Dia: 15 de fevereiro de 2021

  • Fotos: forte chuva causa alagamentos no DF na madrugada desta 2ª

    Fotos: forte chuva causa alagamentos no DF na madrugada desta 2ª

     

    Tesourinhas ficaram inundadas, e os motoristas, ilhados. Registros foram feitos por volta das 2h desta segunda de Carnaval

    atualizado 15/02/2021 9:08

    Igo Estrela/Metrópoles
    A chuva forte que atingiu o Distrito Federal, na madrugada desta segunda-feira (15/2), provocou transtornos e alagamentos em diversos pontos da capital.
    Por volta das 2h30, o Metrópoles flagrou a tesourinha da 201/202 Sul inundada. Motoristas que tentavam passar pelos pontos em que a água ficou acumulada ficaram ilhados.
    Veja imagens da tesourinha da 201/202 Sul:

    Imagens do Jeep:
    Confira os cliques no Paranoá:

    com informações do Metropoles.com

  • Prazo para aderir ao Sisu será ampliado até 23 de fevereiro

    Prazo para aderir ao Sisu será ampliado até 23 de fevereiro

    chicoterra.com

    As instituições públicas de educação superior ganharão mais tempo para aderir ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e ofertar vagas no primeiro processo seletivo de 2021. O prazo será ampliado para que a adesão possa ser realizada até o dia 23 de fevereiro. Anteriormente, esse prazo terminaria nesta sexta-feira, 12. Ele teve início no dia 8 de fevereiro. 

    Essa alteração do edital de adesão ao Sisu, que será publicada no Diário Oficial da União (DOU), no próximo dia útil, apenas unificará os cronogramas, antes estanques, dos dois procedimentos previstos em edital, que são a adesão e a retificação, se for o caso, das informações constantes nos documentos de adesão. O prazo final desse último procedimento não foi alterado. Ele terminará também no dia 23 de fevereiro. 

    É de exclusiva responsabilidade da instituição participante do Sisu descrever, no documento de adesão, as condições específicas de concorrência às vagas por ela ofertadas no âmbito do Sisu. A assinatura do termo de adesão de cada instituição ocorrerá, exclusivamente, por meio do sistema de gestão do Sisu, no endereço eletrônico http://sisugestao.mec.gov.br, até o prazo limite definido em edital. 

    O Sisu é o sistema informatizado do MEC, no qual as instituições públicas de educação superior, sejam elas federais, estaduais ou municipais, oferecem vagas a serem disputadas por candidatos inscritos em cada edição da seleção. Os candidatos são selecionados para as opções de cursos indicadas no ato de inscrição, de acordo com a melhor classificação de nota obtida na edição mais recente do Enem, que será a de 2020. 

    Cronograma de inscrições 

    As inscrições para o processo seletivo do Sisu, edição do 1º semestre de 2021, ocorrerão de 6 a 9 de abril. As inscrições serão realizadas, exclusivamente, na página do Sisu. O cronograma completo e as regras dessa edição constam no Edital nº 10, publicado na quinta-feira, 11, no DOU. 

    Inscrições: de 6 a 9 de abril;

    Resultado da chamada única: 13 de abril;
    Matrícula ou registro acadêmico: de 14 a 19 de abril;
    Manifestar interesse em participar da lista de espera: de 13 a 19 de abril.

     

     Assessoria de Comunicação Social do MEC com informações da Secretaria de Educação Superior/Sesu

    Com Informações do www.gov.br/mec/pt-br

  • Em ação do MP, Justiça condena município de Formosa a regularizar oferta de educação infantil em 6 meses

     MP buscou garantir a matrícula das crianças em creches e pré-escolas

    MP buscou garantir a matrícula das crianças em creches e pré-escolas

    Julgando parcialmente procedente ação proposta pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), o juiz Lucas Siqueira condenou o município de Formosa à obrigação de, no prazo de 180 dias, promover as adequações necessárias em sua política pública voltada à educação infantil, proporcionando a matrícula de todas as crianças até 5 anos residentes na cidade que estão em lista de espera, cadastro classificatório ou equivalente em creches e pré-escolas próximas à residência da família. Essas unidades, conforme a sentença, deverão atender as crianças, no mínimo, pelo período parcial de quatro horas diárias, podendo ainda oferecer o serviço para a jornada integral, de sete horas diárias.

    Para a hipótese de descumprimento da decisão, o juiz fixou multa diária no valor de R$ 1 mil, a ser revertida ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente, em desfavor do município e, solidariamente, do prefeito, pessoalmente. A sentença foi proferida em ação civil pública proposta em 2015 pela promotora de Justiça Caroline Ianhez. O processo está sendo acompanhado atualmente pelo promotor Lucas Danilo Vaz Costa Júnior, que está respondendo pela 4ª Promotoria de Justiça de Formosa.

    Na ação, o MP-GO buscou garantir a oferta regular de serviços educacionais no município, em especial voltados à educação infantil, uma vez que significativa parcela de crianças não estava sendo atendida, conforme prevê a legislação. A ação destacou a existência, à época, de uma fila de espera de quase 2 mil crianças que aguardavam vagas em unidades escolares.

    Foi observado na ACP, na ocasião, que a demanda no município ainda seria gradativamente elevada, em razão da Emenda Constitucional n° 59/2009, que tornou obrigatória a frequência na etapa da pré-escola para todas as crianças de 4 e 5 anos, norma que impunha, desde já, certas posturas dos gestores, ao estabelecer a universalização do ensino progressivamente até 2016.

    Investimento
    Ao julgar a ação, o juiz argumentou sobre a importância do investimento na educação infantil. “Não pode o poder público se omitir na criação da estrutura necessária ao fornecimento da educação infantil adequada, ou criar entraves burocráticos que impeçam o amplo acesso das crianças do município às creches públicas, posto que a educação é direito fundamental assegurado pela Constituição Federal, não podendo ser restringido em hipótese alguma”, justificou. (Texto: Ana Cristina Arruda/Assessoria de Comunicação Social do MP-GO – Foto: banco de imagens)

    Com informações www.mpgo.mp.br

  • Análise: paciente até demais, Flamengo acha espaços para vencer e seguir vivo no Brasileirão

    Análise: paciente até demais, Flamengo acha espaços para vencer e seguir vivo no Brasileirão

    Na falta de espaços, é preciso ter paciência. E foi assim que o Flamengo conseguiu vencer o Corinthians na tarde de domingo, no Maracanã, para seguir vivo na caça ao Inter pelo sonho do título do Brasileirão.

    Gabigol comemora com Rogério Ceni em Flamengo x Corinthians, no Maracanã, pelo Brasileiro — Foto: André Durão

    Um relato sucinto do jogo até poderia indicar uma superioridade ao ponto de o time de Rogério Ceni construir sem dificuldades a vitória por 2 a 1: o Flamengo teve maior posse de bola, empurrou o Corinthians para seu campo e foi senhor da partida. A questão, no entanto, está no que os cariocas conseguiram fazer nos 66% (estatística que chegou a superar 75%) do tempo em que ditaram as ações quase sempre rondando a baliza de Cássio.

    O Flamengo ter a bolas nos pés não era algo que preocupasse o Corinthians. Com linhas bem definidas e próximas, os visitantes formavam um paredão na frente da área e reduziam o jogo a praticamente um terço do campo do Maracanã. O cenário era claro: um time trocava passes em busca de espaços e o outro apostava em uma saída bem encaixada. Estratégia que deu certo para ambos no primeiro tempo.

    Melhores momentos: Flamengo 2 x 1 Corinthians pela 36ª rodada do Brasileirão 2020

     

     

     

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    Melhores momentos: Flamengo 2 x 1 Corinthians pela 36ª rodada do Brasileirão 2020

    Com todo time no campo de ataque, o Flamengo fazia a bola girar com velocidade pelos pés de Diego e Gérson para levar perigo em jogadas pelos lados. Se o meio estava congestionado, a equipe de Ceni encontrava soluções, mas acabava se vendo obrigada a alçar muitas bolas na área. Foram 21 cruzamentos em todo o jogo.

    Em um deles, Willian Arão abriu o placar de cabeça. Logo depois, Bruno Henrique carimbou o travessão. O roteiro indicava uma vitória tranquila, e não foi. O passe bem feito por Araos após se desvencilhar da marcação de Diego encontrou Léo Natel nas costas de Willian Arão. Um chute, um gol e o Flamengo novamente se via obrigado a “inventar” espaços na defesa corintiana, a esta altura já ciente de que o Inter vencia sua partida em São Januário.

    Flamengo x Corinthians

    Posse de bola: 66% x 34%
    Finalizações: 14 x 11
    Faltas cometidas: 21 x 16
    Passes trocados: 594 x 305
    Cruzamentos: 21 x 11

    As jogadas pelos lados seguiram sendo as melhores para levar perigo, mas a dinâmica já não era a mesma do início do jogo. As estocadas demoravam mais para acontecer, os passes laterais se multiplicavam e o Corinthians foi para o intervalo com o empate controlado.

    Os cartões de Fagner e Fábio Santos indicavam ao Flamengo que as jogadas em profundidade seguiam como caminho mais viável, e na volta para o segundo tempo Bruno Henrique resolveu entrar no jogo. Longe de ser o atacante que a torcida está acostumada, mas suficiente para levar perigo pela esquerda e participar do lance do gol.

    Willian Arão começou o jogo como zagueiro e terminou como volante — Foto: André Durão

    Foi um chute do camisa 27 que Cássio espalmou para Everton Ribeiro servir Gabigol no rebote: 2 a 1 e promessa de meia hora de jogo mais aberto. Na luta por uma vaga na Libertadores, o Corinthians se soltou, por mais que os ainda apostasse mais em contra-ataques do que em presença no campo ofensivo.

    Em vantagem, o Flamengo se arriscou pouco, e Rogério Ceni optou por simplificar e dar fôlego ao time nos minutos finais. Ciente da pressão que o Corinthians tentava esboçar, colocou Gustavo Henrique, adiantou Arão para volante e povoou os arredores da grande área. Deu certo.

    Pelo alto, Rodrigo Caio e Gustavo Henrique eram soberanos, e pelo chão o Flamengo conseguia conter as jogadas corintianas quase sempre na intermediária. Pepê teve participação importante com desarmes e foram os rubro-negros que tiveram as melhores chances, desperdiçadas por Vitinho e Pedro.

    No jogo de paciência e estratégia, o Flamengo fez valer o clichê do “saber sofrer” e chega vivo para o confronto direto com o Inter, domingo, no Maracanã.

    https://globoesporte.globo.com

  • Detran abre inscrições para Habilitação Social nesta segunda-feira (15)

    Detran abre inscrições para Habilitação Social nesta segunda-feira (15)

     

    https://registro.portaldacidade.com/

    Serão disponibilizadas 5 mil vagas para 2021 e as inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo Portal de Serviços do Detran até o dia 16 de março

     

    Zélia Ferreira

     

    (Brasília – 12/2/2021) – A partir desta segunda-feira (15), estarão abertas as inscrições para o Programa Habilitação Social do Departamento de Trânsito do Distrito Federal. Os interessados devem se inscrever, exclusivamente, por meio do Portal de Serviços (portal.detran.df.gov.br) até o dia 16 de março de 2021. Os procedimentos e critérios de seleção constam da Instrução nº 56/2021, publicada no DODF de 1º de fevereiro de 2021.

     

    Para o ano de 2021, serão disponibilizadas 5 mil vagas para todo o Distrito Federal, sendo 3 mil na modalidade Estudante Habilitado e 2 mil na modalidade Cidadão Habilitado. O programa ainda reserva 20% das vagas para beneficiários de programas sociais da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) e outros 20% aos beneficiários de programas sociais assistidos pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus). Os outros 60% serão destinados aos beneficiários do Projeto Formação Profissional, assistidos pelo Detran.

     

    1ª fase: Inscrição

    Ao acessar o portal para realizar a inscrição, o candidato deverá selecionar a modalidade desejada: estudante habilitado ou cidadão habilitado. Depois, deve inserir os dados solicitados de acordo com a modalidade escolhida.

     

    Para se candidatar a uma vaga do Projeto Estudante Habilitado, é necessário ter idade entre 18 e 25 anos, estar inscrito, como titular ou dependente, no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico),  possuir domicílio no DF há, pelo menos, dois anos; estar cursando ou ter concluído os três anos do Ensino Médio em escola da rede pública ou como bolsista integral em instituições privadas; e estar inscrito no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

     

    O candidato ao Projeto Cidadão Habilitado, precisa ter idade acima de 18 anos, estar inscrito, como titular ou dependente, no CadÚnico, saber ler e escrever, ser penalmente imputável, possuir domicílio no Distrito Federal há pelo menos dois anos. Serão considerados os cadastros ativos no CadÚnico aqueles lançados na Base Nacional do Cadastro até o dia 15 de janeiro de 2021. O candidato receberá a confirmação de inscrição pelo e-mail informado.

     

    2ª fase: Seleção

    As críticas próprias do processo de habilitação, constantes do Código de Trânsito Brasileiro, serão feitas durante a seleção dos candidatos.

     

    O Detran disponibilizará à Sedes e à Sejus a lista dos candidatos com inscrição homologada para seleção e classificação. Após a homologação da seleção dos candidatos, as referidas secretarias retornarão as listas, informando os candidatos classificados por modalidade, tipo de serviço, critério enquadrado, motivo da não seleção e outros que se fizerem necessários.

     

    3ª fase: Habilitação

    A lista final dos candidatos inscritos, selecionados e classificados para o Programa será divulgada, exclusivamente por meio eletrônico, no Portal de Serviços do Detran, em data e hora oportuna. Após a publicação, o candidato terá 15 dias para realizar a matrícula on-line e, depois de matriculado, mais 15 dias para realizar a abertura do processo no Registro Nacional de Condutores (Renach). Caso não cumpra esses prazos, perderá o direito ao benefício

    Com informações do DETRAN -DF 

  • Denúncias revelam agressões e estupros a jovens da Fundação Casa

    Denúncias revelam agressões e estupros a jovens da Fundação Casa

     

    Funcionários de Franca, Batatais, Sorocaba, Raposo Tavares e São Bernardo detalham casos de ameaças e maus-tratos nas unidades

    SÃO PAULO | Fabíola Perez, do R7

    Funcionários relatam uso de violência contra jovens em centros socioeducativos de SP MATHEUS VIGLIAR R7

    Todos os dias, jovens que cumprem medidas socioeducativas de internação no Centro de Internação CASA Franca Dom Hélder Câmara, em Franca, no interior de São Paulo, são obrigados a tirar a camisa e bater a roupa três vezes no chão. O mesmo precisa ser feito com as bermudas. Os chinelos são torcidos com força. Levantar os abraços, abrir as mãos e a boca, virar de costas e de frente também faz parte do procedimento disciplinar exigido. Por fim, devem retirar a cueca e mostrar o forro da vestimenta aos supervisores. Na sequência, são forçados a fazer três agachamentos.

    O objetivo do ritual, segundo funcionários, é garantir que os adolescentes não levem nenhum objeto ilícito para os dormitórios nem medicamentos escondidos na boca. O procedimento revela também, de acordo com os agentes, eventuais marcas de agressão no corpo dos jovens deixadas por outros adolescentes ou por funcionários.

    Em uma dessas práticas, agentes de apoio socioeducativo da unidade de Franca perceberam marcas roxas no corpo de Rodrigo*, de 16 anos. Em dezembro do ano passado, o jovem, que acabara de chegar à unidade, foi advertido pelo coordenador Erivan de Melo sob a alegação de que não cumpria a revista da forma correta. O jovem foi então levado à quadra de esportes da unidade e agredido pelo agente com socos no peito e nas costelas. De acordo com a denúncia, realizada por funcionários da unidade à ouvidoria da instituição e ao Ministério Público, o adolescente apresentava hematomas na região do tórax. Segundo um agente de apoio socioeducativo que prefere não se identificar, Rodrigo foi levado à sala da direção depois de ter confessado a agressão a um agente psicossocial.

    Funcionários denunciados por maus-tratos em unidades da capital são transferidos para o interior para ficarem mais escondidos

    ARIEL DE CASTRO ALVES, ADVOGADO

    O diretor, Marcelo Viana Barense, teria sido ameaçado o jovem e questionado os motivos que o levaram a relatar as agressões sofridas para a equipe psicossocial. “Ele disse que, caso continuasse falando, apanharia novamente e permaneceria mais três anos na instituição, como castigo”, disse o funcionário. Na tentativa de intimidar o adolescente, o agente de apoio socioeducativo conta que o diretor teria o agredido mais uma vez com socos no peito.

    O caso provocou indignação entre os funcionários e fez com que o agente, com mais pelo menos 10 outros funcionários, assinassem uma carta pedindo a saída do diretor. “Ele não tem perfil para lidar com os adolescentes, com os funcionários, nem com as mulheres”, disse. Após denunciar os episódios de violência, o agente de apoio socioeducativo afirma que passou a ser perseguido durante as atividades de trabalho. “Precisei tomar medicamentos para dormir diariamente.”

    O agente relata que, em janeiro desse ano, foi coagido por um encarregado de segurança, amigo do diretor, que esteve na unidade. “Ele começou a perguntar para os adolescentes e servidores se estavam apanhando. A intenção era de impor medo e fazer com não dissessem que ‘sim’ na presença dele, já que as denúncias foram anônimas”, afirma o funcionário.

    “A intenção do encarregado de segurança, ao me abordar sozinho no ambiente, era que eu negasse as agressões que já presenciei por estar na presença do diretor. Antes de me questionarem, tiraram foto minha e anotaram meu nome em um caderno.” De acordo com o agente socioeducativo, o diretor da unidade concedeu benefícios, como espelhos nos quartos, aos jovens que negassem as agressões. “Outros servidores também sofreram assédio moral por não aceitarem as formas violentas com que os jovens são tratados”, disse.

    Por meio de nota, a Fundação CASA afirmou que “a execução de medida socioeducativa aos adolescentes se fundamenta no respeito aos direitos humanos e nas normas jurídicas que regulamentam a prestação do serviço público.” A instituição disse ainda que “não tolera qualquer ato ilícito ou de violência contra os jovens em atendimento, servidores e prestadores de serviço.” Em relação ao caso citado, a Fundação CASA afirmou que a Corregedoria Geral da instituição investiga as denúncias por meio de sindicâncias. “Em Franca, houve descomissionamento do coordenador de equipe, assim como do diretor do CASA Franca, acusados de agressão contra jovens em atendimento.”

    Estupro no dormitório

     

    A pouco mais 52 quilômetros de Franca, na cidade de Batatais, também no interior paulista, outro caso de violência chocou funcionários da unidade CASA Batatais de Internação no dia 21 de novembro. Segundo denúncia de um funcionário que prefere não se identificar por medo de represálias, um jovem foi estuprado por outros seis adolescentes em um dormitório. “Estão chegando muitos adolescentes mais novos e os mais velhos abusam. Quando tem problema fora da Fundação, eles pagam lá dentro.”

    Relatório registra estupro cometido por seis jovens contra uma vítima em um dormitório

    Relatório registra estupro cometido por seis jovens contra uma vítima em um dormitório

    REPRODUÇÃO

    O estupro foi encaminhado à ouvidoria da Fundação, mas, segundo o funcionário, não foi feito boletim de ocorrência. “Quem fez o registro foi um agente de apoio socioeducativo. Ele contou à direção, mas não foi concedida medida protetiva ao adolescente, tampouco a transferência para outra unidade”, afirma o agente, que trabalha na instituição há oito anos. “Ele foi transferido de quarto e aconteceu de novo.”

    De acordo com o advogado especialista em direitos da infância e juventude, Ariel de Castro Alves, o cenário hostil em unidades do interior é consequência de uma prática antiga que, segundo ele, persiste na instituição. “Os funcionários denunciados por maus-tratos em unidades da capital são transferidos para o interior para ficarem mais escondidos”, afirma. “Há uma violência endêmica e institucionalizada numa instituição com a missão de educar e ressocializar. Esse é o grande problema e contradição.”

    O motor da instituição é a segurança e a violência desde os atendimentos psicológicos até os estereótipos de trombadinha que recaem sobre os meninos e os julgamentos morais, sobre as meninas

    NATHALÍ GRILLO, PSICÓLOGA

    A Fundação CASA disse, por meio de nota que, “na CASA Batatais, assim que a denúncia foi feita, houve registro de boletim de ocorrência e tomadas as providências, instauração de sindicância pela Corregedoria Geral e envio de informação para o Poder Judiciário. O servidor denunciado foi afastado e exerce funções administrativas em outra localidade.”

    Uso de algemas em jovens contraria diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente

    Uso de algemas em jovens contraria diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente

    MATHEUS VIGLIAR / R7

    A psicóloga Nathalí Estevez Grillo, que atuou em diversos centros e pesquisa as medidas socioeducativas pela PUC-SP (Pontifícia Universidade de São Paulo), afirma que, apesar de o ECA (Estatuto da Criança do Adolescente) ter completado 30 anos, essa parcela da população ainda é tratada a partir da perspectiva de menores delinquentes. “Há um ranço do menorismo desde a concepção até a aplicação da medida socioeducativa”, explica. “Apesar dos avanços em relação às práticas pedagógicas, o motor da instituição é a segurança e a violência que vai desde os atendimentos psicológicos até os estereótipos de trombadinha que recaem sobre os meninos e os julgamentos morais, sobre as meninas”, afirma Grillo. “A estrutura funciona assim e que está nesse espaço sabe que se trata de uma instituição violenta.”

    As formas de punição que se perpetuam nos presídios estão, segundo ela, disseminadas nos centros do sistema socioeducativo. “O castigo e a violência parecem ser lógicas necessárias para que os adolescentes sejam educados. Trata-se de uma lógica carcerária que se agarra ao ECA e resulta nesta instituição fadada à violência”, diz.

    Olho roxo e banho gelado

     

    Outro caso que revoltou agentes socioeducativos da unidade CASA Sorocaba 3, módulo 2, foi a abordagem de servidores públicos com cargos de confiança da direção a jovens sentados no pátio da unidade em 1º de dezembro. Segundo depoimento de um agente socioeducativo do centro, cerca de 20 adolescentes foram acusados de iniciar uma confusão quando a equipe da Divisão Regional Sudoeste do município de Iaras agrediu os jovens e levaram quatro adolescentes para a CASA Três Rios, conhecida entre funcionários por adotar práticas violentas.

    “Eles têm uma equipe que é acionada quando ocorrem atos de indisciplina. O coordenador de área aciona a DRS quando os adolescentes discutem, fazem tumultos ou pichações”, diz o agente. Segundo ele, os funcionários que agrediram os jovens não registraram seus nomes no livro da unidade, conforme determina uma das portarias da Fundação Casa. “Todos os funcionários que entram têm os nomes e intervenções registradas. Pelo fato de as unidades de Sorocaba serem subordinadas a de Iaras, esses não cumprem essas determinações.”

    Conselho Tutelar de Iaras relata em relatório agressões contra adolescentes

    Conselho Tutelar de Iaras relata em relatório agressões contra adolescentes

    REPRODUÇÃO

    Dois dos quatro jovens transferidos para Iaras afirmaram que houve uma “contenção” por parte dos agentes. “Eles falam assim por medo de dizer que apanharam”, diz o funcionário que denunciou as agressões. “Consegui denunciar para o Conselho Tutelar de Sorocaba que mandou dois conselheiros de Iaras na unidade”, diz o agente.

    Um dos meninos, segundo ele, disse ter desmaiado após cair de uma escada. “Mas a unidade não tem escada, é uma forma de não revelar que foram agredidos por funcionários. O jovem, que teve o olho esquerdo machucado, conta que tomou banho gelado, que serve para reduzir os hematomas, e soro.” Segundo relatório do Conselho Tutelar de Iaras, um segundo adolescente com olhos e a cabeça machucada, não revelou o nome do funcionário que o agrediu.

    De acordo com o funcionário autor da denúncia, ninguém foi afastado até o momento. “Nessa regional, impera a violência. É a forma de trabalho deles”, diz. “Tudo começou em setembro quando um adolescente chileno foi espancado. É uma equipe de espancamento, composta para violentar os adolescentes. Tratados assim, eles saem das unidades mais revoltados”, diz o agente. O boletim de ocorrência realizado na ocasião descreveu os funcionários da equipe de Iaras como vítimas de agressão dos adolescentes, o que o agente socioeducativo que trabalha na unidade nega.

    A violência e o castigo parecem ser necessários para educar os adolescentes. Trata-se de uma lógica carcerária que se agarra ao ECA e resulta nesta instituição fadada à violência

    NATHALÍ GRILO, PSICÓLOGA

    Questionada, a Fundação CASA disse que também instaurou processo administrativo disciplinar contra os servidores supostamente envolvidos em denúncia de violência no CASA Sorocaba III, em Sorocaba. “Se comprovados os fatos, as sanções administrativas podem ser de aplicação de advertência à demissão por justa causa”, disse por meio de nota.

    Grillo afirma que o não afastamento de funcionários suspeitos de agressões é recorrente. “É um problema cíclico, a denúncia é feita à corregedoria da Fundação Casa e a instituição não exonera. Ele é suspenso por um tempo ou transferido para outros centros”, explica. “Precisamos pensar na estrutura da instituição: esses grupos violentos são muito comuns. Entendidos como espancadores, são chamados para resolver qualquer problema. Para funcionar, a instituição precisa desses funcionários.”

    Refeições com pedras e plástico

     

    Os relatos de violência contra adolescentes não se restringem às unidades do interior do estado. Em alguns centros socioeducativos, os casos são frequentes. Nas unidades Nova Aliança e Arpoador, no Complexo Raposo Tavares, na zona oeste de São Paulo, funcionários também denunciam agressões físicas, verbais e formas de coação. “Os adolescentes são obrigados a mentir para as autoridades que os ouvem, sofrendo ameaças de que se falarem alguma coisa serão arrebentados e transferidos para unidades distantes de suas moradias e que seus relatórios serão negativos para que fiquem os três anos na internação”, relatou um servidor. “Temos medo de uma hora, esses adolescentes se revoltarem e algum deles se matar na tentativa de chamar a atenção para o que acontece lá dentro”, disse o autor da denúncia.

    A reportagem também questionou a Fundação CASA sobre os episódios relatados, que afirmou por meio de nota, que, em relação às denúncias ocorridas nas unidades CASAs Nova Aliança e Arpoador, no Complexo Raposo Tavares, em São Paulo, a instituição adotou o mesmo procedimento administrativo seguido na CASA Batatais. “Há sindicâncias em andamento e o Poder Judiciário foi informado”, declarou em nota.

    Relatório de Conselho Tutelar com descrição sobre banho gelado e ferimentos

    Relatório de Conselho Tutelar com descrição sobre banho gelado e ferimentos

    REPRODUÇÃO

    O conselheiro tutelar do Rio Pequeno e Raposo Tavares, Gledson Deziatto, afirma que costuma ser chamado frequentemente para verificar denúncias na unidade. Em janeiro, o conselheiro diz que foi informado sobre uma confraternização realizada entre funcionários que não obedecia às regras de distanciamento social. “Fizemos uma fiscalização online e conversamos com alguns jovens”, afirma. “Imaginei que não iam falar muita coisa pela pressão que sofrem, mas me preocupou o número de denúncias de maus-tratos, agressão e humilhações. Se estão falando sobre isso de forma online, significa que não estão mais suportando”, diz.

    Dias depois, Deziatto conta que foi até a unidade e conversou com três jovens de alas diferentes. “Todos falaram as mesmas coisas, até o nome dos agressores se repetiram. Eles apontam o diretor como uma figura omissa.” Entre os relatos, o conselheiro revela que os adolescentes se queixam refeições servidas frias com pedras e pedaços de plástico. Um dos casos que mais impressionou o conselheiro em dez anos de atuação na região foi quando um dos jovens foi violentado sexualmente por um servidor. “Deu um tumulto, bateram nele e um antigo diretor tentou introduzir um cabo de vassoura no ânus do garoto”, diz Deziatto. “Conseguimos apurar, fazer boletim de ocorrência e exame médico.”

    As técnicas de tortura, segundo a psicóloga da PUC, vão além da violência física. “As revistas são pontos importantes a serem lembrados porque fazem parte do manejo institucional para causar vergonha e submeter os jovens a humilhações”, afirma. Além disso, há ainda outros mecanismos de coerção, como a construção de um Plano Individual de Atendimento, relatório sobre o cumprimento das medidas socioeducativas, com análises negativas para chegarem ao conhecimento dos juízes. “São várias formas de tortura nesses espaços de morte”, diz Grillo. “Nesses locais, não se pode expressar a sexualidade ou afetividade. Esses jovens estão constantemente submetidos a formas arbitrárias de punição.”

    Outra unidade do Complexo, a Arpoador, antiga CASA Nogueira, também é conhecida por práticas violentas. Segundo denúncia recebida pelo Conselho Tutelar, os seguranças agrediam os adolescentes e as equipes psicossocial e pedagógica produziam documentos na tentativa de justificar as práticas. “Sob a nova gestão regional, em 2020, os adolescentes do centro foram transferidos sem contato prévio com as famílias e com o poder judiciário, sem relatório técnico que pudesse embasar a continuidade do acompanhamento dos adolescentes”, diz a denúncia. Segundo funcionários, a mudança de nome da unidade não gerou mudanças nas práticas adotadas. “Não houve nenhuma capacitação para mudar a política do centro”, diz um servidor.

    De acordo com ele, um jovem que registou boletim de ocorrência por violência foi transferido para Osasco. “A nova gestão regional tem essa política de transferir quem relata maus-tratos. A Fundação Casa promove quem agride os adolescentes e quem esconde as agressões. Para ser coordenador de equipe tem que ser agressivo. Quem se recusa a agir dessa forma, é perseguido, assediado”, diz o funcionário, sob condição de anonimato.

    Assédio contra funcionários

     

    Além dos casos de violência envolvendo jovens que cumprem medidas socioeducativas, há também relatos de abuso sexual contra mulheres que trabalham como seguranças nas unidades da instituição. De acordo com o ex-presidente do Sitraemfa (Sindicato Dos Trabalhadores em Entidades de Assistencia a Criança e ao Adolescente do Estado de São Paulo), Antonio Gilberto da Silva, que também diz ter sofrido ameaças por parte de funcionários da instituição, as funcionárias são contratadas por empresas terceirizadas e ficam subordinadas aos coordenadores de área.

    “As mulheres começaram a ficar com medo e a denunciar casos de assédio. Não é um caso isolado, é uma violência institucional”, afirma. “Muitos coordenadores ameaçam as vigilantes de transferi-las de unidades e facilitar a saída dos adolescentes quando não cedem aos assédios”, diz ele, que também diz sofrer perseguição por parte de servidores da instituição.

    A vigilante Claudenice da Silva Rocha Bispo trabalhou por cinco meses em um centro socioeducativo de São Bernardo. “Sofri assédio moral e sexual.” Encarregada de fazer a segurança da portaria, Claudenice não tinha contato com os adolescentes. Sua função era controlar a entrada e saída de pessoas da unidade. “Um dos agentes era muito invasivo. Entrava, pegava no meu cabelo, no meu pescoço, me chamava de cheirosa, de gostosa”, lembra. “Dizia que me queria no berço, local em que os agentes descansavam. Um dia, ele me pegou à força, me beijou, me levou para o banheiro e tentou abusar sexualmente de mim. Dei uns tapas na cara dele e ameacei contar para todo mundo. A partir desse dia, tranquei a portaria e disse que ninguém mais entraria”, conta.

    Meses depois, Claudenice recorda que o coordenador da unidade tirou férias e o agente que a violentou assumiu o cargo. “Ele tinha acesso irrestrito à portaria e eu era obrigada a passar algumas informações de um livro ata e relatórios a ele. Ele começou com o assédio moral e disse a uma enfermeira que ia me prejudicar”, diz. “Aquilo começou a me afetar psicologicamente, tive síndrome do pânico e transtorno bipolar.”

    A vigilante afirma que denunciou o agente à delegacia da mulher, no Ministério Público do Trabalho e na Corregedoria da Fundação Casa. Os abusos começaram em janeiro do ano passado. Em março, ela foi demitida. “Fiquei internada, meu psiquiatra me deu 60 dias de afastamento e eles disseram que era abandono de trabalho.” Questionada sobre o caso, a Fundação Casa disse que a denúncia também é investigada pela Corregedoria Geral.

    O conselheiro tutelar de Rio Pequeno e Raposo Tavares acredita que a violência se instaura na instituição pela ausência de capacitação adequada dos servidores. “Para desconstruir essa cultura, a Fundação CASA precisa treinar trabalhadores e não promover quem faz o que é errado”, diz. Entretanto, os problemas parecem muito mais arraigados. “É um contrassenso pensar que a instituição seria predominantemente pedagógica. Como educar alguém a partir de uma lógica institucional violenta e arbitrária? Ao mesmo tempo que ela é violência, ela é fomentada pelos aplicadores da lei”, afirma. “Não à toa existem tantas instituições de privação de liberdade. Essas instituições funcionam desse lugar perverso.”

    *Nome fictício para proteger a identidade dos adolescentes.

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