Dia: 16 de julho de 2023

  • Mais de 3 mil atletas participam da 32ª edição da Corrida do Fogo

    Mais de 3 mil atletas participam da 32ª edição da Corrida do Fogo

    Esplanada dos Ministérios foi o cenário dos percursos de 5 km e 10 km. Evento comemora o 167º aniversário do Corpo de Bombeiros do DF

    Militares do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e pessoas da sociedade civil se reuniram, na manhã deste domingo (16), para a tradicional Corrida do Fogo. A 32ª edição comemorou o aniversário de 167 anos da corporação e contou com a participação de 3.060 corredores. A governadora em exercício do DF, Celina Leão, prestigiou o evento e concluiu o percurso de 5 km pelo Eixo Monumental.

    Realizada desde 1990, a Corrida do Fogo reuniu mais de 3 mil participantes neste domingo (16) | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

    “Esse evento é uma valorização da nossa corporação, o Corpo de Bombeiros. É uma alegria estar aqui. É um momento de lazer, entretenimento, de reforçar a importância da saúde e de descontrair”, destacou Celina Leão.

    Realizada desde 1990, a Corrida do Fogo foi incluída no calendário oficial de eventos de Brasília pela Lei Distrital nº 4.780, de 2012. A comandante-geral do CBMDF, coronel Mônica de Mesquita Miranda, recepcionou os participantes e comemorou o aniversário da corporação.

    “Essa é uma corrida de rua que já faz parte do calendário do DF e agrega tanto para a sociedade quanto para os bombeiros. É um momento de confraternização e muita alegria”, afirmou.

    O secretário interino de Esporte e Lazer, Renato Junqueira, disse que o evento também busca conscientizar contra as queimadas no DF. “Eventos como esse mostram que Brasília é realmente a capital do esporte. Ficamos muito felizes com competições dessas para incentivar a conscientização das pessoas, sobretudo no período de seca e sobre o trabalho que o CBMDF desenvolve”, pontuou.

    Categorias

    “Vim fazer o percurso de 5 km e para acompanhar meu marido bombeiro. A organização foi perfeita, do início ao fim”, disse a professora Aury Cleide Parente

    A corrida contou com 12 categorias diferentes, para Pessoas com Deficiência (PcDs), idosos, militares e público geral, cujos percursos eram de 5 e 10 quilômetros. Na altura da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, os 3.060 participantes deram início ao percurso na Esplanada dos Ministérios.

    “A gente tem uma vasta quantidade de categorias para que todos possam participar. Tem para todos os gostos. O objetivo é comemorar o aniversário do CBMDF”, destacou a comandante.

    O engenheiro Moacir Rocha, 62 anos, concluiu o percurso de 5 km. Para ele, a atividade física já faz parte da rotina. “Eu sempre procuro fazer exercício umas três vezes na semana e, aos finais de semana, correr. Hoje vim aqui para curtir a natureza e ter mais qualidade de vida”, compartilhou.

    Já a professora Aury Cleide Parente, 45 anos, aproveitou a participação do marido para também marcar presença na Corrida do Fogo. “Vim fazer o percurso de 5 km e para acompanhar meu marido bombeiro. O percurso é ótimo, a vista, excelente. A organização foi perfeita, do início ao fim”, elogiou.

    Thaís Miranda, da Agência Brasília | Edição: Débora Cronemberger

  • Reforma tributária: texto autoriza três dos estados mais ‘agro’ do país a criar imposto sobre produção

    Reforma tributária: texto autoriza três dos estados mais ‘agro’ do país a criar imposto sobre produção

    Irrigação em uma lavoura de trigo no Brasil — Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

    Artigo foi incluído horas antes da votação na Câmara; Senado vai analisar. Levantamento do g1 mostra que pelo menos sete estados poderão taxar minério de ferro, petróleo e alimentos – incluindo MT, GO e SC.

    Ao menos três dos dez estados com maior produção agropecuária do país poderão criar um imposto com vigência de 20 anos sobre o agronegócio, conforme a reforma tributária aprovada pela Câmara dos Deputados. O texto ainda precisa de aval do Senado.

    Na Câmara, uma emenda de última hora permitiu que os estados criem um tributo, com cobrança até 2043, sobre produtos primários e semielaborados – minério de ferro, petróleo e alimentos, por exemplo.

    Isso será possível desde que:

    • os estados tenham fundos de investimento em infraestrutura e habitação em vigor em 30 de abril de 2023;
    • o aporte de recursos nesses fundos seja uma condição para que as empresas contem com benefícios fiscais na cobrança do imposto estadual (ICMS).

    Segundo levantamento do g1, com base em informações fornecidas pelas secretarias estaduais, ao menos 7 estados têm fundos em vigor conforme as regras aprovadas pela Câmara e poderão criar uma nova taxa.

    Desses estados, três integram a lista dos dez maiores produtores agropecuários do país, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). São:

    Reforma tributária: empresas e especialistas em impostos manifestam preocupação com artigo incluído na proposta

    Reforma tributária: empresas e especialistas em impostos manifestam preocupação com artigo incluído na proposta

    Como funcionam os fundos

    No Mato Grosso, o governo criou o Fundo Estadual de Transporte e Habitação em 2000. O estado cobra alíquotas variadas sobre os seguintes produtos: algodão, gado, soja e madeira. Os recursos são usados para aplicação em obras de infraestrutura rodoviária.

    Já em Goiás, as contribuições incidem sobre cana-de-açúcar, milho, soja, carne, gado e alguns minerais. As alíquotas são diferenciadas por produto, mas não podem ser superiores a 1,65%. Os recursos compõem o Fundo Estadual de Infraestrutura, criado em dezembro de 2022.

    Em Santa Catarina, o Fundo Estadual de Promoção Social e Erradicação da Pobreza permite a aplicação de recursos em obras de infraestrutura e habitação. As empresas que contam com incentivo fiscal devem recolher 2,5% do valor mensal correspondente aos descontos na cobrança do imposto estadual.

    Além dos três, outros estados têm fundos de infraestrutura e habitação e também poderão criar um novo imposto:

    • Alagoas: Fundo de Combate à Pobreza, com previsão de aplicação de recursos em habitação e saneamento básico;
    • Maranhão: Fundo Estadual para Rodovias;
    • Piauí: Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Logística;
    • Rondônia: Fundo para Infraestrutura de Transporte e Habitação.

    Outros estados têm fundos específicos para equilíbrio fiscal e desenvolvimento, mas não se enquadrariam nas regras estabelecidas pela Câmara. No total, pelo menos 17 unidades da federação têm algum tipo de fundo.

    Maior custo de produção

    Segundo o advogado tributarista Luis Claudio Yukio, essa nova taxa pode elevar o custo e causar uma migração de novos investimentos do agronegócio para outras regiões produtivas.

    “Em vez de [os fazendeiros] plantarem soja no Brasil, onde eles vão plantar? No Paraguai. Tem uma questão logística, óbvio, mas não vai ter essa sobretaxa, não vai ter imposto de importação porque é Mercosul, então vai virtualmente produzir com custo menor e lucro maior fora desses estados”, afirmou.

    No entanto, o especialista faz a ressalva de que mover a atual cadeia produtiva dos estados seria difícil, o que deve levar a um maior custo de produção para os negócios já instalados

    De acordo com Yukio, essa previsão também pode afetar a balança comercial dos estados. Com os preços dos produtos agropecuários mais altos, é possível que a indústria opte por comprar de outras regiões produtoras.

    Controvérsias

    Para o advogado Jules Queiroz, o trecho da reforma está tornando constitucional uma discussão controversa travada no Supremo Tribunal Federal (STF).

    O texto original da Constituição previa que os estados não poderiam cobrar ICMS sobre exportações – exceto de produtos semielaborados, como produtos agropecuários, petróleo, minerais e borracha.

    “Lá pelos anos 2000, uma emenda constitucional reverteu isso e previu que nenhuma exportação recolhe ICMS. Então, quando [o artigo da reforma] fala de elementos semielaborados, está querendo recuperar essa competência que os estados tinham no texto original da Constituição”, explicou Queiroz.

    Outro ponto é que alguns estados criaram fundos que cobram taxas sobre a produção para que as empresas possam receber benefícios fiscais, com isenção de ICMS.

    Alguns desses fundos estão sendo questionados na Justiça, com ações em tramitação no STF.

    “A ideia desse artigo é, primeiro, recuperar essa competência que os estados tinham e, segundo, constitucionalizar essas contribuições para fundos que existem nos estados”, declarou.

    Reforma tributária

    O texto da reforma ainda precisa ser aprovado no Senado. A proposta de emenda à Constituição pretende simplificar a cobrança de impostos no Brasil.

    Hoje, existem cinco impostos sobre o consumo: IPI, PIS e Cofins (federais), ICMS (estadual) e ISS (municipal). A reforma transforma esses cinco em dois impostos de valor agregado (IVAs):

    • Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substitui os impostos federais;
    • Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), no lugar do ICMS e do ISS.

    Outra mudança promovida pela reforma é que os impostos deixarão de ser cumulativos, ou seja, não vão tributar mais de uma vez as operações.

    Por Lais Carregosa, g1 — Brasília