Dia: 20 de outubro de 2023

  • Metade dos argentinos aceita governo “não democrático” se ele “resolver problemas”, aponta pesquisa

    Metade dos argentinos aceita governo “não democrático” se ele “resolver problemas”, aponta pesquisa

    Argentinos vão às urnas neste domingo (22) para o primeiro turno das eleições presidenciaisBanco de imagens/Pexels

    Índice de aceitação de um governo não democrático, mas que entregue resultados, chega a 67% dos eleitores com educação primária e a 56% entre aqueles da faixa etária de 18 a 29 anos

    Às vésperas do 40º aniversário de redemocratização da Argentina, metade dos eleitores no país diz não se importar com a chegada ao poder de um governo autoritário, desde que resolva os problemas nacionais, segundo pesquisa feita pela Poliarquía Consultores obtida pela CNN

    O índice de aceitação de um governo não democrático, mas que entregue resultados, chega a 67% dos eleitores com educação primária e a 56% entre aqueles da faixa etária de 18 a 29 anos. A pesquisa ouviu 1.000 entrevistados, entre 25 de setembro e 6 de outubro, em grandes centros urbanos do país vizinho

    Os argentinos vão às urnas neste domingo (22) para o primeiro turno das eleições presidenciais, que tem o economista Javier Milei como favorito. Apresentando-se como “outsider” na política e “anarcocapitalista”, ele defende bandeiras como a dolarização da economia e a eliminação do Banco Central.

    Milei também é a favor da taxação da saúde pública e da facilitação do acesso a armas. Ele critica a educação sexual nas escolas, relativiza crimes de lesa-humanidade cometidos pela ditadura militar (1976-1983) e já saiu em defesa da liberação do comércio de órgãos humanos.

    Para Daniel Zovatto, diretor regional para América Latina e Caribe do Instituto para a Democracia e a Assistência Eleitoral (Idea), não há uma aceitação generalizada do que ele chama de “autoritarismo seco”, mas sim condicionado à entrega de “resultados”.

    “Tampouco é uma aceitação do autoritarismo tradicional, via golpe de Estado por militares. Mas de um novo tipo de autoritarismo competitivo que, mesmo chegando ao poder via eleições mais ou menos competitivas, atua para erodir a democracia gradualmente desde dentro”, disse Zovatto à CNN.

    A pesquisa pediu aos entrevistados que reagissem à seguinte afirmação: “Não me importa que um governo não democrático chegue ao poder se ele resolver os problemas das pessoas”. Metade respondeu estar de acordo (35% de acordo e 15% muito de acordo). Outros 49% disseram não estar de acordo (35% em desacordo e 14% muito em desacordo).

    Enquanto isso, é forte o sentimento de desesperança. Quando se pergunta aos argentinos como acreditam que estará a situação do país daqui a um ano, o pessimismo prevalece: 40% dizem que, pior, 27% veem melhoria e 20% acreditam que tudo ficará igual. Os demais não responderam.

    Zovatto, que participou do lançamento da pesquisa em Buenos Aires, vê um fenômeno de “bukelização” da política argentina.

    Trata-se de uma referência ao governo de direita radical do presidente Nayib Bukele, de El Salvador, um dos mais populares da América Latina e que adota postura linha dura no combate ao crime.

    “Em resumo: na sociedade argentina há demanda, tolerância ou aceitação para uma liderança autoritária sempre e quando ela dê resultados [na percepção dos cidadãos]”, afirma Zovatto. “Isso explica o alto nível de apoio eleitoral que Milei teve nas primárias e que pode ter novamente neste domingo”.

    Daniel Rittner

  • Reabertura do Bezerrão é remarcada para dezembro

    Reabertura do Bezerrão é remarcada para dezembro

    GDF já investiu mais de R$ 3,5 milhões em reparos no estádio | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

    Secretaria de Esporte e Lazer identificou necessidade de ajustes na manutenção da estrutura da tradicional praça de esportes do Gama

    Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

    A reabertura do Estádio Valmir Campelo Bezerra, o Bezerrão, que estava marcada para sábado (21), foi remarcada para 8 de dezembro deste ano.

    Segundo a Secretaria de Esporte e Lazer do DF (SEL), a data de entrega da tradicional praça de esportes do Gama foi alterada em virtude de ajustes na manutenção estrutural do local.

    Inaugurado em 1977, o Bezerrão passa pela maior reforma desde sua reformulação, em 2008. Ao todo, o Governo do Distrito Federal (GDF) investiu mais de R$ 3,5 milhões na execução de reparos estruturais, recuperação das arquibancadas e do gramado, além da modernização da rede elétrica e do sistema de combate a incêndios.

    Todas as intervenções no local, que já recebeu grandes jogos do futebol nacional e da Seleção Brasileira, foram feitas de acordo com o Estatuto do Torcedor e acompanhadas de perto por órgãos de fiscalização do Distrito Federal.

    Houve a troca do gramado, manutenção do alambrado com solda dos gradis, alteração na fixação de tubos e a aplicação de braceletes em trechos danificados. Os 20 mil assentos também foram recuperados. Os revestimentos dos banheiros e dos vestiários foram trocados, com a substituição de cerâmicas danificadas e a instalação de dispensers.

    A área externa também recebeu ações do GDF, com a pintura renovada e a instalação de vidros na tribuna de honra.

    *Com informações da Secretaria de Esporte e Lazer do DF

  • Governador do DF participa da entrega do Prêmio Mérito Varejista 2023

    Governador do DF participa da entrega do Prêmio Mérito Varejista 2023

    Foto: Renato Alves/ Agência Brasília

    Premiação valoriza personalidades que colaboraram com o desenvolvimento do setor produtivo. Primeira-dama Mayara Noronha Rocha foi agraciada com a honraria, que foi concedida a Ibaneis Rocha em 2022

    O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, participou, na noite desta quinta-feira (19), da solenidade de entrega do Prêmio Mérito Varejista 2023, no Dúnia City Hall, no Lago Sul. A honraria é concedida pelo Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista) a empresários, autoridades e personalidades que colaboraram para o desenvolvimento da classe econômica na capital federal. Em sua segunda edição, foram entregues onze comendas.

    “Esse é um evento que já marca a história do Distrito Federal. Parabenizo a todos os homenageados da noite que são pessoas que realmente são referência e fazem a diferença para o Distrito Federal”, afirmou Ibaneis Rocha.

    Em 2022, o chefe do Executivo foi agraciado com o prêmio. Neste ano foi a vez da honraria ser concedida à primeira-dama do Distrito Federal, Mayara Noronha Rocha | Foto: Renato Alves/Agência Brasília

    O líder do Executivo destacou a importância do setor para o DF. “O varejo representa uma grande parte da nossa economia e é onde está a maioria dos empregos. Temos que, a cada dia mais, festejar o trabalho que o Sindivarejista faz na nossa cidade”, disse. “Quero dizer a todos os empresários que o governo respeita o empresariado. Essa é a maior missão do governo: representar e respeitar quem produz e gera emprego e renda”, acrescentou.

    Em 2022, o chefe do Executivo foi agraciado com o prêmio. Neste ano foi a vez da honraria ser concedida à primeira-dama do Distrito Federal, Mayara Noronha Rocha. “Acho que nós temos feito um trabalho pela cidade que é reconhecido. A Mayara, como primeira-dama, tem se colocado como uma pessoa sempre disponível, com todo o empenho e dedicação à cidade e às pessoas do Distrito Federal”, afirmou o governador. “Assim como foi no ano passado a mim, esse ano também a ela, é uma homenagem merecida”, completou.

    O prêmio dado à primeira-dama reconhece o trabalho no GDF durante a gestão na Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), às ações sociais para a população vulnerável da cidade – como as campanhas do agasalho, de arrecadação de alimentos, campanhas Vem Brincar Comigo e Nosso Natal – e participação no Conselho de Políticas Públicas do DF.

    “A primeira-dama fez um trabalho maravilhoso à frente da Secretaria de Desenvolvimento Social. O trabalho dela fez com que os empresários ficassem mais solidários, o que é fundamental para melhorar a economia e dar visibilidade aos invisíveis”, disse o presidente do Sindivarejista, Sebastião Abritta.

    “Mayara exerceu muito bem essa função e hoje ela está no Conselho de Políticas Públicas do governo, onde está iniciando um belo trabalho e vai estar à frente ajudando as pessoas e o empreendedorismo feminino, que é de muita importância para o nosso segmento”, completou o presidente do sindicato.

    Mayara Noronha Rocha destacou o apoio que o setor tem dado às campanhas para a população em situação de vulnerabilidade do DF. “Desde 2019, quando surgiram as campanhas, sempre buscamos o empresariado. Eles são a grande força que nós temos aqui e vem cada vez mais nos ajudando, seja na campanha voltada para a alimentação, quanto na campanha dos brinquedos, que tivemos recentemente”, comentou.

    Sobre a comenda, se mostrou honrada: “É uma honra gigantesca estar nesse evento recebendo essa medalha, o que me leva a pensar que, na verdade, é um reconhecimento mesmo pela ação social”. Emocionada, Mayara Noronha Rocha citou o filho Mateus como grande propulsor do empenho dela nas causas sociais. “A partir do vínculo de um filho faz nascer uma energia sobrenatural. Muito obrigada, meu filho, por você ser homem que me traz muita coragem para deixar o Distrito Federal também mais feliz e mais próspero para quem precisa”, complementou.

    Reconhecimento do setor

    Durante a solenidade, o presidente do Sindivarejista fez questão de lembrar às ações do governo do DF em apoio ao setor varejista, principalmente durante a pandemia de covid-19, com incentivos econômicos e fiscais e realizando diversas obras na cidade, como a reforma da W3 Sul e a construção de viadutos nas regiões administrativas.

    “O governador Ibaneis Rocha tem uma habilidade muito grande de atrair empresários e tem uma visão empreendedora. Ele fez o Refis e inúmeras obras em Brasília e, como aqui não temos indústria, o que movimenta é a obra pública e privada. E o governador está desenvolvendo esse papel de geração de emprego”, destacou Sebastião Abritta.

    A atuação de Ibaneis Rocha também foi celebrada pelos próprios empresários agraciados com o Mérito Varejista. “Brasília está sendo muito bem cuidada pelo governador e pela primeira-dama”, definiu a empresária Daniela Vieira, da Casa do Chocolate.

    Criado na década de 1970, o Sindivarejista representa mais de 40 mil associados e o setor emprega cerca de 160 mil pessoas.

    Adriana Izel, da Agência Brasília | Edição: Igor Silveira

  • Egito abre fronteira nesta 6ª para arrefecer crise humanitária em Gaza

    Egito abre fronteira nesta 6ª para arrefecer crise humanitária em Gaza

    Imagem de Marcin Chuć por Pixabay

    Em Rafah, cidade fronteiriça ao sul da Faixa de Gaza, a expectativa é pela recepção dos primeiros caminhões com ajuda humanitária. Nesta sexta-feira (20/10), o Egito deve abrir a fronteira para abastecer os palestinos com recursos de primeira necessidade, como alimentos, combustíveis e medicamentos. A região enfrenta crise humanitária diante do cerco promovido por Israel.A permissão de entrada de suprimentos na Palestina foi anunciada, nessa quarta-feira (18/10), pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Esse primeiro recuo ao cerco imposto em 9 de outubro atende a uma pressão do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

    Uma vez que a abertura não dependeria somente do lado israelense, as tratativas se voltaram também ao governo egípcio. Ainda nessa quarta (18/10), Biden anunciou ter conversado com o governo egípcio, que concordou com a liberação de 20 caminhões para cruzar a fronteira.

    A ajuda ainda é limitada, mas arrefece a crise momentaneamente. Israel e Egito, porém, anunciaram que a entrada de ajuda na Faixa de Gaza fica condicionada ao grupo Hamas não ter acesso aos suprimentos. Caso contrário, é esperado um revés, com retomada do cerco à região.A liberação da entrada dos caminhões, no entanto, não representa a criação de um corredor humanitário, que consiste em uma zona livre de ataques para retirada de civis e chegada de ajuda.

    Ajuda limitada

    Ainda que ajude a aliviar a situação, a abertura da fronteira para a entrada dos primeiros veículos não é suficiente para abastecer a população de mais de 2 milhões de habitantes. Paralelamente, mais de 100 caminhões aguardam liberação para cruzar a fronteira, segundo o jornal Times of Israel.

    O bloqueio foi uma medida implementada por Israel, há pouco mais de 10 dias, para retaliar o Hamas pelo ataque-surpresa do último dia 7. A medida, porém, tem causado danos à população palestina de forma geral.Apesar do recuo, o governo israelense se mantém firme na ofensiva contra o Hamas e tem dado indicação de que, a qualquer momento, invadirá a Faixa de Gaza em uma incursão terrestre.

    Nessa quinta-feira (19/10), o ministro da Economia de Israel, Nir Barkat, afirmou que o exército israelense tem “sinal verde” para invadir a Faixa de Gaza quando estiver pronto. A prioridade de Israel, segundo ele, será destruir o Hamas.

    Pouco antes, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, havia dito que um ataque a Gaza virá em breve. “Quem vê Gaza de longe agora verá de dentro. Eu prometo. A ordem virá”, apontou Gallant.

    Números da crise

    Desde o último dia 7, data que marcou a escalada no conflito entre Israel e Hamas, morreram mais de 5 mil pessoas. No lado israelense, foram 1,4 mil vítimas, de acordo com informações das Forças de Defesa. O lado palestino contabiliza 3.785 mortos, conforme o Ministério da Saúde da Palestina.

    Além das mortes, o conflito entre Israel e Hamas lançou a Faixa de Gaza em uma crise humanitária. De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, sigla em inglês), a região está sem energia desde 11 de outubro, quando a usina de geração de energia ficou sem combustível.O relatório destaca que os moradores da Faixa de Gaza teriam estoques comerciais de produtos alimentares essenciais por poucos dias. “O apagão interrompeu a segurança alimentar ao afetar a refrigeração, a irrigação das culturas e os dispositivos de incubação das culturas, prejudicando consequentemente vários meios de subsistência, incluindo aves, gado, peixes e outros produtos”, detalhou.

    O texto observa, entre outros itens, que a prestação de ajuda humanitária tem sofrido dificuldades na Faixa de Gaza, seja por meio de hostilidades, seja pela dificuldade de acesso a recursos essenciais, como água, combustível e medicamentos.

    Pacificação frustrada

    O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta semana, tentou emplacar uma resolução para frear o conflito. A minuta apresentada pelo Brasil garantiu a maioria dos votos, mas o posicionamento contrário dos Estados Unidos minou qualquer aprovação.

    Como membro permanente, os americanos têm poder de veto. Embaixadora dos EUA, Linda Thomas-Greenfield afirmou que a decisão se deve ao fato de o texto não fazer menção direta ao direito de autodefesa de Israel.

    “Os Estados Unidos estão desapontados que essa resolução não faz qualquer menção ao direito de Israel de se defender. Como qualquer nação no mundo, Israel tem o direito inerente à autodefesa”, alegou.A resolução previa, por exemplo, a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. O texto ainda encorajaria “o estabelecimento de corredores humanitários e outras iniciativas para a entrega de ajuda à população civil”.

    Por Mateus Salomão – Metrópoles