Dia: 24 de junho de 2024

  • Práticas, econômicas e saudáveis: bikes compartilhadas tomam as ruas do DF

    Práticas, econômicas e saudáveis: bikes compartilhadas tomam as ruas do DF

    Existem 530 bicicletas para aluguel e 70 estações instaladas na capital federal. Usuários destacam os benefícios de pedalar

    Encarar o transporte público lotado ou um extenso engarrafamento a caminho do trabalho pode ser mais cansativo do que lidar com o expediente em si. Na capital, as bicicletas compartilhadas têm sido adotadas como alternativa de mobilidade urbana por quem prefere evitar o estresse. Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana do DF (Semob), o sistema na capital é operado pela empresa Tembici, que conta com 530 unidades para aluguel e 70 estações instaladas pela área central de Brasília, e planos a partir de R$ 4,50 para pedalar por 30 minutos.
    Desde o início das operações na cidade, em outubro de 2021, a Tembici registrou mais de 1,2 milhão de deslocamentos, sendo mais de 126 mil usuários ativos. As bicicletas compartilhadas podem ser encontradas nas estações da Asa Sul e Asa Norte e em outros pontos no centro de Brasília, como o Eixo Monumental, Sudoeste e Parque da Cidade. A Semob informa que o serviço é pago e pode ser acessado pelo site da empresa ou aplicativo. Segundo a pasta, as estações do Parque da Cidade, da Funarte e da CLSW 101 são as mais buscadas.
    O secretário da pasta, Zeno Gonçalves, diz que o objetivo é levar as estações para outras regiões administrativas. “Já está em estudos, na Semob, um pedido da atual concessionária para a expansão das estações, inclusive, com a implantação de estações de bicicletas elétricas que irá atingir outras regiões administrativas. Nós entendemos que a bicicleta é um meio popular, usual e saudável de transporte, principalmente para deslocamentos curtos, e possibilita fazer a interligação entre estações de metrô e paradas de ônibus a locais de trabalho, aqui no Plano Piloto e em outras regiões.”
    As bicicletas também beneficiam a saúde e o meio ambiente. Somente no primeiro ano em Brasília, o sistema registrou mais de 300 mil viagens e evitou potencialmente a emissão de 215 toneladas de CO². O professor do Instituto de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em transporte urbano Pastor Willy Gonzales Taco afirma que esse tipo de transporte contribui como um suporte para deslocamentos de curta e média distância. “É voltado para um público que mora perto das estações e vê como uma alternativa complementar. Ou um público jovem, que mora perto do campus da universidade e tem essa opção. Na maioria dos casos, serve como uso recreativo”, observa.
    A analista Solane Aragão, 29 anos, trabalha presencialmente, duas vezes na semana, no Ministério do Trabalho e usa as bicicletas compartilhadas para voltar para casa. “Me auxilia muito porque, quando eu saio do trabalho, as paradas de ônibus estão lotadas e não estou afim de pegar ônibus. Além do mais, eu já faço o cardio do dia e vou apreciando a vista da cidade. Levo, em média, 15 minutos para chegar em casa, e gasto em torno de R$ 30 mensais. Compensa para o meu bolso e acho mais agradável”, diz.
    Como não possui carro, o autônomo Hudson Araújo, 37, utiliza a bicicleta de segunda a sexta. “Eu uso para ir à Rodoviária, e isso tinha que ser uma cultura na vida do brasiliense para ajudar a tirar carros da rua. Gasto cerca de R$ 20 a R$ 30 por mês”, conta. “Ainda que não me sinta plenamente seguro enquanto desfruto o serviço, é uma experiência que poucos conseguem ter em seu cotidiano, especialmente em grandes centros. Além de tudo, é uma forma de preservar o meio ambiente. Menos poluição e ruído”, conclui.
    A reportagem encontrou a técnica de enfermagem Jéssica Soares, 27, no Parque da Cidade, pedalando em uma bicicleta compartilhada como forma de lazer. “Eu resolvi usar para passear, eu moro longe, vim de Águas Lindas de Goiás, e aproveitei para desfrutar, eu usei a bicicleta por uma tarde toda”, relata.

    Ponto de vista

    O especialista Pastor Willy Gonzales Taco ressalta que, para ser uma alternativa efetiva de mobilidade, precisaria haver estações de bikes compartilhadas em Ceilândia, Samambaia e outras regiões que possibilitassem chegar ao Plano Piloto. “Isso seria difícil porque não tem integração de ciclovia, e ainda tem o problema de intercessão, por conta da velocidade das vias”, diz o doutor em transporte urbano.
    Ele avalia como positiva a ideia de levar as estações de bicicleta para dentro das regiões administrativas. “Isso promoveria ainda mais a cultura do uso da bicicleta e ampliaria um tipo de sistema e o tornaria mais inclusivo. Esse é um desafio porque envolve aspectos econômicos de uso, de promoção e segurança, porque é preciso de ciclovias”, conclui.
    Com informações do Correio Braziliense – Letícia Guedes, Mariana Saraiva 
  • Mais de mil ônibus do DF já aceitam cartões de crédito e débito como forma de pagamento

    Mais de mil ônibus do DF já aceitam cartões de crédito e débito como forma de pagamento

    Até final deste mês, todos os coletivos estarão equipados com os novos validadores; fim do pagamento com dinheiro em espécie será gradativo

    Faltam apenas dez dias para que os 2.900 ônibus do Distrito Federal comecem a adotar cartões de crédito ou débito como pagamento das passagens, além do BRB Mobilidade. Os novos validadores estão em fase de instalação nos coletivos. Até o momento, há aproximadamente mil veículos habilitados para aceitarem pagamentos com cartões e por aproximação. A previsão é que até 1º de julho todos os coletivos já estejam com os equipamentos habilitados.

    Até 1º de julho, todos os 2.900 ônibus do DF devem estar habilitados para aceitar pagamentos com cartões bancários e por aproximação | Fotos: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília

    Apesar de a novidade ainda ser pouco conhecida pelos usuários do transporte coletivo, os passageiros da linha 0.116, que corta a Asa Norte, aprovaram. “Isso é  maravilhoso. Eu não sabia que já estava valendo. Vai facilitar muito a vida do passageiro, que muitas vezes não tem dinheiro trocado. Com o celular também vai ser ótimo; se esquecer o cartão ou a carteira, tem como pagar por aproximação”, avaliou a gerente administrativa Rosângela Carneiro Luz, 58.

    Já para a cobradora da Piracicabana Alcione da Silva, 48, o principal benefício da nova medida é a segurança que vai ganhar no trabalho: “Eu nunca sofri um assalto dentro do ônibus, mas sempre tinha medo. Agora os bandidos sabem que não temos dinheiro dentro do coletivo, então isso não vai ser mais um atrativo para eles, e a gente pode trabalhar mais tranquilo também. Eu já comecei a reparar que nos últimos dias o pagamento em espécie diminuiu bastante”.

    A nova medida visa modernizar o Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal (STPC-DF), além de garantir mais segurança e transparência tanto aos usuários quanto aos prestadores de serviços. Segundo dados da Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF (Semob), em 2023, o pagamento da passagem com dinheiro em espécie representava um montante de R$ 278,5 milhões, o equivalente a 31% do total de acessos.

    De acordo com o secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno José Andrade Gonçalves, o fim do pagamento das passagens em dinheiro será gradativo, conforme adesão dos usuários. “Até o final de junho, todos os ônibus já estarão com o novo sistema. O pagamento em dinheiro, por sua vez, será extinto aos poucos, começando pelas linhas em que esse método já é, usualmente, pouco utilizado pelos passageiros. A previsão é que até final do ano, o dinheiro em espécie não esteja mais em circulação nos coletivos”, detalhou o chefe da pasta.

    O pagamento em dinheiro, por sua vez, será extinto aos poucos, começando pelas linhas em que esse método já é, usualmente, pouco utilizado pelos passageiros | Fotos: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

    Bilhetagem

    Atualmente, existem seis tipos de cartões do Sistema de Bilhetagem: Mobilidade, Vale-Transporte, Estudantil, Especial, Criança e Sênior. Entre 15 de maio e o dia 20 deste mês, o BRB registrou 15,8 mil novos cartões Mobilidade no DF.

    Para recarregar, bem como solicitar um novo cartão, o Governo do Distrito Federal (GDF) dispõe de 128 postos de atendimento que aceitam o pagamento em dinheiro em espécie, cartões de crédito e débito e Pix. Os mais de 280 mil usuários do aplicativo BRB Mobilidade também podem adquirir créditos de transporte com o pagamento via Pix no próprio app, e o valor fica disponível em, no máximo, cinco minutos.

    O estudante e jovem aprendiz Israel Mota, 16, utiliza a linha 0.116 da Piracicabana todos os dias para ir ao trabalho. Normalmente, ele usa o vale-transporte, mas os novos métodos de pagamento trazem segurança para quando esquecer a carteira em casa. “Muito legal essa nova tecnologia. Quando eu não estiver com o meu cartão, sei que poderei pagar com cartão via aproximação, muito mais fácil e rápido também”, elogia o rapaz.

    A cobradora Alcione da Silva ressalta o aspecto da segurança que a nova medida traz: “Agora os bandidos sabem que não temos dinheiro dentro do coletivo, então isso não vai ser mais um atrativo para eles, e a gente pode trabalhar mais tranquilo também” | Foto: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília

    Integração

    O pagamento de passagem com cartão bancário (débito ou crédito) não permite integração. Os cartões Mobilidade e Vale-Transporte são os que garantem ao passageiro fazer até três embarques no mesmo sentido, no prazo máximo de até três horas entre o primeiro e o último embarques. É possível, por exemplo, combinar uma parte do trajeto por meio de micro-ônibus, depois embarcar no metrô ou BRT e completar o percurso em outra linha de ônibus.

    A integração pode ser feita em qualquer parada de ônibus, estações do metrô e nos terminais rodoviários. Atualmente, os ônibus do DF cobram passagens de R$ 5,50 (longa e metrô), R$ 3,80 (ligação de RAs) e R$ 2,70 (curta). Mas o valor máximo da passagem integrada para quem utiliza cartão de transporte é de R$ 5,50, mesmo que o passageiro utilize trajetos de diferentes preços.

    Por Thaís Miranda, da Agência Brasília | Edição: Carolina Caraballo