Marinésio é condenado a 37 anos de prisão pela morte de Letícia Curado
O acusado responde pelo assassinato da mulher que trabalhava como funcionária terceirizada do Ministério da Educação
Após 10 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Planaltina condenou Marinésio Olinto dos Santos a 37 anos de prisão, em regime fechado. O acusado responderá pelo assassinato de Letícia Sousa Curado de Melo, sem chance de recurso em liberdade. A vítima era funcionária terceirizada do Ministério da Educação. O marido da vítima, Kaio Fonseca, confirmou a condenação ao Metrópoles. A imprensa não pôde acompanhar o julgamento presencialmente devido às medidas sanitárias de proteção contra a Covid-19.
Em setembro de 2019, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou Marinésio pelo homicídio quintuplamente qualificado de Letícia.
Os jurados aceitaram todas as qualificadoras apontadas pelo MPDFT: feminicídio, motivo torpe, meio cruel, dissimulação e crime praticado para assegurar impunidade de outro crime. Ele também foi condenado por tentativa de estupro, furto e ocultação de cadáver.
Para o promotor de Justiça Nathan da Silva Neto, a condenação de Marinésio mostra que a comunidade de Planaltina não está disposta a tolerar a violência contra a mulher. “Esperamos que crimes dessa natureza não voltem a se repetir, em Planaltina ou em qualquer outro lugar”, afirmou.
Veja fotos do réu:
A expectativa era de que a condenação dele ultrapassasse 40 anos de reclusão. No entanto, o júri entendeu por 37 anos de condenação.
O advogado de defesa de Marinésio, Marcos Venício, afirmou que vai recorrer da sentença. “O argumento básico do recurso é em função de que os jurados foram contrários às provas dos autos. Existem elementos nos autos que dizem, por exemplo, que não houve estupro. Mesmo assim, ele foi condenado por esse crime. Mesmo diante de uma prova dessa, julgaram contrários às provas dos autos”, disse o defensor.
A região possui cerca de 200 a 300 mini-chácaras, com sedes e outras casas para caseiros, além de galinheiros e áreas para outros animais. Ao todo, são aproximadamente 140 a 210 imóveis ao dispor de Lázaro
Com cerca de 70% das propriedades rurais abandonadas na região de Edilândia e Cocalzinho (GO), as buscas por Lázaro Barbosa de Sousa estão ainda mais difíceis. Nos últimos dias, os moradores tem saído das fazendas e chácaras locais, deixando para trás mantimentos facilidades para o criminoso.
A região possui cerca de 200 a 300 mini-chácaras, com sedes e outras casas para caseiros, além de galinheiros e áreas para outros animais. Ao todo, são aproximadamente 140 a 210 imóveis ao dispor de Lázaro.
O cerco realizado pela força-tarefa tem alta concentração de vegetação de cerrado, com rios, brejos e matas fechadas, além de pequenas cachoeiras. Algumas das grutas no local medem um quilômetro de profundidade. Elas podem não só esconder uma pessoa como fornecer passagens para o outro lado caso sejam ocupadas pelos agentes de segurança. Apesar da dificuldade, Lázaro Sousa conhece o local por ter vivido na região.
O local é cortado por uma rodovia, a BR-070, e estradas vicinais. Existe um risco alto de que Lázaro Sousa consiga furar o cerco, saindo do perímetro definido pelos chefes da operação. Para isso, o modo mais fácil seria atravessar, pela mata, algum “ponto cego” não monitorado pelos agentes.
De acordo com as autoridades, ao se manter descansado, hidratado e alimentado, Lázaro pode fazer nova tentativa de furar o cerco delimitado pela força-tarefa composta por policiais federais, rodoviários, civis e militares do Distrito Federal e de Goiás.
Pensando nisso, realizamos uma pesquisa com alguns magistrados com larga experiência profissional e iremos de forma breve repassar algumas dicas de como você deve escrever uma Petição Inicial bem avaliada pelos juízes.
Segue algumas dicas abaixo:
1) Objetividade
Quanto mais objetiva e reduzida for a petição, maiores chances da apreciação do juiz ser feita com mais cuidado. Peças com frases fora da ordem direta e com textos desnecessários dificultam a leitura e o entendimento.
Vale ressaltar: Existe um volume imenso de trabalho. Tem que haver clareza do que se está pedindo, colocando somente o necessário.
2) Seja breve
Não há necessidade de petições longas, uma boa petição deve possuir de cinco a 15 páginas. Caso o assunto seja mais complexo, os magistrados recomendam que as iniciais tenham até 20 páginas.
3) Evitem repetições
Quanto mais se repete argumentos e jurisprudência , maior será a perda de interesse na leitura.
Ex.: Não faz sentido trazer uma jusrisprudência de tribunal regional, sendo que já foi colocado na mesma petição uma jusrisprudência do STF. Assim, a primeira perde a relevância.
4) Documentos
Tentar colocar os documentos anexos enumerados e que os advogados evitem documentos “inúteis”.
5) Descrição dos fatos
A descrição dos fatos é a parte mais importante da peça e a que mais tem sido negligenciada pelos defensores. Os advogados precisam ter uma noção clara do que aconteceu, os motivos que levaram seus clientes a realizar o pedido. Tudo isso deve ser colocado de forma clara e que faça sentido.
6) Design gráfico
Evitar o uso de palavras grifadas ou deixar frases com cores diferentes. Isso ajuda a deixar o documento com um visual limpo. A ferramenta do advogado é a linguagem, e não o design gráfico.
7) Leitura
O hábito da leitura é de extrema relevância para escrever. Só escreve bem quem for um bom leitor. Então, leitura de obras da literatura clássica e moderna, e não somente de livros jurídicos, deve fazer parte do cotidiano do profissional ou estudante.
Você se sente inseguro quando tem que escrever uma petição inicial? Possui algum tipo de dificuldade na hora de fazer a FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA, na hora de organizar os PEDIDOS ou até mesmo quando tem que fazer a narração dos FATOS em sua petição?
MEDO de esquecer de colocar em sua petição inicial algum pedido importante ou ERRAR na hora de fazer a fundamentação jurídica?
Na verdade existem várias outras dificuldades que nossos colegas advogados possuem na hora de escrever a petição inicial, mas saiba que você não está sozinho pois, segundo pesquisa realizada e divulgada recentemente pelo Jornal Jurídico JOTA, juízes pedem emenda da inicial em MAIS de 60% dos casos cíveis. Para se ter uma ideia, há casos recorrentes de omissão de valor do dano moral desejado e de erros por abuso de copia e cola (Ctrl+C, Ctrl+V), os famosos Pacotes de Petições.
Na mesma pesquisa ficou evidenciado que esse fenômeno ficou mais aguçado com a vigência do Novo Código de Processo Civil em março/2016. Imagine só: a cada 10 petições, 6 são indeferidas e determinadas suas emendas. Fica evidente uma grande perda de tempo, dinheiro e energia que os advogados e seus clientes têm nesse ciclo vicioso.
Bolsonaro é questionado sobre máscara e manda repórter “calar a boca”
Durante evento em Guaratinguetá (SP), presidente não usou o acessório. Em 12 de junho, ele foi multado por não usar a proteção em motociata
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mandou uma repórter da TV Vanguarda, afiliada da TV Globo, calar a boca, ao ser questionado sobre o motivo de não ter utilizado a máscara de proteção facial durante agenda em Guaratinguetá (SP), na manhã desta segunda-feira (21/6).
O chefe do Executivo federal acompanhou cerimônia de formatura da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR). Ao chegar ao local, cumprimentou e abraçou apoiadores que se aglomeraram na região. O presidente não usava máscara. Ao ser perguntado sobre a marca de 500 mil mortes por Covid-19, ele voltou a afirmar que lamenta “todas as mortes”.
Após o evento, Bolsonaro foi questionado sobre o motivo de não estar usando máscara e sobre ter sido multado pelo governo de São Paulo por não usar o equipamento de proteção em 12 de junho, durante um passeio com motociclistas na capital. O valor da multa foi fixado em R$ 552,71.
Defesa de Lázaro pede proteção física e mental em caso de prisão do maníaco
A Defensoria Pública assumiu o caso do suspeito de cometer uma chacina no DF, e diversos outros crimes, como estupro e invasões
Procurado há 13 dias por uma força-tarefa formada por diversas polícias, Lázaro Barbosa de Sousa, 32 anos, tem advogada constituída e um pedido de proteção especial à integridade física e mental dele, em possível ato de recaptura. Além disso, a solicitação protocolada na Justiça prevê salvaguarda contra “qualquer forma de sensacionalismo e exposição vexatória”.
Os pedidos são da Defensoria Pública do DF e foram endereçados à Vara de Execuções Penais do DF (VEP-DF). Os documentos foram encaminhados para análise da juíza Leila Cury, nesta segunda-feira (21/6).
Na juntada de petição, a defensora pública responsável pelo caso afirma que, “considerando a enorme repercussão nacional conferida ao caso, visando salvaguardar a vida e a saúde de Lázaro, a defesa técnica solicita ao ilustre juízo que, desde logo, seja garantida a proteção da integridade física e psíquica do apenado”.
A defensora ainda pede, que, em caso de prisão, Lázaro seja alocado “em instalações seguras, se possível, sem ter que dividir cela com outros internos do estabelecimento prisional, em caso de ser recapturado com vida”.
Tortura
A Defensoria Pública destaca, no pedido à VEP, “que a tortura, bem como a violência física ou psicológica direcionada a qualquer ser humano são consideradas práticas ilícitas vedadas pelo ordenamento jurídico pátrio e pelos tratados internacionais que o Brasil se comprometeu perante os sistemas global e interamericano”.
A defesa requereu, ainda, que seja conferida a proteção de Lázaro “em face de ataques midiáticos e dos pedidos de ‘entrevistas exclusivas’ ou outro tipo de promoção que o exponha ainda mais quando houver a recaptura, pois estamos vivenciando um sensacionalismo exacerbado nas buscas pelo apenado, com inúmeras comparações do caso com os filmes de ação e com a proliferação de ‘memes’ nas redes sociais criados pelos usuários que acompanham atuação dos agentes públicos”.
Por meio de nota, a Defensoria Pública do DF registrou que esse é “um pedido comum, em casos dessa natureza, tendo por objetivo a garantia do cumprimento da legislação vigente após a eventual captura de Lázaro”, afirmou.
Além disso, a Defensoria Pública do DF se solidarizou com as vítimas dos delitos. “A Defensoria deseja que as investigações e buscas sejam bem sucedidas, com a maior celeridade possível, e que nenhuma outra pessoa venha a sofrer risco de vida ou lesão aos seus direitos. Esperamos que, após a detenção do suspeito, sua vida e integridade física sejam protegidas, a fim de que ele seja submetido ao devido processo legal”, ressaltou.
Treze dias
Lázaro é procurado há 13 dias por ser suspeito de uma chacina no Incra 9, em Ceilândia. Na ocasião, foram mortos o pai Cláudio Vidal de Oliveira, 48; Gustavo Marques Vidal, 21; e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. A mãe, Cleonice Marques, 43, ficou desaparecida por três dias. Uma força-tarefa de moradores do Incra 9, onde aconteceu o crime, encontrou o corpo da mulher no dia 12 de junho.
O cadáver estava em uma zona de mata, próximo a um córrego. O maníaco ainda queimou um carro e uma casa, fez famílias reféns e tem espalhado terror por onde passa. Veja fotos das buscas:
Moradores e comerciantes contam com a obra para desafogar o trânsito na região. Elevado vai receber nome de engenheiro pioneiro
As obras do viaduto da Estrada Parque Indústrias Gráficas (Epig), batizado de Viaduto Engenheiro Luiz Carlos Botelho, foram iniciadas nesta segunda-feira (21), logo após o governador Ibaneis Rocha assinar a ordem de serviço para a construção. Quem mora e trabalha no Sudoeste ou circula pela Epig já notou a movimentação de caminhões e placas e começou a vislumbrar as melhorias que a obra de arte vai trazer ao trânsito.
É o caso do comerciante Francisco das Chagas, de 50 anos. Há dez anos ele trabalha na região e traz queixas sobre a mobilidade. “O trânsito complica no fim de tarde e muita gente que pega ônibus, como eu, fica travado por aqui. Com o viaduto, vai ficar legal para quem trabalha na região”, conta.
O Viaduto Engenheiro Luiz Carlos Botelho terá investimento de R$ 27 milhões e vai gerar 300 empregos. A estrutura será erguida na intersecção da Epig com o Sudoeste e o Parque da Cidade e deve levar 15 meses para ser concluída. No local, segundo o DER-DF, circulam diariamente cerca de 50 mil veículos.
O comerciante Bruno, de 32 anos, acredita que a obra concluída vai diminuir bastante seu trajeto de casa para o trabalho e o retorno, ao final do dia | Foto: Renato Alves/Agência Brasília
O comerciante Bruno, de 32 anos, acredita que a obra concluída vai diminuir bastante seu trajeto de casa para o trabalho e o retorno, ao final do dia | Foto: Renato Alves/Agência BrasíliaVisão semelhante a de Francisco tem o comerciante Bruno Souza, de 32 anos. Morador de Águas Claras, ele trabalha no Sudoeste há 15 anos e perdeu a conta de quantas vezes e horas gastou a mais no trajeto por conta do fluxo intenso de veículos. “Perdia pelo menos 25 minutos a mais no trânsito vindo para cá. Já cheguei a levar uma hora para voltar para casa”, admite. “Agora, com o viaduto, vai ter um pouco de transtorno com a obra, mas depois vai resolver”, reforça.
Moradora do Sudoeste, a psicóloga Juliana Tarsia, de 58 anos, comemora a chegada de uma obra que ela escutou por anos e não via acontecer. “Esse viaduto vem trazer conforto para quem mora no Sudoeste e também para quem vai para Ceilândia e Taguatinga. Me mudei para cá em 2000 e já tinha ouvido falar da construção dele. Passaram tantos governos e nunca saiu do papel, então estou muito feliz que agora a obra vai ocorrer”, comemora.
“Começamos a semana com o pé direito, com uma das obras mais importantes para toda a população. Esse viaduto destrava o trânsito não só para quem mora no Sudoeste, mas também de quem vem de Ceilândia e Taguatinga”, disse o governador Ibaneis Rocha.
Segundo o secretário de Obras, Luciano Carvalho, ela vem para acabar com um problema frequente. “Esse engarrafamento que a gente vê todos os dias vai acabar. É uma passagem direta, a Epig vai continuar no mesmo nível e faremos uma trincheira para que as pessoas passem do Sudoeste para o Parque da Cidade sem nenhum impedimento. Vai tirar um grande gargalo”, assegura.
Para a administradora do Sudoeste/Octogonal, Tereza Lamb, “é uma honra ter essa obra, esperada há tanto tempo. Ela vai desafogar o trânsito do Parque, do Sudoeste e de quem vem pela Epig”, acrescenta.
O viaduto da Epig é um dos 49 que estão em construção, manutenção ou que o GDF já entregou desde 2019 garantindo mais segurança, conforto e agilidade para os motoristas que trafegam no DF. O investimento nessas obras, até agora, é de aproximadamente R$ 280 milhões.
A Epig é uma via de ligação para as saídas Oeste e Sul do DF. A partir da nova estrutura, os semáforos na região serão removidos, para melhorar a mobilidade da via na altura do Sudoeste, que atualmente sofre com constantes retenções de veículos.
Os trevos na Epig serão construídos em trincheiras, de forma subterrânea. Com a mudança, quem sair do Parque da Cidade em direção ao Sudoeste não terá mais de passar por semáforos e retornos; seguirá direto para a avenida das Jaqueiras, passando sob a Epig. Também vai permitir a saída do Sudoeste, na altura da avenida, e o acesso à estrada parque no sentido Plano Piloto — e vice-versa — sem a necessidade de retorno.
Em vários momentos do dia, o trânsito fica complicado na região | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília
Homenagem
Responsável pela construção de obras como o Clube do Exército e dos viadutos que interligam as vias W3 Norte e Sul, o falecido engenheiro Luiz Carlos Botelho Ferreira foi escolhido para levar o nome do futuro viaduto.
Presente na cerimônia, um dos filhos do homenageado, Pedro Henrique Ferreira, falou sobre o pai e agradeceu a honraria. “Um grande pai, ele desbravou essa cidade como pioneiro desde seus primeiros dias como profissional da engenharia, culminando, em vida, após 60 anos dedicados à nossa cidade, como cidadão honorário de Brasília”, recorda.
“Foi um grande engenheiro, um profissional muito honrado e respeitado, foi presidente do Sinduscon. É uma homenagem a uma pessoa que representa muito bem o setor da construção em Brasília”, pontua Luciano Carvalho.
IAN FERRAZ, DA AGÊNCIA BRASÍLIA | EDIÇÃO: RENATA LU
Caçada pelo fugitivo entra no 13º dia. Apenas aeronaves do estado podem sobrevoar o local no qual Lázaro foi visto
Após receber a informação de que Lázaro Barbosa, 32 anos, foi visto em uma área de mata fechada, no distrito de Girassol, em Cocalzinho (GO), a força-tarefa concentrou as buscas na região e fechou o espaço aéreo. Só podem sobrevoar o local, aeronaves do estado ou drones.
Policiais em viaturas e helicópteros das forças de segurança vasculham a região no começo da tarde desta segunda-feira (21/6). Da BR-070, sentido Cocalzinho, é possível avistar a mata. O Correio apurou que trata-se de uma região de fazendas.
Dois drones da inteligência são usados nas buscas. Os policiais não informaram qual força eles pertencem. Um é o Mavic Zoom e o outro, é o Enterprise, com sensor de calor. Apesar de a equipe de reportagem ter ouvido latidos, os militares não confirmaram se os cães estão em campo nas buscas por Lázaro.
Fiscalização em rodovia
Ao todo, 45 agentes Polícia Rodoviária Federal (PRF) do DF e de Goiás patrulham a BR-070, 414 e 153, que cortam a região onde se concentram as buscas por Lázaro Barbosa. Segundo a PRF, os pontos de bloqueio são montados em locais estratégicos, e mudam conforme a movimentação de Lázaro. O intuito é evitar que as rodovias sirvam de rota de fuga para o foragido. Quem passa pelas estradas e tiver alguma informação relacionada ao caso, pode denunciar pelo telefone 191.
Com o objetivo de ajudar os micro e pequenos empresários beneficiados pelo Programa de Apoio ao Empreendimento Produtivo do Distrito Federal (Pró-DF II) durante a pandemia de Covid-19, a Comissão de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Câmara Legislativa aprovou, nesta segunda-feira (21), o projeto de lei nº 1.112/20. A proposição suspende o pagamento das parcelas de imóveis adquiridos junto à Terracap por esses empreendedores, durante o período pandêmico.
O autor do PL, deputado João Cardoso (Avante), argumenta que, sem a medida, “a quebradeira será geral, com milhares de pessoas desempregadas e o consequente recrudescimento da crise econômica e social”.
O texto estabelece que, passada a pandemia, deverá ser estabelecido prazo de carência de, no mínimo, seis meses e parcelas com juros subsidiados não superiores à taxa Selic, para o pagamento do montante dos valores suspensos.
O projeto de lei segue em tramitação na Casa, devendo passar, ainda, pelas comissões de Economia Orçamento e Finanças (CEOF) e de Constituição e Justiça (CCJ).
O serial killer Lázaro Barbosa teria dito que queria sair de Goiás e do Distrito Federal, enquanto fazia uma família refém em Cocalzinho de Goiás (GO). A mãe, o pai e a filha ficaram por quase duas horas em poder do criminoso, na última terça-feira (15).
A família foi resgatada pela polícia durante a tarde de terça-feira, após a adolescente conseguir enviar uma mensagem para um policial pedindo socorro. A polícia fez buscas próximo ao córrego, inclusive de helicóptero.
+ Câmera flagra vulto rondando berço de crianças
“Aí tinha hora que ele já falava assim: ‘a hora que ele parar de avoar, eu vou deixar vocês e vou seguir. Mas é para vocês mandar uma mensagem para eles, para os policiais, que eu quero sair do Goiás e do DF. Enquanto eles não deixar, eu vou continuar fazendo isso que eu estou fazendo com vocês’”, contou o pai em entrevista ao Fantástico.
Chegada foi confirmada pelo ministro da Saúde durante audiência no Senado Federal nesta segunda-feira (21/6)
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o Brasil receberá, na terça-feira (22/6), 1,5 milhão de doses da vacina da Janssen contra a Covid-19. Os fármacos pousam no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, às 6h45 da manhã.
A declaração foi dada na manhã desta segunda-feira (21/6), durante audiência da Comissão Temporária da Covid-19 no Senado Federal.
Queiroga presta esclarecimentos sobre o Plano Nacional de Imunização (PNI) e sobre medidas de combate à pandemia. A comissão é presidida pelo senador Confúcio Moura (MDB-RO).
O chefe da pasta federal reafirmou que toda a população brasileira acima dos 18 anos deve ser imunizada com a primeira dose da vacina até setembro deste ano. Na audiência, ressaltou que essa é uma meta “bastante razoável”. O Brasil tem um contrato vigente para a aquisição de 38 milhões de doses da Janssen. No começo de junho, Marcelo Queiroga anunciou que o laboratório anteciparia a entrega de 3 milhões de unidades das vacinas. Elas estavam com chegada prevista para a última semana, mas a empresa atrasou o envio dos fármacos.
“Essas vacinas estavam previstas no nosso calendário para o último trimestre do ano. Lamentavelmente não foi possível a chegada dessas 3 milhões de doses”, disse o cardiologista. Agora, a expectativa é que 1,5 milhão de unidades da fórmula desenvolvida pelo laboratório cheguem nesta semana.
Vacina da Janssen
A data de chegada dos imunizantes era preocupação de alguns gestores estaduais, tendo em vista que o prazo de validade das vacinas termina no dia 27 de junho. Na última segunda-feira (14/6), no entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a ampliação da vigência.
Equipes são treinadas para atuarem de dia e à noite no mato. As buscas noturnas, no entanto, esbarram nas dificuldades impostas pelo bioma da região e na falta de equipamentos. Os que estão disponíveis são usados diariamente
Dia e noite. Há 13 dias, forças policiais especializadas estão na busca por Lázaro Barbosa Sousa, 32 anos, suspeito de assassinar uma família em Ceilândia Norte. Durante o dia, 270 policiais estão envolvidos em procurar pelo criminoso em chácaras, fazendas, no meio do mato e em pontos de bloqueio na BR-070. À noite, a caçada enfrenta outros desafios. Tendo como desvantagem a falta de luz solar, as forças de segurança contam com poucos equipamentos específicos para essas situações, além da dificuldade em lidar com o bioma da região.
Todas as forças policiais passaram por um treinamento rural antes de ingressarem na corporação. No caso das buscas por Lázaro, grupos de seis a oito pessoas passam noites no mato à procura do criminoso. As equipes se revezam e só saem do local depois que detectam que não existem mais evidências de que o suspeito esteja por perto. A falta de equipamentos é um agravante. Apenas a Polícia Federal e o Exército Brasileiro têm dispositivos específicos para as buscas noturnas. Eles estão sendo cedidos para auxiliar os policiais em campo.
Desde que a operação começou, drones que contam com câmera térmica, farol de busca, luz beacon (usada para melhor visualização), além de alto-falantes para dar alertas, estão sendo usados. Com a câmera, é possível localizar mais facilmente uma pessoa no período noturno, pois há diferença da temperatura dela para a do ambiente, e o drone aponta. O equipamento é extremamente eficiente, mas falha em regiões com muita vegetação — como é o caso daquela em que Lázaro provavelmente se esconde. O funcionamento é melhor em áreas descampadas. Helicópteros estavam sendo usados nas primeiras noites da operação. No entanto, não estão sendo mais vistos na região no período noturno.
À noite, as equipes se dividem em grupos para vasculhar matas e continuam o trabalha de bloqueio de vias (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Fora da mata, a polícia atua com pontos de bloqueio nos dois sentidos da BR-070 e ronda em chácaras e fazendas da cidade de Cocalzinho e distritos de Girassol e Edilândia, em Goiás. As investigações ainda apontam que Lázaro esteja escondido na região. Não há indícios, portanto, de que tenha chegado a Águas Lindas nem de que tenha conseguido furar o cerco delimitado pelas equipes, de aproximadamente 10km.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) afirmou, ontem, que as equipes policiais continuam em operação para a captura. A força-tarefa foi reforçada com dois cães do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO). Ao todo, a operação conta com cinco cachorros (leia mais abaixo).
Os trabalhos envolvem as polícias Militar e Civil de Goiás e do Distrito Federal, Polícia Federal e Rodoviária Federal, além da DPOE/DF. A inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) também foi incorporada à missão.
Falso policial
Um jovem de 23 anos acabou preso ao se apresentar como policial federal para participar das buscas por Lázaro Barbosa. A prisão ocorreu na noite de sábado, após ele abordar equipes da força-tarefa na BR-070, próximo ao Rio Pichuá, na região de Cocalzinho (GO), alegando estar atrasado para encontrar os colegas federais que estariam um pouco mais à frente.
De acordo com a equipe de comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), 40 minutos depois da primeira abordagem, o homem retornou pedindo ajuda aos policiais militares de Goiás para desarmar uma pessoa alcoolizada em uma propriedade rural.
Ao retornarem para o ponto de apoio, os militares foram informados pela PRF de que o jovem não era policial. Ele recebeu voz de prisão e acabou levado à delegacia pelas equipes da PM, PRF e Polícia Federal, para o registro da ocorrência. Em nota, a PRF informou que o homem cometeu ao menos dois delitos: falsidade ideológica e usurpação da função pública.
Invasão investigada
Ontem, uma nova invasão tirou a tranquilidade dos residentes de Girassol (GO). Um morador da região relatou aos agentes que a casa dele foi arrombada e encontrou tudo revirado. Ainda não há confirmação de que Lázaro Barbosa seria o autor desse crime.
A propriedade fica às margens da BR-070, logo na entrada da cidade, e foi arrombada na tarde de sábado. Em entrevista do Correio, o autônomo Josenilton de Almeida, 28 anos, disse não ter sentido falta de nenhum objeto e, apesar do ocorrido, sente-se seguro. “Não estou com um pingo de medo.”
Policiais militares de Goiás vasculharam a área de cerca de 200 metros quadrados em busca de pistas na mata e às margens da BR-070, que corta a cidade. Até agora, nada foi encontrado.
O produtor rural Divino Bueno, 50 anos, comprou um terreno no distrito de Girassol. Há três meses, ele mora na chácara sozinho. Os vizinhos abandonaram as casas por medo. “Esse homem (Lázaro) causou pânico aqui. Estávamos na tranquilidade e, de um dia para o outro, começamos a viver um terror”, contou. Ele tem experiências em mata e afirmou que, pelo conhecimento, Lázaro pode estar se “virando” facilmente na região. “Quem tem vivência nessas áreas sobrevive muito fácil e não passa apuros. Aqui tem muitas grutas, ele pode estar comendo frutos e ficando escondido por cima das árvores, que é um bom esconderijo.”
» Curiosidade
A chegada dos animais à base da força-tarefa em Girassol, povoado que pertence a Cocalzinho (GO) e onde ocorrem as buscas por Lázaro, chamou a atenção. Na manhã de ontem, moradores tiraram fotos com Cristal e Dart enquanto estavam dento da caminhonete dos bombeiros. Os cães, dóceis, sequer latiram e se deixaram fotografar.
Conheça os cães que ajudam a polícia nas buscas por Lázaro em Goiás
O reforço mais recente para a equipe que trabalha nas buscas pelo fugitivo Lázaro Barbosa são a cadela Cristal (border collie), Dart (pastor alemão) e Hope (bloodhound), cães do Corpo de Bombeiros de Goiás
crédito: Minervino Junior/CB/DA Press
O reforço mais recente para a equipe que trabalha nas buscas pelo fugitivo Lázaro Barbosa são a cadela Cristal (border collie), Dart (pastor alemão) e Hope (bloodhound), cães do Corpo de Bombeiros de Goiás.
Cristal tem 6 anos e é experiente na busca por pessoas vivas ou mortas. Ajudou, inclusive, nas buscas por vítimas da tragédia do desabamento da barragem em Brumadinho (MG). “Nossos cães são treinados para buscar pessoas desaparecidas em ambiente urbano e rural. Também recebem treinamento para buscar cadáveres”, explica o capitão Higor Mendonça, do Corpo de Bombeiros.
Com Dart, de 4 anos, e Hope, os três foram para campo logo pela manhã para contribuir com a localização de Lázaro. “Basicamente são empregadas técnicas de busca de pessoas desaparecidas, onde o alvo a ser buscado emite odores pelo ambiente, o que leva o cão a mudar seu comportamento e ajudar o condutor a encontrar a vítima. A forma do cão indicar que localizou o alvo é latindo”, diz Mendonça.
Segundo o militar, que trata dos cães, o tipo é ideal porque são de médio e grande porte. “Buscas em matas são uma das especialidades de nossos cães. Ambos são certificados para essa atividade”, garante
Mendonça diz que o pastor alemão é um cão de grande porte, de muito vigor físico. Tem grande afinidade com o trabalho, faro extremamente aguçado é obediente. É uma raça muito utilizada para guarda e proteção, mas adapta-se bem ao serviço de buscas. Quanto ao collier, é um cão com muita inteligência, faro aguçado e boa resistência física. Tem muita afinidade com busca. Por essência, é um cão de pastoreio.
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Guarda-vidas advertiram o casal pedindo respeito aos demais banhistas e às crianças que estavam no litoral de Itajaí
Um casal foi flagrado fazendo sexo na praia em plena luz do dia. O caso ocorreu por volta das 15h desta quinta-feira (3/6) na Brava, em Itajaí (SC).
É o que conta uma moradora da beira-mar que flagrou da sacada do apartamento os momentos íntimos da dupla. Eles estavam a cerca de 20 metros do posto 12 dos guarda-vidas.
Episódios se tornaram recorrentes nos últimos meses em Santa Catarina(Foto: Redes sociais, Reprodução)
Adilson de Oliveira critica governo na condução da crise hídrica e afirma que o brasileiro pagará cada vez mais caro pela energia
O brasileiro deve acostumar-se com dois fatos indigestos quando o assunto é energia elétrica: o aumento das contas e a possibilidade de falhas no fornecimento. A escassez de chuvas durante a maior crise hídrica dos últimos 91 anos escancarou problemas que o setor enfrenta e erros do governo na condução da geração, distribuição e administração do sistema.
Adilson de Oliveira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), participou da reforma do setor elétrico como consultor do Ministério de Minas e Energia durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em maio de 2001, o governo criou a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) para lidar com problemas de geração e apagões. À época, o país sofria constantes blecautes. Para o docente, o momento atual é crítico e exige atitudes mais duras.
CEBRI/Reprodução
Em entrevista ao Metrópoles, o especialista falou da crise de energia, do custo aos consumidores, criticou a privatização da Eletrobras e apontou erros da gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na condução das políticas públicas. Oliveira afirma que o Brasil viverá situação crítica a partir de agosto e setembro. “Um apagão generalizado acho que o governo tentará evitar, mas medidas restritivas, como racionamento, acho que é possível”, alerta.
Nas últimas semanas, o governo anunciou medidas na tentativa de conter a crise, como a compra de energia produzida por países vizinhos, mudanças na vazão dos reservatórios das hidrelétricas e ativação das usinas termelétricas — que aumentam os custos ao consumidor.
O ex-consultor avalia que somente isso não basta. “O governo deveria ter agido em 2019”, vaticina. E emenda: “Provavelmente, podemos não ter racionamento neste ano, mas teremos no próximo. É uma questão de tempo”.
Na conversa exclusiva, o especialista defende reforma ampla no setor e critica a privatização da Eletrobras, aprovada pelo Senado e que agora vai à Câmara. “No momento que vivemos a pior crise você quer privatizar os principais reservatórios”, pondera. A seguir, confira os principais trechos da entrevista.
Qual a avaliação do senhor sobre a atual situação do sistema energético?
A situação hídrica é evidentemente muito grave. Todos os indicadores que nós temos são pessimistas, e a projeção é que deve se prolongar para o próximo ano. Viveremos uma situação crítica a partir de agosto e setembro. O governo começa a trabalhar, mas sempre passando os custos para os consumidores. Isso é muito preocupante. No ano que vem, a retomada da economia vai sofrer muito com esse processo. Um dos exemplos é o parque industrial, que não estará tão competitivo como os externos.
O Brasil está próximo de um apagão?
É difícil prever. A perspectiva de ter cortes, em particular em áreas centralizadas, é muito provável que venha acontecer. Acredito que vamos ter de conviver com esse tipo de fenômeno. Agora, um apagão generalizado acho que o governo tentará evitar, mas medidas restritivas, como racionamento, acho que é possível. Raciona para evitar o colapso do sistema como um todo. Seria inimaginável assistir ao Brasil inteiro sem energia por dois dias. Seria um caos.
Qual é o principal problema do nosso modelo de geração de energia?
O primeiro ponto é: o comando da gestão das águas. Ele tem que sair do sistema elétrico [Operador Nacional do Sistema Elétrico] e ir para a ANA [Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico]. A agência tem que dizer assim: “Eu dou essa água [para a produção de energia] e você faz outra coisa. A água deve ser usada principalmente para o abastecimento das cidades. Energia pode ser gerada por outras fontes. O segundo é: uma profunda revisão na sistemática de revisão do sistema elétrico. Todos dizem que temos um sistema absurdo. A hidrelétrica gerando ou não ela vai ganhar. Isto é, em alguns meses se produz menos, na expectativa de se compensar em outros. É o que se chama de ‘garantias físicas’. Elas estão nos contratos de concessão e não correspondem à realidade. Na prática, é pagar por 100%, mas o supermercado entregar somente 70% do que comprou. Isso tem que ser removido imediatamente.
Estamos atravessando a maior crise hídrica em 91 anos. Qual legado esta experiência deixa para o setor elétrico?
Para que fizemos reservatórios? Fizemos esperando que em alguns períodos não vai chover. Em vez de preservar os reservatórios, gastamos a água esperando que iria chover. O que não aconteceu. Os reservatórios são como “seguros” do sistema hídrico. Infelizmente, o que está acontecendo é o inverso. Dispensa o seguro e acredita que lá na frente vai chover. A falta de preocupação é porque independentemente do que acontecer, se tiver água ou não, a energia vai continuar sendo gerada com outros encargos, que serão repassados ao consumidor. É a forma do nosso sistema. As empresas ganham chovendo ou não. É um erro. A responsabilidade de gerir é das empresas, não do consumidor.
O país precisa fazer reforma no setor?
Já falo isso há quatro anos (risos). Precisamos rever tudo, completamente. É uma gestão que precisa ser totalmente revista. Outra configuração, outra forma de gestão. As garantias físicas e o modelo de otimização, que desotimiza e provoca o esgotamento de forma antecipada, devem ser abandonados. Vou dar um exemplo concreto. De janeiro a março, deveríamos ter enchido os reservatórios. O que o sistema fez? Disse “Não se preocupe” e confiou nas térmicas. O problema é que não se tem condições de despachar a energia gerada pelas térmicas, não se tem combustível para isso, não tem linha de transmissão para colocar no mercado. Precisamos reformar de forma ampla e profunda. Abandonar este modelo e criar outra lógica.
Principais órgãos do setor elétrico:
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)
Câmara de Comercialização de Energia Elétrica
Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico
Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
Ministério de Minas e Energia O senhor concorda com a privatização da Eletrobras?
Me parece que vivemos num mundo paralelo (risos). No momento em que vivemos a pior crise, você quer privatizar os principais reservatórios, que são os da Eletrobras. Na verdade, o governo quer fazer uma privatização para mostrar ao mercado que é capaz. Isso não tem lógica econômica ou social. Isso é um ato político. Qual o preço disso? Ninguém sabe. Mas o custo vai cair nas costas dos brasileiros. É um absurdo essa privatização, com essas regras e neste momento. Mas como a terra é plana (risos)…
A tendência é que a conta de energia fique cada vez mais cara?
Sim e cada vez mais rápido. A Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] calculou que a ativação das termelétricas até agora custarão R$ 9 bilhões. Com as medidas que serão impostas pela Eletrobras, são mais outros R$ 50 bilhões. O tesouro está numa situação financeira ruim. Os custos vão vir para nós, e os brasileiros que vão sofrer. Os pequenos negócios não conseguem suprir a indústria. É um período absurdo.
O governo tem afrouxado regras, como a vazão de hidrelétricas e a possibilidade de compra de energia produzida no exterior, isso é suficiente para conter a crise?
Obviamente que não. Ouvi o ministro [de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque] dizer que vai comprar energia da Argentina. Agora ele descobriu que no inverno a geração por termelétrica cai, porque lá se usa o gás para aquecimento. Não gera energia. É viver um mundo paralelo. Agora ele descobriu que não é possível.
O governo demorou a agir diante do problema?
Sem dúvidas. Na verdade, o governo deveria ter agido em 2019. O custo de ligar as termelétricas em 2019 para encher os reservatórios, você iria gastar, mas seria menor do que se paga agora por deixar os reservatórios baixos. Quando você tem um reservatório de água em casa e ele está cheio, a água chega com pressão na torneira. Quando a água vai acabando, a pressão diminui, mas mesmo assim chega na torneira. É a mesma lógica das hidrelétricas. Com menos pressão, a capacidade de gerar energia vai caindo. Quanto mais baixo, menor a quantidade de energia gerada, apesar da mesma quantidade de água usada. Os reflexos de agora são frutos de erros do passado.
Quais as perspectivas para 2022?
Vi uma palestra do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais], e a expectativa é de um 2022 mais seco ainda. É uma previsão baseada em modelos, mas a consistência do modelo é muito grande. A probabilidade de vir ocorrer é grande. Vamos torcer para que a gente atravesse o ano sem cataclismas, mas vamos entrar o próximo ano com problemas graves ainda. Provavelmente, podemos não ter racionamento neste ano, mas teremos ano que vem. É uma questão de tempo. O conjunto de medidas que temos hoje é muito limitado em curto prazo.