Dia: 20 de julho de 2025

  • Operação Força Total visita Cidade Estrutural

    Operação Força Total visita Cidade Estrutural

     

    A Polícia Militar do Distrito Federal deflagrou, na quinta-feira (17), mais uma edição da operação Força Total – Polícias Militares a Serviço do Brasil, iniciativa coordenada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Comandantes-Gerais de Polícia Militar (CNCGPM) e executada de forma integrada pelas polícias militares em todo o país.

    A operação, implantada na praça da área especial da Cidade Estrutural, tem como objetivo ampliar a sensação de segurança da população, por meio do reforço do policiamento ostensivo e da intensificação de ações preventivas. No Distrito Federal, as equipes da PMDF atuam tendo como foco as regiões do Guará, Estrutural, Núcleo Bandeirante e Riacho Fundo II, localidades sob responsabilidade do 2º Comando de Policiamento Regional (CPR).

    Entre as ações previstas, destacam-se o aumento do patrulhamento em áreas sensíveis e a execução de abordagens, bloqueios viários e fiscalizações direcionadas à prevenção de crimes como furtos, roubos e o tráfico de entorpecentes. O planejamento operacional contempla também o fortalecimento da presença policial visível, contribuindo para a dissuasão de delitos e o fortalecimento da confiança da comunidade nas forças de segurança pública.

    “Nosso objetivo é que o cidadão sinta a presença constante da PMDF nas cidades, como uma força atuante e comprometida com a ordem e a tranquilidade social”, ressaltou o tenente-coronel Miranda, comandante do 15º Batalhão da PMDF.

    A expectativa é que a operação contribua para a redução dos índices criminais, ao mesmo tempo que fortalece o vínculo entre a Polícia Militar e a sociedade. A corporação reforça que a participação ativa da população é essencial nesse processo e incentiva que denúncias e informações relevantes sejam encaminhadas por meio do telefone de emergência 190.

    *Com informações da PMDF

    Por Por Brasília

    Fonte Agência Brasília

    Foto: Divulgação/PMDF

  • Bolsonaro tem certeza de condenação e afirma que Moraes comanda o Brasil

    Bolsonaro tem certeza de condenação e afirma que Moraes comanda o Brasil

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) diz não ter dúvidas de que será condenado no processo sobre o suposto plano de golpe de Estado e afirmou que quem comanda o Brasil atualmente é o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

    Segundo ele, o Supremo teria perdido o controle e Moraes exerce grande poder no país. As declarações foram feitas na sexta-feira (18).

    Bolsonaro relatou acreditar que o processo é meramente político, com o objetivo de retirá-lo “de vez” do cenário eleitoral, argumentando ser o único nome capaz de vencer o presidente Lula. O ex-presidente reforçou que nunca cogitou deixar o país, mesmo diante das investigações.

    “O sentimento é que (prisão) vai acontecer, até o mês que vem, que é o julgamento. Nunca se viu um processo tão rápido como o meu”, disse ao ser questionado sobre se acha que vai ser preso.

    “Eu estou no cadafalso. Na hora que o soberano Alexandre de Moraes achar que tem que chutar o banquinho, ele chuta.”

    Bolsonaro foi alvo de um mandado de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF), na sexta, que apreendeu, entre outras coisas, um pen-drive e 14 mil dólares em espécie em sua casa. Ele foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica, além de ter suas redes sociais e comunicações com diplomatas e outros investigados restritas.

    O ex-presidente disse que, entre todas as medidas cautelares, a mais dura é a de não poder mais conversar com o filho, Eduardo Bolsonaro, com quem afirmou se falar “dia sim, dia não”, e afirmou acreditar que o deputado não volta mais ao Brasil.

    “Acredito que ele não voltará. Se voltar, vai ser preso. O Eduardo é um garoto inteligente, fala inglês muito bem, fala espanhol, domina o árabe. Tem bom relacionamento com o governo Trump. Eu acredito que ele vá buscar uma alternativa de se tornar um cidadão americano e não volte mais para cá. Enquanto o Alexandre de Moraes tiver o poder de prender quem ele bem entender.”

    Alexandre de Moraes, que autorizou as medidas, sustentou que Bolsonaro atuou de forma ilícita em conjunto com seu filho Eduardo, visando interferir no funcionamento do STF por influência estrangeira.

    Na segunda-feira (14), a Procuradoria-Geral da República havia apresentado seu parecer final sobre o caso e pediu a condenação do ex-presidente. Conforme apurou a CNN, o julgamento pelo Supremo está previsto para setembro. A pena pode chegar a mais de 40 anos de prisão.

    (Com informações do Estadão Conteúdo)

    Por Por Brasília

    Fonte Correio Braziliense       

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

  • De estagiário a CEO: brasileiro lidera empresa que criou 1º robô aspirador e agora mira R$ 1 bilhão

    De estagiário a CEO: brasileiro lidera empresa que criou 1º robô aspirador e agora mira R$ 1 bilhão

    Em 2006, Marco Dutra entrou como estagiário na Kärcher Brasil, fabricante de equipamentos de limpeza (como o primeiro robô aspirador e a primeira lavadora de alta pressão com água quente), Na época, o estudante de engenharia de controle e automação nem imaginava que quase duas décadas depois assumiria o comando da operação no país. Natural de Timóteo, interior de Minas Gerais, ele se mudou para Campinas para estudar graduação. A escolha veio pela afinidade com matemática e física – mas foi no administrativo que ele construiu sua carreira.

    “Logo percebi que gostava mais do trabalho administrativo do que da engenharia em si”, conta. Ainda estagiário, Marco passou a atuar junto à diretoria da empresa. Foi ali que aprendeu contabilidade na prática, sentado ao lado do gerente, e mergulhou no universo das vendas, relatórios e análises. “Era o estagiário pentelho que perguntava tudo: ‘mas por que isso vai no ativo e não no passivo?’”, diz, rindo.

    Essa curiosidade e disposição para aprender o destacaram. Marco aprendeu sozinho a programar macros no Excel para ganhar eficiência e virou referência no assunto dentro da empresa.

    “Não adianta esperar que alguém diga quando você será promovido, você tem que estar preparado para as oportunidades antes”, afirma o CEO.

    E foi se preparando para o novo que em 2011 Marco se tornou controller; em 2012, passou a liderar também a área de gerência de produtos; em 2015, assumiu o comercial e, em 2019, chegou à presidência da Kärcher Brasil.

    Da pandemia ao crescimento acelerado
    A pandemia foi um dos maiores desafios da trajetória de Marco como CEO. “O maior desafio foi manter a equipe motivada e mostrar que não era o fim do mundo”, conta.

    A crise sanitária, no entanto, virou oportunidade para o negócio. Com as pessoas em casa e a preocupação com limpeza em alta, a venda de equipamentos residenciais – como lavadoras de alta pressão e limpadoras a vapor – disparou. “A gente esperava uma queda de 20%, mas aconteceu ao contrário. Crescemos 30% além disso. Ou seja, vendemos 50% a mais do que o previsto”, afirma o CEO.

    Hoje, o segmento profissional representa 60% do faturamento, sustentado por um processo de nacionalização da produção. Mais de 80% dos produtos vendidos no Brasil já são fabricados localmente. “Isso nos dá velocidade para atender contratos e reduz a dependência de importações afetadas por flutuações do frete internacional”, afirma.

    E-commerce, marketing e novos mercados
    Dois pilares estratégicos da gestão de Dutra foram o investimento em e-commerce e a reestruturação do marketing. “Em 2019, decidi não contratar para duas vagas e, com esse orçamento, começamos a montar o time digital. Era um mundo desconhecido para mim, mas eu sabia que era onde o mercado caminhava”, diz.

    O e-commerce hoje responde por 10%, com meta de alcançar 25% até 2028. Paralelamente, a empresa multiplicou por dez o investimento em marketing, apostando em influenciadores de nicho e em uma estrutura interna de especialistas em SEO, mídia paga e redes sociais. “Não somos só a marca da lavadora de alta pressão amarelinha. Temos desde produtos de R$ 200 até varredeiras de rua de R$ 2 milhões”, afirma Dutra.

    A empresa também se prepara para lançar uma nova linha voltada à limpeza de ambientes domésticos com foco em pets. “É um segmento novo que estamos entrando, e acreditamos que pode ser um divisor de águas para o mercado brasileiro”, diz o CEO.

    Soluções para a indústria, o agro e o futuro
    A Kärcher atende desde donas de casa até grandes corporações como Vale, BRF, JBS, supermercados e hospitais, mas segundo o CEO, o setor agro, em especial, tem ganhado força.

    “Com nossas lavadoras de água quente, conseguimos economizar água, evitar produtos químicos agressivos e melhorar a eficiência da limpeza no agronegócio”, afirma Dutra.

    A proposta de valor sustentável tem atraído produtores preocupados com economia e preservação dos equipamentos, diz o CEO. “Antes, eles usavam desengraxantes alcalinos e gastavam muita água. Com nossas soluções, reduzem custos e impactos ambientais”.

    Liderança com propósito e equilíbrio de vida
    Apesar do cargo de CEO, Dutra faz questão de equilibrar trabalho e vida pessoal. Acorda às 5h para preparar o café da manhã das filhas e levá-las à escola.

    “Faço questão de ter tempo com a família, e peço para só me procurarem aos finais de semana e nas férias se não for algo urgente”.

    Para Dutra, a empresa precisa funcionar bem, mesmo quando o líder está fora. “Não quero ser o executivo que precisou de 10 anos para parar de trabalhar aos sábados. Isso nunca fez sentido para mim.”

    O conselho de CEO que vale para qualquer profissão
    Para quem sonha em crescer na carreira, ele deixa o conselho:

    “A oportunidade aparece para quem está pronto. Estude, busque idiomas e fale onde você quer chegar”.

    Expectativa: R$ 1 bilhão em 2025
    Com produção nacional ampliada, novos produtos e expansão da presença digital, a Kärcher Brasil mira R$ 1 bilhão em faturamento. “A velocidade de resposta, a inovação e a proximidade com o cliente são o que nos diferencia”, afirma Dutra.

    Para ele, sucesso é algo que ele conquista diariamente. “Ter problemas todos os dias faz parte do jogo, mas ir trabalhar empolgado por gostar do que faz e voltar para casa com a sensação de que valeu a pena, isso, para mim, é sucesso”.

    Por Por Brasília

    Fonte CNN Brasil     

    Foto: Karcher/Divulgação

  • Programa ‘O câncer não espera. O GDF também não’ já atendeu mais de 160 pacientes 

    Programa ‘O câncer não espera. O GDF também não’ já atendeu mais de 160 pacientes 

    O programa “O câncer não espera. O GDF também não” já apresenta avanços concretos no atendimento a pacientes com câncer no Distrito Federal. Desde o dia 5 deste mês, quando a iniciativa foi implementada, mais de 160 pacientes já foram atendidos. A expectativa é garantir mais de 1,3 mil novos tratamentos oncológicos em todo o Distrito Federal (DF) em três meses, contribuindo para a regularização do fluxo em toda a rede.

    Foram 161 pacientes atendidos. Desse total, 87 tiveram consultas marcadas com oncologistas. A Secretaria de Saúde (SES-DF) reforça a importância de os usuários manterem os cadastros atualizados nas unidades básicas de saúde (UBSs) de referência e atenderem as ligações para não perder a oportunidade de agendamento. 

    “Com o desenho da linha de cuidado e algumas ações internas, conseguimos, antes mesmo da implementação do programa, reduzir de forma significativa a fila e o tempo de espera”, afirma o secretário de Saúde, Juracy Lacerda. “A expectativa é muito grande para que em três meses nós tenhamos praticamente uma fila basal.” 

    A ampliação do acesso está sendo possível devido à reestruturação da linha de cuidado da rede pública. No âmbito interno, as principais ações foram a criação de uma fila única para pacientes oncológicos, a ampliação para dois turnos de atendimento em radioterapia, o aumento de 50% das vagas de radioterapia e a ampliação de consultas.

    *Com informações da Secretaria de Saúde

    Por Por Brasília

    Fonte Agência Brasília

    Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde

  • Aterro Sanitário de Brasília tem ações preventivas para evitar o caos

    Aterro Sanitário de Brasília tem ações preventivas para evitar o caos

    Originalmente projetado para ter uma vida útil até 2030, o Aterro Sanitário de Brasília enfrenta problemas de gestão de resíduos sólidos, o que impactou diretamente em sua estimativa de funcionamento, delimitando as ações até abril de 2027, cerca de dois anos e meio menos do que projeto original previa. Inaugurado em 2017, o local recebe cerca de 22 mil toneladas de lixo diariamente. Com a data-limite chegando, surgem preocupações ambientais e sociais, caso o espaço não consiga comportar o volume de resíduos. 

    A correta manutenção e operação do aterro, assim como a conscientização da população sobre a separação de lixo orgânico e lixo reciclável, são ações de extrema importância para proporcionar um bom funcionamento do local. Segundo a diretora técnica do SLU, Andréa Almeida, cerca de 25% do material recebido é reciclável, o que prejudica a atuação do local. “Recebemos muito material que não era para ser aterrado. Às vezes, são materiais que demoram centenas de anos para se decompor”, explicou.

    Com vida útil reduzida, o aterro recebeu um projeto de expansão em 2023, que garante uma nova estimativa de funcionamento de 30 anos. Andréa esclareceu que ações para garantir que essa vida útil seja cumprida estão sendo feitos. “Já temos, sim, uma empresa contratada que está fazendo os projetos”, afirmou. A técnica também avalia que a coleta seletiva é fundamental para garantir maior funcionamento do aterro. “Este ano estamos com 31 contratos para a coleta seletiva. Temos mais catadores para fazer a triagem e separação dos resíduos”, complementou. Segundo a técnica, entre 2020 e 2024, a coleta seletiva teve um aumento de 222%.

    A empresa também investiu em outras ações que garantem a segurança dos resíduos aterrados no local. Além de estudos e pesquisas realizadas periodicamente, inovações tecnológicas também são implementadas. “Nós trabalhamos com um projeto em que há uma proteção mecânica do solo. Camadas de solo compactado com geotêxteis (materiais técnicos permeáveis) e colchões drenantes para absorver gases e chorume”, afirmou. 

    Paulo Celso dos Reis, doutor em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), avalia que a participação da sociedade é fundamental para promover uma maior sustentabilidade. “Não adianta nada fazer todo um sistema de tratamento (de lixo), se a população mistura esses resíduos na geração”, afirmou. Celso também argumentou que a criação de outros aterros devem ser viabilizados para garantir a redução do impacto ambiental no Distrito Federal. “Quarenta por cento do material que aterramos atualmente já deveria ser feito fora do Distrito Federal. Ao viabilizar mais aterros, o DF e municípios do Entorno poderão eliminar o lixo de forma mais responsável”, disse.

    Padre Bernardo

    Completou-se um mês, ontem, do desastre ambiental em um aterro sanitário em Padre Bernardo (GO). Pelo menos 40 mil toneladas de lixo deslizaram diretamente para o córrego Santa Bárbara. O Ministério Público de Goiás (MPGO) e o Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) decidiram, de forma judicial, o fechamento do espaço após o ocorrido.

    A decisão foi fundamentada nos histórico de irregularidades que o local apresentava. O aterro Ouro Verde não possuía licença ambiental e operava, de forma irregular, em uma área de conservação do Rio Descoberto, que abastece o Distrito Federal e a Região do Entorno. Sobre o caso, o professor da UnB Paulo Celso disse que a tragédia contamina solo e subsolo, assim como, os recursos hídricos. “Essa tragédia traz consequências ambientais graves para a região. O potencial (de contaminação) tem que ser calculado. Há um sério risco de afetar o reservatório do Rio Descoberto, prejudicando a flora e a fauna nos arredores da represa”, afirmou.

    A retirada das toneladas de lixo e, Padre Bernardo terá início na próxima segunda-feira. O material será alocado em uma região mais segura dentro da própria área do aterro. O local definitivo ainda será escolhido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

    *Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira

    Por Por Brasília

    Fonte Correio Braziliense       

    Foto: Divulgação

  • Veja 5 discordâncias entre juristas na decisão de Moraes sobre Bolsonaro

    Veja 5 discordâncias entre juristas na decisão de Moraes sobre Bolsonaro

    A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que impôs medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na sexta-feira (18), como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de usar redes sociais e comunicação com diplomatas, tem gerado reações distintas no meio jurídico.

    Enquanto alguns juristas defendem a legalidade e a necessidade das medidas, outros apontam excessos e inconstitucionalidades.

    Veja abaixo cinco pontos de divergência entre especialistas:

    1. Risco de fuga

    Para o advogado constitucionalista André Marsiglia, o argumento de que Bolsonaro representaria risco de fuga por se aproximar de embaixadas estrangeiras não se sustenta. “Agora então aproximar-se de embaixada passou a ser um risco de fuga? O entendimento do próprio ministro muda ao sabor do vento e isso é grave”, afirmou.

    Já Marco Aurélio de Carvalho, advogado e coordenador do grupo Prerrogativas, defende a decisão do Supremo. Segundo ele, há elementos concretos que justificam o receio de evasão: “Ele já tinha ido à Embaixada da Hungria, o filho abandonou o mandato para ir aos Estados Unidos, e o presidente dos EUA manda carta acolhendo Bolsonaro. Isso é muito grave, portanto, tem que respeitar a decisão do Supremo”.

    2. A atuação de Alexandre de Moraes

    Marco Aurélio considera a decisão do ministro consistente, visto que “a Primeira Turma confirmou por unanimidade [as medidas cautelares contra Jair Bolsonaro], portanto já não é uma posição isolada do ministro Alexandre. Ele tá sendo coerente com que ele pensa”, disse o coordenador do grupo Prerrogativas.

    “Quando eu evoquei a coerência do ministro Alexandre de Moraes, foi a coerência em interpretar a lei, eu posso ter discordâncias pontuais, mas eu tenho que respeitar o Supremo como última instância. Ele tem sido coerente na interpretação que ele faz da Constituição”, acrescentou.

    Já Marsiglia critica a postura do ministro: “O ministro Moraes precisa ser coerente com a Constituição, e não com ele. Se ele está sendo incoerente com a Constituição, ele precisa corrigir todas as decisões, não só essa”

    “A lei é o que é, e não o que deseja um juiz. Se ele tem receio que as redes sociais possam ser utilizadas pra instigar alguém, nesse momento, ele passa por cima do princípio básico da nossa Constituição, que é a liberdade de expressão, ele tá violando a Constituição e ele não tem direito de fazer isso”, completou o advogado.

    3. Crime contra a soberania nacional

    O entendimento de Moraes de que Bolsonaro atentou contra a soberania nacional ao apoiar articulações do filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) com o governo dos EUA também divide opiniões.

    Marco Aurélio vê gravidade no caso: “Há um risco à ordem pública e econômica. Então, se há um crime contra a soberania nacional, eu não tenho a menor dúvida em relação a isso. A presença de um dos filhos do Bolsonaro nos Estados Unidos deixa isso claro.”

    Marsiglia discorda: “Se alguém denuncia ilegalidades no país a estrangeiros, isso não é atentado à soberania, isso é liberdade de expressão. Se os EUA reagem a isso, é problema deles, não de quem denunciou. Se o Eduardo foi lá fora e fez essas denúncias e os Estados Unidos resolveram tomar uma providência, isso deve ser uma questão interna dos Estados Unidos, não é culpa de quem denunciou.”

    4. Proibição do uso das redes sociais

    Entre as medidas cautelares imposta por Moraes está a proibição de Bolsonaro de utilizar as redes sociais.

    A determinação, segundo Marsiglia, configura censura. Ele compara com o caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando o STF entendeu que impedir comunicação seria inconstitucional: “Estamos diante de uma cautelar aqui que, além de inconstitucional, é censória, que é a de proibir redes sociais. Agora Bolsonaro, numa situação de preventiva, é impedido de usar as redes sociais?”

    Marco Aurélio discorda e defende a legalidade da medida: “Há previsões expressas na legislação. Se fosse prisão, não seriam medidas cautelares. Há motivos fundados para a adoção dessas medidas cautelares. Não há perseguição, é aplicação da lei.”

    5. Discurso como forma de coação

    Outro ponto de controvérsia é se postagens feitas por aliados, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), podem ser interpretadas como tentativa de obstrução de Justiça. Para Marsiglia, não: “Quando estamos no terreno do discurso, é difícil a gente pensar em coação. Se coagir ou obstruir a justiça se fizesse por meio da palavra, a gente não poderia então ter liberdade de expressão no país.”

    Marco Aurélio, por sua vez, destaca a responsabilidade do discurso político: “A palavra pode ser instrumento para o cometimento de vários crimes. Quando a palavra é exarada por uma liderança política, ela tem um caráter ainda mais significativo, porque essa liderança política tem uma responsabilidade política.”

    O que diz a defesa de Bolsonaro

    Na sexta-feira (18), a defesa de Jair Bolsonaro criticou duramente a decisão do STF. Em nota, afirmou ter recebido com “surpresa e indignação” as medidas cautelares, argumentando que o ex-presidente “sempre cumpriu com todas as determinações do Poder Judiciário”.

    Na operação da Polícia Federal, foram apreendidos cerca de US$ 14 mil na casa do ex-presidente, além do celular dele e um pen drive encontrado no banheiro. As investigações apontam que Bolsonaro teria atuado para instigar outros países a interferirem em decisões internas do Brasil — o que, segundo Moraes, fere diretamente a soberania nacional.

    *Publicado por Leticia Martins

    Por Por Brasília

    Fonte CNN Brasil      

    Foto: Reprodução CNN Brasil