Dia: 26 de maio de 2024

  • Caminhada no Eixão do Lazer incentiva a doação de leite materno

    Caminhada no Eixão do Lazer incentiva a doação de leite materno

    Foto: Lúcio Bernardo Jr/ Agência Brasília

    A ação visa motivar as lactantes a ajudar a abastecer o estoque dos 14 bancos do Distrito Federal que garantem o alimento a bebês internados nas unidades de saúde

    Por Adriana Izel, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

    Sob a entoação da frase “amor em cada gota doada, vida em cada gota recebida”, profissionais da saúde, doadoras de leite humano, bombeiros e apoiadores da causa tomaram as faixas do Eixão do Lazer, na altura da 108 Norte, em participação à Caminhada pela Doação de Leite Materno, realizada na manhã deste domingo (26).

    A iniciativa faz parte das atividades em alusão ao Dia Mundial de Doação de Leite Materno – data lembrada todo 19 de maio –, que ocorrem anualmente no Distrito Federal. “O objetivo da caminhada é intensificar a conscientização e o número de doações de leite materno, para que possamos continuar atendendo todos os nossos bebês”, explicou a coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Mariane Curado Borges.

    Daniella Magalhães Soares é mãe de gêmeos e tem boas lembranças de quando doou leite materno: “Sempre foi uma sensação muito boa poder saber que estava contribuindo com outras crianças” | Fotos: Lúcio Bernardo Jr/ Agência Brasília

    Antiga doadora, a enfermeira Daniella Magalhães Soares, 39 anos, fez questão de comparecer ao evento para estimular mais mulheres. Nos primeiros seis meses dos gêmeos Erick e Theo, 7 anos, ela fazia a coleta do leite materno e doava para os bancos do DF. “Foi difícil o processo de adaptação, mas como tive ajuda do banco de leite foi mais tranquilo. Sempre foi uma sensação muito boa poder saber que estava contribuindo com outras crianças que precisavam”, disse.

    Para Daniella, dividir o leite dos filhos com outros bebês é uma demonstração de amor. Por isso, ela incentiva outras lactantes a participarem do ato de doação: “Saber que você está sendo importante na vida de alguém e que vai fazer um bebê crescer mais saudável é algo muito humano e de muito amor. Tem que fazer”.

    Antes de ser doadora, a enfermeira Árthemis Machado conhecia a realidade de uma UTI neonatal: “Cada gotinha que chegava era ouro, era muito precioso”

    Mãe da pequena Diana, 3 anos, a enfermeira Árthemis Machado foi doadora do banco de leite de São Sebastião por um ano. Ela lembra que chegou a doar três litros de uma vez só. “Tive muito leite. Então eu doava e foi muito gratificante para mim. Era muito emocionante saber que outros nenéns poderiam ter a oportunidade que a minha filha tem. A Diana mama até hoje e é uma criança extremamente saudável e inteligente. É um presente que podemos dar”, apontou.

    A experiência dentro de um centro obstétrico foi o que tornou Árthemis doadora de leite materno. “Tive contato com a real necessidade que os nenenzinhos, principalmente os prematuros, tinham. Cada gotinha que chegava era ouro, era muito precioso. Então vivendo essa realidade, quando eu fui mãe eu quis participar”, recordou.

    Sandro Gomes comemora a parceira do Corpo de Bombeiros com a Secretaria de Saúde na coleta do leite materno a ser doado

    O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) é o principal parceiro da Secretaria de Saúde (SES-DF) na coleta das doações de leite humano. Por isso, a corporação também esteve presente na ação. O comandante-geral, coronel Sandro Gomes, destacou o papel dos militares na campanha. “Essa parceria é essencial. Temos 12 duplas que estão diariamente fazendo essa coleta do leite materno, ou seja 24 pessoas por dia. Chegamos a todos os lugares para trazer esse leite e levar para as crianças que mais precisam. É uma parceria que vem de longo tempo e a cada vez mais queremos aumentar”, defende.

    Nos próximos dias, a corporação deve apoiar os bancos de leite do DF em uma campanha em prol do Rio Grande do Sul. A capital federal deve ser a primeira unidade da Federação a encaminhar o alimento para abastecer os hospitais do estado impactados pelas enchentes e fortes chuvas.

    Nos próximos dias, o CBMDF deve apoiar os bancos de leite do DF em uma campanha em prol do Rio Grande do Sul

    A ação será coordenada pela Rede Brasileira de Banco de Leite, da Fiocruz, e vai envolver alguns estados. “Os bancos de leite de lá não estão conseguindo fazer as coletas por conta das ruas alagadas e das doadoras que perderam tudo, mas os bebês continuam precisando. Estamos estudando como vamos auxiliar essas crianças no Rio Grande do Sul. Estamos fazendo testes e organizando a logística”, adiantou a representante da Rede Brasileira de Banco de Leite, a médica Miriam Santos.

    Como doar para os bancos de leite

    Para se tornar uma doadora, a mulher deve se cadastrar pelo Disque Saúde 160, opção 4, ou pelo site Amamenta Brasília. Após a solicitação, o banco de leite entra em contato com a pessoa para orientá-la sobre a coleta. Semanalmente, os militares do Corpo de Bombeiros do DF fazem o recolhimento do leite, além de entregarem novos frascos para a continuidade da doação.

    O leite para doação deve ser armazenado em um frasco de vidro com tampa plástica. Caso a doadora não tenha o item, pode solicitar ao banco de leite. Antes da inclusão do líquido, o pote precisa ser fervido em água por 15 minutos. Durante o processo de coleta, as mulheres devem utilizar touca e máscara. Mãos e braços devem ser higienizados com água e sabão, enquanto a mama, apenas com água.

    A partir da primeira ordenha, a doadora deve identificar o frasco com a data da primeira coleta. O pote pode ser preenchido aos poucos, mas sempre deve retornar ao congelador ou freezer para acondicionamento, até ser recolhido pelos bombeiros.

    Atualmente, o DF conta com 14 bancos de leite humano – dez da SES-DF, um federal (Hospital Universitário de Brasília/HUB) e três privados – e sete postos de coleta, sendo três da rede pública e quatro da privada. Nos quatro primeiros meses de 2024, foram coletados 6,6 mil litros, atendendo a demanda de 5.269 bebês.

  • No DF, 911 presos não voltaram de saidões em 5 anos; 2% do total

    No DF, 911 presos não voltaram de saidões em 5 anos; 2% do total

    Divulgação

    Durante as saídas temporárias no DF, houve o registro de 115 ocorrências criminais com participação dos reeducandos beneficiados

    Entre janeiro de 2020 e maio de 2024, ocorreram 911 fugas durante as saídas temporárias da Papuda, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF). A cada “saidão“, entre 1.141 e 2.157 presos deixaram as celas. A taxa de fugitivos variou de 0,61% a 2,47% do total de beneficiados.

    No mesmo período, reeducandos aproveitaram o saidão para cometer 115 crimes. O Congresso Nacional debate a reformulação das saídas temporárias. Os parlamentares aprovaram a restrição do benefício, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou a mudança. Agora, o parlamento debate a possível derrubada do veto.

    Segundo o deputado federal Alberto Fraga (PL), o veto será derrubado. “Esse veto é um escárnio com a população brasileira. Para você ter uma ideia, de 2023 a 2024, foram colocados, nas ruas do país, mais de 15 mil presos que não voltaram das saidinhas. Não está dando resultado”, afirmou.

    Com a derrubada do veto, de acordo com o parlamentar, apenas os presos que estejam estudando, participando de atividades educativas ou realizando cursos profissionalizantes permaneceriam com acesso às saídas temporárias. A Casa planeja votar o veto na próxima terça-feira (28/5).

    Defesa da família

    Do ponto de vista da deputada federal Érika Kokay (PT), a saída temporária é uma ferramenta incontestável de ressocialização. Segundo a parlamentar, o presidente Lula sancionou 98% do projeto proposto pelo Congresso, mas vetou trechos que restringem de foram exagerada o benefício, privando os presos do convívio com a família.

    “Lula vetou dois artigos. Um para que essas pessoas possam estar com suas famílias na datas comemorativas. E outro para que possam frequentar atividades que contribuam com a sua ressocialização, dentre elas as atividades religiosas”, argumentou Kokay.

    De acordo com Kokay, a sanção do presidente apoiou a retirada do benefício para condenados por crimes violentos, contra a vida, de grave ameaça, sexuais e hediondos, a exemplo de estupradores. Para além disso, exige-se um exame criminológico e comportamental, bem como o cumprimento de um sexto da pena para o acesso à saidinha.

    “O veto valoriza as famílias. As famílias são os mais profundos agentes de ressocialização. São fundamentais na construção da cidadania e da humanização. O outro veto é para garantir a participação em atividades de ressocialização, como as igrejas. Derrubar o veto é desprezar as famílias e atividades religiosas”, destacou.

    Foragidos

    A Seape mantém uma lista atualizada com os foragidos, não apenas nas saídas temporárias, como também em outras modalidades de fuga, neste link. De forma anônima, qualquer pessoa pode fornecer informações sobre fugitivos para a Polícia Penal do DF, pelo telefone: (61) 9 9666-6000.

    A juíza da Vara de Execuções Penais do DF (VEP/DF) estabeleceu, por meio da Portaria VEP nº 1/2024, os requisitos para a concessão das saídas temporárias. O benefício está previsto na Lei de Execução Penal.

    Segundo o dispositivo, as pessoas que cumprem pena em regime semiaberto poderão obter autorização para saída temporária do estabelecimento prisional, sem vigilância direta, para realização de visita a familiares, estudo externo e outras atividades que concorram para o retorno ao convívio social.

    Têm direito às saídas temporárias as pessoas em cumprimento de pena em regime semiaberto que preencham os requisitos previstos em lei e que recebam autorização da VEP. Estes requisitos são objetivos e subjetivos, e vão desde bom comportamento na jornada carcerária do custodiado até necessidade de documentação atualizada.

    A Gerência de Fiscalização de Custodiados (Gefic) monitora o cumprimento das condições impostas pela VEP aos beneficiário. O DF conta com três estabelecimentos penais que comportam o regime semiaberto; são eles: Centro de Internamento e Reeducação (CIR), Centro de Progressão Penitenciária (CPP) e Penitenciária Feminina (PFDF).

    Por Francisco Dutra – Metropoles