Denúncia do portal LeoDias sobre uso de robôs por artistas, em março de 2024, abalou a credibilidade do Spotify no mercado musical
Há poucos anos, o sonho de qualquer artista musical deste país era alcançar o topo do Spotify. A sensação era de que a vida, a partir daquele momento, daria uma guinada e que o país inteiro cantava a sua música. Mas era só impressão.
Depois do escândalo denunciado pelo portal LeoDias, em março de 2024, envolvendo artistas que impulsionavam seus números através de robôs e passavam uma falsa impressão de sucesso, a credibilidade da plataforma começou a ser questionada. Publicamente, o Spotify optou pelo silêncio. Mas, internamente, muita gente famosa foi punida.
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A situação de quem vive de eventos no Brasil atravessa um momento de extrema fragilidadeCrédito: Freepik

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Alok realizou megashow em Teresina, no PaiuíCrédito: Felipe Miranda

Alok realizou megashow em Teresina, no PaiuíCrédito: Felipe Miranda
A punição acontecia da seguinte forma: assim que era identificada a presença de robôs, a música saía das playlists editoriais e, simplesmente, o Spotify pedia que as gravadoras e distribuidoras devolvessem os valores pagos pela execução da canção.
Era sabido que a grande maioria dos artistas brasileiros já foi punida por usar robôs. Só que alguns deles exageraram na dose, como Wesley Safadão, que, sem mais nem menos, um belo dia teve várias músicas antigas aparecendo milagrosamente entre as mais tocadas do país.
Wesley foi punido diversas vezes, mas sempre de maneira muito discreta, para não afetar a credibilidade da própria plataforma.
No entanto, o combate direto às fazendas de robôs, responsáveis pela manipulação dos números, nunca aconteceu.
O Spotify é a maior plataforma de música no mundo, com participação de mercado entre 45% e 55%. Aqui no Brasil, ele também lidera, embora, no Nordeste, o Sua Música chegue a liderar em alguns estados.
O mercado fonográfico acredita que a opção do Spotify por não falar publicamente do uso de robôs foi uma tática para que as ações da companhia sueca não caíssem na bolsa de valores.
Os executivos das gravadoras analisam da seguinte maneira o TOP 50 do Spotify: são canções sem muita profundidade ou história. Normalmente, elas têm poucas frases que se randomizam algumas vezes e são de fácil entendimento. E não há uma crítica sobre isso. Até porque é algo bem parecido com o TikTok, com duração rápida.
Em sua grande maioria, as músicas mais ouvidas do país são as mais efêmeras, em que o usuário decora uma frase e já está suficiente. Tudo muito mais perecível. E, por isso, o troca-troca em relação ao primeiro lugar é quase diário.

















