Dia: 11 de outubro de 2023

  • Tite, Flamengo e o encontro inevitável

    Tite, Flamengo e o encontro inevitável

    Tite exibe a camisa do Flamengo dentro da academia do Ninho do Urubu — Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

    A esta altura das trajetórias do treinador e do clube, a chegada de Tite ao Flamengo é daqueles encontros que, de tão naturais, chegam a parecer inevitáveis. Como se um precisasse do outro. Ou, dizendo de outra forma, como se o técnico e sua nova equipe fossem claramente as melhores escolhas um para o outro.

    Do preparo à experiência de duas Copas do Mundo, o que deu a ele uma convivência de seis anos com alguns dos principais jogadores do planeta, Tite se consolidou como o melhor treinador brasileiro. Em tese, tal status deveria lhe oferecer o direito de escolher onde trabalhar. De certa forma, ele o fez. Mas não da forma planejada

    Primeiro, porque esperou por uma oferta que o seduzisse, vinda da Europa ou de uma seleção nacional. Não aconteceu. E depois, porque o futebol brasileiro tem uma peculiaridade. Mesmo após disputarmos 22 mundiais e termos vencido pouco menos de 25% deles, seguimos medindo sucesso e fracasso da seleção nestes torneios a partir da quase infantil separação entre Copas vencidas e perdidas. De pouco vale ponderar os seis anos de um trabalho de alto nível, o caráter indomável dos mata-matas de copas, ou constatar que, em 2018 e 2022, o Brasil caiu em duas quartas de final em que foi dominante. Sendo assim, saiu dos mundiais um Tite rotulado por ter “perdido duas Copas”. O que impunha um especial cuidado na escolha do passo seguinte de sua carreira.

    No Brasil, não haveria outro clube que lhe entregasse estrutura física, recursos técnicos e econômicos para um trabalho de elite.

    Por sua vez, o Flamengo se via contra a parede na substituição de Jorge Sampaoli. As ambições proporcionais à quantidade de dinheiro investida no futebol, somadas a um projeto esportivo com pouco norte, resultaram na percepção de que nenhum nome do mercado brasileiro estava à altura do rubro-negro. Ao mesmo tempo, as mais recentes opções estrangeiras sucumbiram entre erros dos treinadores e o contexto de um clube que parecia fazer cada treinador parecer pior do que, de fato, era.

    À peculiar conjuntura rubro-negra vale acrescentar o status de um elenco cuja espinha dorsal tem conquistas no clube, e parte dela tem experiência em ligas de elite. Não parece um vestiário fácil de convencer, não pelo sentido da insurreição, mas pela necessidade de enxergar no comando um certo nível de preparo.

    Ao menos na teoria, o Flamengo encontra em Tite um raro que satisfaz tais condições. Descontada a forma insana como o país julga personagens após Copas do Mundo não ganhas, quem de fato milita no futebol reconhece no treinador um nível de respeitabilidade, uma soma de experiências e bons trabalhos que o credenciam. O drama rubro-negro é que nada disso oferece garantias.

  • Primeiros brasileiros repatriados de Israel desembarcam em Brasília

    Primeiros brasileiros repatriados de Israel desembarcam em Brasília

    Igo Estrela/Metrópoles

    Primeiro grupo a desembarcar em Brasília tem 211 brasileiros vindos de Israel. Há, porém, mais de 2 mil cidadãos que pediram repatriação
    Os primeiros brasileiros repatriados desembarcaram na Base Aérea de Brasília na madrugada desta quarta-feira (11/10). Nessa leva inicial, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) resgatou 211 pessoas que estavam em Israel.
    A aeronave militar KC-30, um Airbus A330 200, saiu do Brasil no último domingo (8/10) e chegou a Tel Aviv às 14h12 (horário de Brasília) desta terça-feira (10/10). O voo de volta para o Brasil durou cerca de 14 horas e pousou em Brasília às 4h07.
    A primeira passageira a descer do avião ergueu uma bandeira do Brasil. Ela puxou a descida dos repatriados, às 4h28.

    Igo Estrela/Metrópoles

    Os 211 repatriados integram o grupo que solicitou ajuda do governo brasileiro para retornar ao país. No total, há mais de 2 mil brasileiros em Israel e 50 na Faixa de Gaza. Desde o último sábado (7/10), deu-se início a uma guerra entre Hamas e Israel, após o grupo radical promover ataques armados e disparo de mísseis em diversas localidades do país.
    Em coletiva, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que este avião é o primeiro de muitos e ressaltou que o Brasil é pioneiro desta operação. “Algumas pessoas perguntam quantos voos serão. Vamos trazer todos os brasileiros. Estamos trabalhando para levá-los a um lugar seguro, para que possam também voltar em paz para casa.”
    Sobre os brasileiros na Faixa de Gaza, Marcelo Damasceno, comandante da Aeronáutica, garantiu que o Brasil trará todos, apesar das dificuldades do resgate na região.
    “Estamos fazendo uma análise bastante amiúde do resgate do nosso pessoal da Faixa de Gaza. Imaginávamos o Cairo, mas é uma distância muito longe. Estamos analisando dois aeroportos ao norte e nordeste no Egito. Temos certeza de que traremos todos”, assegurou.
    A FAB informou que, após passarem por procedimentos alfandegários, os repatriados com destino final em Brasília serão direcionados à área doméstica de desembarque do Aeroporto Internacional para reencontrarem os familiares.
    Já os que moram em outros estados serão transportados aos seus destinos finais de forma gratuita. O governo informou que fechou uma parceria com a Azul Linhas Aéreas para as viagens dentro do país
    Por motivos de segurança, os repatriados não tiveram o nome divulgado.
    Um segundo avião enviado para repatriar brasileiros em Israel seguiu rumo à Europa na tarde dessa segunda-feira (9/10). O avião fará escala em Roma, na Itália, antes de seguir para Tel Aviv, em Israel.
    Operação de resgate
    Até o momento, mais de 2 mil brasileiros que estão em Israel solicitaram repatriação ao governo federal. Desde o último sábado (7/10), quando se deu a escalada do conflito, muitos deles — em grande parte, turistas — temem ser atingidos pelo conflito.
    A FAB lançou a Operação Voltando em Paz, a fim de trazer os cidadãos do Brasil de volta para casa. Para solicitar a repatriação, os brasileiros preencheram formulário on-line disponibilizado pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty.
    A Embaixada do Brasil em Tel Aviv estima que há 14 mil brasileiros residentes em Israel e 6 mil na Palestina. A grande maioria deles está fora da área afetada pelos ataques.
    No momento, a operação de repatriação atinge apenas os cidadãos que estão em Israel, mas há brasileiros também na Faixa de Gaza. O Ministério de Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil no Egito coordena uma ação para a retirada de brasileiros dessa região
    “O Escritório de Representação em Ramala [na Cisjordânia] segue em contato com os brasileiros na Faixa de Gaza e, tendo em conta a deterioração das condições securitárias na área, está implementando plano de evacuação desses nacionais da região, em coordenação com a Embaixada do Brasil no Cairo”, informou o Itamaraty, em nota.
    Mais de 1,9 mil mortos
    Os ataques do Hamas contra Israel e a retaliação do país contra a Faixa de Gaza, região dominada pelo grupo radical, resultou na morte de cerca de 1,9 mil pessoas de ambos os lados. Os números são desta terça-feira (10/10) e foram divulgados pelo Ministério da Saúde Palestino e pelas Forças de Defesa de Israel.
    Autoridades palestinas confirmaram 900 mortes em sua população. O Ministério da Saúde local destacou que, desse total, há 260 crianças e 230 mulheres. A ofensiva de Israel contra territórios palestinos ainda teria resultado em 4,5 mil cidadãos feridos.
    As Forças de Segurança de Israel, por sua vez, informam que o ataque-surpresa realizado pelo Hamas resultou em mais de 1 mil mortos e 2,8 mil feridos. Há ainda 50 desaparecidos.
    Entre as vítimas, há dois brasileiros: Ranani Glazer e Bruna Valeanu, ambos de 24 anos. Eles estavam na festa rave em uma área próxima à Faixa de Gaza, onde morreram 260 pessoas no sábado.Nesta terça-feira (10/10), milhares de pessoas acompanharam o funeral de Bruna Valeanu. Segundo relatos, compareceram ao sepultamento brasileiros e cidadãos de Israel, comovidos com o assassinato da jovem.

    Por Mateus SalomãoAlan RiosThalys Alcântara -Metrópoles

  • A invasão terrestre por Israel da Faixa de Gaza é uma questão de horas

    A invasão terrestre por Israel da Faixa de Gaza é uma questão de horas

    Imagem de WikiImages por Pixabay

    Autoridades dos Estados Unidos preparam-se, cada vez mais, para uma guerra prolongada e devastadora na Faixa de Gaza entre Israel e o grupo terrorista Hamas. Elas preveem que a invasão terrestre a Gaza, onde moram 2,3 milhões de palestinos, ocorrerá nas próximas 48 horas, segundo o jornal Washington Post.Em telefonema trocado com o presidente Joe Biden, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu teria dito que não tem outra escolha a não ser invadir Gaza. A guerra, hoje, entrou no seu quarto dia, com 900 israelenses mortos e 2,4 mil feridos. Do outro lado, 704 palestinos foram mortos e 3,9 mil feridos.

    A ONU informa que 790 casas foram destruídas em ataques aéreos israelitas e há mais de 5.300 edifícios danificados na Faixa de Gaza; a falta de abastecimento de água impacta 400 mil palestinos. Em Gaza, entre 100 e 150 israelenses estão detidos, revelou à CNN o embaixador de Israel nas Nações Unidas, Gilad Erdan.

    A pedra no sapato de Israel é justamente esta: o número de seus cidadãos capturados pelo Hamas. Israel já chegou a trocar centenas de prisioneiros por restos mortais. E 1.150 prisioneiros por um único, Gilat Shalit, o soldado de 19 anos de idade que o Hamas manteve como refém entre 2006 e 2011.As capturas em massa feitas no último sábado “mexeram com as emoções israelitas de forma mais visceral do que qualquer outra crise na memória recente do país e apresentam um dilema impossível para o governo de extrema direita de Netanyahu”, comenta a agência americana de notícias Associated Press.

    As “emoções viscerais” têm sido exacerbadas pelos vídeos do Hamas que mostram famílias sentadas no chão, em lágrimas, e crianças a serem atormentadas por membros do grupo terrorista nas ruas de Gaza. Muitos israelenses descobriram que os seus familiares tinham sido raptados ao acessarem as redes sociais.

    Por Ricardo Noblat – Metrópoles