operações da Fifa, à condução da organização. No trecho mais contundente do manifesto, os ex-jogadores afirmam que a situação chegou a um ponto que exige mudanças.
“Mudanças são necessárias. O poder nublou a capacidade da atual liderança de distinguir entre seus próprios interesses e o que é melhor para o futebol. Eventos recentes tornaram impossível manter o silêncio. Já chega”, diz o documento.
Infantino ocupa a presidência da Fifa desde 2016 e pretende disputar a reeleição em março de 2027.
Eto’o defende presidente da Fifa
Enquanto o grupo de ex-jogadores cobra mudanças, Samuel Eto’o adotou uma posição favorável a Infantino. O ex-atacante camaronês, atualmente presidente da Federação Camaronesa de Futebol, afirmou em entrevista à CNN que a onda de críticas está relacionada à eleição do próximo ano.
“Eu acho que todas essas coisas estão acontecendo por causa do momento. Há uma eleição se aproximando, na qual Gianni Infantino é candidato. Tudo isso aconteceu porque há uma eleição se aproximando. É só isso”, afirmou Eto’o.
O ex-jogador também defendeu a atuação do dirigente à frente da Fifa e destacou iniciativas voltadas a países com menor participação no cenário internacional. “O trabalho do presidente é levar o futebol adiante, fazer com que todas as nações cresçam”, declarou.
Disputa política ganha novos capítulos
A divisão também aparece entre as confederações continentais. Uefa, AFC e Concacaf avaliam a possibilidade de apresentar uma moção de desconfiança contra Infantino, enquanto a Confederação Africana de Futebol (CAF) mantém apoio ao presidente.
Eto’o ainda questionou as críticas à proposta comercial que acabou retirada pela Fifa e afirmou que a ideia deveria ter sido debatida pelos 211 membros da entidade.
“Ele fez uma proposta. Os 211 membros deveriam ter se sentado, debatido a questão e deixado a maioria vencer. Mas estou convencido de que as vozes que se levantaram não são as vozes da maioria”, declarou.

















