Dia: 5 de julho de 2023

  • Novo ciclo do QualificaDF terá cursos com acessibilidade em Libras

    Novo ciclo do QualificaDF terá cursos com acessibilidade em Libras

    Foto: Renato Alves/Agência Brasília

    Serão cinco especializações em quatro regiões administrativas, com 250 vagas. Segunda edição do programa em 2023 está com inscrições abertas até 13 de julho

    O QualificaDF, programa de qualificação profissional promovido pelo Governo do Distrito Federal (GDF), vem com novidades no 2º Ciclo de 2023, que está com inscrições abertas até 13 de julho. A nova edição proporcionará ainda mais acessibilidade aos candidatos. Serão cinco cursos com a presença de intérpretes em Libras (Língua Brasileira dos Sinais), permitindo o acesso às pessoas surdas, totalizando 250 vagas.

    Com inscrições abertas, o 2º Ciclo de 2023 do programa QualificaDF terá presença de intérpretes em Libras | Foto: Renato Alves/Agência Brasília

    “O QualificaDF tem 50 cursos distintos e a grande novidade é que os candidatos já saberão de antemão quais terão intérpretes em Libras. Essa é uma forma de garantir a inclusão dessa comunidade”, explica a gerente de Qualificação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet), Karina Leite.

    “Foi muito bom, porque tinha vários surdos e também os ouvintes interagiram bastante. Eles tiveram bastante respeito com a gente. Gostei demais da inclusão. Recomendamos que outras pessoas com deficiência estudem, porque somos vencedores”Jhonathan Santos, participante do QualificaDF

    Os cursos que contarão com o recurso de acessibilidade são: assistente administrativo – carreiras públicas (noturno – Asa Sul), estética facial e corporal – massagem terapêutica (vespertino – Asa Sul), auxiliar de recursos humanos (vespertino – Paranoá), maquiagem e design de sobrancelhas (noturno – Planaltina) e assistente administrativo (noturno – Taguatinga).

    Nos ciclos anteriores, os intérpretes eram designados aos cursos de acordo com a demanda dos inscritos. “Uma das dificuldades que a gente tinha era a indicação dos intérpretes por curso. Com a divulgação no edital de convocação de quais cursos contarão com a acessibilidade, isso facilita para o aluno, porque ele já vai saber que terá o intérprete, e também para nós, para sabermos quantos profissionais vamos precisar em cada unidade”, revela a coordenadora geral do QualificaDF, Priscila Silva.

    Ampliação do público

    Entre o primeiro e o segundo ano do QualificaDF, 34 surdos participaram dos cursos do programa. Assistente administrativo – carreiras públicas e recursos humanos foram os mais cursados pelo público.

    “Ao darmos acessibilidade aos cursos, daremos ao mercado de trabalho também”, destaca a voluntária e intérprete de Libras do QualificaDF, Elaine Campelo | Foto: Divulgação

    O jovem Jhonathan Santos foi um deles. Ele participou do 1º Ciclo de 2023, quando se qualificou em recursos humanos. “Entrei no curso de RH porque percebi que ele poderia me ajudar bastante e a melhorar o meu conhecimento. Agora tenho um diploma e pretendo trabalhar com isso”, conta.

    O estudante acredita que a experiência no QualificaDF foi um divisor de águas. “Foi muito bom porque tinha vários surdos e também os ouvintes interagiram bastante. Eles tiveram bastante respeito com a gente. Gostei demais da inclusão. Recomendamos que outras pessoas com deficiência estudem, porque somos vencedores”, afirma.

    Para ampliar a participação de surdos e surdas, o 2º Ciclo de 2023 terá um trabalho de divulgação com a comunidade surda, buscando as associações e publicando nas redes sociais materiais acessíveis. “Queremos entender e atender essa comunidade. Ao darmos acessibilidade aos cursos, daremos ao mercado de trabalho também”, destaca a voluntária e intérprete de Libras do QualificaDF, Elaine Campelo.

    Ela atua como intérprete desde o primeiro ciclo de 2022 e já esteve nos cursos de assistente administrativo, recursos humanos e maquiagem, todos administrados na unidade de Planaltina.

    “Não trabalhamos com vídeos gravados, então tudo vai sendo interpretado em sala de aula. Serve para levarmos o conhecimento até o aluno surdo e também para darmos voz a ele, sendo ponte com os professores e com os colegas de classe. Permitindo a interação, a colocação de opinião e sugestões. Essa participação torna o ambiente enriquecedor”, classifica Elaine.

    Além da acessibilidade em Libras nas aulas, os workshops e a formatura do QualificaDF também contam com intérpretes.

    Como participar

    Os registros de interesse devem ser feitos até 13 de julho pelo site da Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet).

    A formação é gratuita e tem duração de 240 horas. Quem participa do programa tem direito a um kit educando, com caderno, apostila, caneta, borracha, lápis e pasta; dois uniformes; auxílio-transporte (por meio de emissão de cartão vale-transporte); lanche diário; seguro contra acidentes pessoais; e certificado autenticado.

    Podem participar brasileiros natos ou naturalizados e estrangeiros em situação regular a partir de 16 anos, que comprovem residência no Distrito Federal e a escolaridade mínima exigida para cada curso. Caso seja do interesse do candidato, este poderá optar por até duas qualificações.

    O resultado final das inscrições e convocação dos candidatos para início das atividades será divulgado a partir de 14 de julho. A confirmação de matrícula deverá ser feita entre 17 e 21 de julho. As aulas estão previstas para começar em 31 de julho.

    Adriana Izel, da Agência Brasília I Edição: Débora Cronemberger

  • Pressão de governos e prefeituras sobre parlamentares dá o tom do debate da reforma tributária

    Pressão de governos e prefeituras sobre parlamentares dá o tom do debate da reforma tributária

    Aguinaldo Ribeiro é o relator da reforma tributária – NAJARA ARAUJO/CÂMARA DOS DEPUTADOS – 19.02.2019

    Chefes de estados e municípios têm feito maratona de reuniões com deputados federais na tentativa de adiar a votação do texto

    A pressão de governadores e prefeitos sobre parlamentares tem dado o tom das discussões em torno da reforma tributária nos últimos dias. Com a votação prevista para esta semana, os chefes dos Executivos estaduais e municipais têm feito uma maratona de reuniões com parlamentares, blocos partidários e bancadas federais, na tentativa de adiar a análise do texto.

    O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), um dos mais críticos ao projeto, se reuniu nesta terça (4) com a bancada goiana na Câmara, almoçou com parlamentares da Frente Parlamentar de Empreendedorismo (FPE) e terminou o dia em uma reunião do bloco que reúne PSD, MDB, Republicanos e Podemos.

    Na passagem por Brasília, ele reafirmou que é contra a proposta do relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e defendeu uma reforma tributária apenas com os impostos federais. “Acho que esse assunto deveria ser pauta de cada um no seu quadrado. Governo federal faz reforma, e estados e municípios fazem seu acordo”, disse.

    Além disso, Caiado criticou a possibilidade de haver cashback de impostos. “Não tem sentido você ter um cashback no Brasil. É um nível de ficção fora do comum. Não dou conta de entender o cidadão falar em reforma tributária e ampliar o custo da cesta básica da educação, da agropecuária e do serviço”, completou o governador.

    Cashback

    A ideia do cashback é devolver parte dos impostos arrecadados às famílias de baixa renda. Atualmente, quem declara Imposto de Renda e, na visão da Receita Federal, gastou mais do que deveria com tributações no decorrer do ano tem direito à devolução de parte do dinheiro.

    As classes mais baixas, que recebem menos que R$ 28.559,70 por ano, não têm direito à restituição, mesmo pagando proporcionalmente a maior parte dos impostos no consumo.

    Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, também tem se posicionado contra o texto. O principal ponto de discórdia dele é com aspectos do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Tarcísio não se opõe ao princípio de cobrança do imposto unificado, que será pago uma vez e descontado nas etapas seguintes da produção. Por outro lado, não aceita o Conselho Federativo para administrar a receita única. Tarcísio acredita que o conselho representa uma “retirada de autonomia” dos estados.

    O conselho também é alvo de críticas de outros governadores, como o do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Uma alternativa para eles é a criação de uma câmara de compensação, modelo em que os estados que arrecadarem mais do que os limites em operações repassem os valores às outras unidades da federação.

    Negociação com prefeitos

    Para o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (PL), os municípios terão que compensar a arrecadação com o aumento de impostos como o IPTU, no caso de a proposta de reforma ser aprovada. “Não é razoável a concentração da receita com a União. Essa é a maior concentração de recursos para o governo federal. Estamos abertos a contribuir, mas [a proposta de reforma tributária] não é democrática”, comentou.

    Aguinaldo Ribeiro se reuniu com os prefeitos em uma negociação de “ajuste fino” do texto. Ele reforçou que busca uma solução para contemplar os municípios e estados e disse que a proposta não fere a autonomia dos governos locais.

    “Quem tem o calendário da votação é o presidente [da Câmara] Arthur Lira. Estamos trabalhando para [o relatório] estar pronto e levar ao plenário esta semana, mas essa definição é do nosso presidente”, afirmou.

    Ele ainda minimizou o posicionamento do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que criticou o texto e afirmou que a reforma sugerida aumenta impostos da cesta básica, retira a capacidade de investimento dos estados e subtrai recursos dos municípios.

    “Não é assunto ideológico, não é um assunto de governo A ou B. É um assunto do Estado brasileiro. Vamos amadurecer esse debate, porque reforma tributária é para quem tem compromisso com o país”, ressaltou.

    BRASÍLIA | Hellen Leite, do R7, em Brasília –